Angus: fertilidade, rusticidade e boa carcaça, tornam a raça ideal para cruzamentos

Atendendo às exigências do mercado moderno: animais com idade jovem e que tenham camada de gordura suficiente. (foto: Divulgação Angus)
Entre as principais características de interesse econômico procuradas nos animais cruzados, estão a fertilidade, o peso ao desmame, a eficiente conversão alimentar e a boa carcaça. Tem sido opinião constante que o Angus, em cruzamento, contribui com essas características, uma vez que elas são qualidades inerentes à raça e se manifestam tanto na variedade preta (Aberdeen Angus) como na vermelha (Red Angus).
Após as mudanças de estatura, os criadores encontraram no Angus médio as condições ideais de criação com garantia de produção e rentabilidade. Aliado às características positivas que asseguram um excelente resultado econômico como gado de corte, o conjunto de suas particularidades a torna completa: fertilidade e longevidade, precocidade, rusticidade, facilidade de parto e habilidade materna, além da qualidade da sua carne. Tudo, atendendo às exigências do mercado moderno: animais com idade jovem e que tenham camada de gordura suficiente.
Raça fértil
A Aberdeen Angus destaca entre as raças taurinas por reunir um maior número de características positivas que lhe asseguram um excelente resultado econômico como gado de corte. O conjunto de suas características a tornam uma raça completa. Na busca de uma pecuária mais eficiente, quando o criador planeja um cruzamento, ele deve ter em conta não só a utilização de novilhos pesados e precoces, mas também de fêmeas de reposição que tenham alto índice de habilidade materna, períodos entre partos curtos e alta resposta reprodutiva quanto à repetição de crias.
Por meio de sua fertilidade, o gado Angus proporciona aos seus criadores maior rendimento, tanto pelo número de bezerros nascidos, quanto pela quantidade de quilos obtidos por hectare. A longevidade, associada à fertilidade, representa, ao final, mais crias produzidas.
Precocidade e rusticidade
Em comparação com outras raças, o Angus tem demonstrado que, nas mesmas condições alimentares, atinge mais cedo a puberdade e o estado de abate. A precocidade do Angus reflete-se no abate de novilhos jovens, que, além de uma necessidade mercadológica, é fator fundamental de uma pecuária de retorno mais rápido.
A rusticidade é facilmente identificada pelo grande número de animais (machos e fêmeas) espalhadas pelas várias regiões climaticamente diferentes do País, mantendo suas qualidades inalteradas. O Angus mostra maior resistência a enfermidades, grande adaptação às condições ambientais dos territórios onde é criado, seja com temperaturas extremas, altas ou baixas, solo seco ou alagadiço, campos altos ou abrigados, pastagens ricas ou pobres. Mesmo em situações adversas, as fêmeas Angus produzem bezerros e os amamentam adequadamente, nem que para isso tenha que sacrificar parte de sua “gordura marmorizada”.
As fêmeas geram um terneiro de porte médio, não muito pesado ao nascer, o ventre Angus tem reduzido desgaste na parição, o que abrevia a sua recuperação pós-parto, favorecendo a repetição de cria e diminuindo o intervalo entre partos.

O Angus produz um animal com alta qualidade de carne (foto: divulgação Angus)
Angus, a qualidade de Carne
Este é um dos atributos excepcionais da raça Aberdeen Angus, que lhe garante posição entre os líderes. A qualidade de sua carne é evidenciada pela opinião de autoridades do setor e confirmada nos mais diferentes concursos realizados nos principais mercados produtores. O Angus produz um animal com alta qualidade de carne, apropriada não só para o mercado interno, como também para o mercado externo. Apresenta de 3 a 6 mm de gordura (exigências européias) e sua carne é marmorizada (gordura entremeada na carne), o que lhe confere a já reconhecida maciez e sabor inigualável. A perfeita e uniforme distribuição da gordura no tecido muscular lhe confere um aspecto muito mais atraente e sabor singular. A importância dessa distribuição é exaltada quando da sua preparação: a gordura se derrete parcialmente pela ação do calor e impregna a parte magra, melhorando apreciavelmente seu valor, tornando-a tenra e apetecível.
A performance produtiva do Angus foi comprovada pela publicação americana National Livestock Producer onde, entre 47 raças analisadas, o Angus obteve a pontuação mais alta. Nas cinco principais listadas, encontram-se as duas variedades de Angus: Aberdeen Angus e Red Angus, além de Brangus (cruzamento de Angus 5/8 com zebuínos Nelore ou Brahman 3/8). Nessa avaliação, os Angus se destacaram em fertilidade, peso ao nascer, pequena mortalidade de bezerros, baixa idade à puberdade, uso em cruzamento e qualidade de carcaça.
Também a revista americana Better Beef Business destacou o Angus pela fertilidade, facilidade de parto, habilidade materna e melhor carcaça de corte. Em ambas as pesquisas, os zebuínos destacaram-se em rusticidade, tolerância ao calor, conversão alimentar e longevidade. Por isso, no cruzamento Angus x Nelore as características se complementam, tornando o produto resultante muito eficiente. As raças sintéticas que não observaram essa complementariedade obtiveram as pontuações mais baixas. Esse conjunto de excepcionais características torna o Angus uma raça completa, com incomparáveis índices de produtividade.
Cruzamento industrial
Entidades de pesquisas e cruzamentos na Argentina, Austrália, Brasil, Estados Unidos, Nova Zelândia e Uruguai avalizam diversas informações sobre os cruzamentos com Angus. Mas são os resultados obtidos nas condições brasileiras, até agora mais especificamente no Rio Grande do Sul, em condições de campo com temperaturas que variam de -4ºC a quase 50ºC, que a raça revelou sua notável adaptabilidade. Em 1946, tiveram início na Fazenda Experimental Cinco Cruzes, em Bagé (RS), hoje Embrapa, os primeiros experimentos do cruzamento Angus com Nelore. Em 1954 nasceram os primeiros exemplares com 5/8 de sangue Angus e 3/8 de Nelore, começando a formação de uma raça sintética, o Ibagé, denominada também Brangus-Ibagé, ou simplesmente Brangus. São dessa época os primeiros registros de resultados que confirmam a decisão correta havida na escolha das raças-base.
Em experimentos desenvolvidos na Estação Experimental Zootécnica de Uruguaiana, IPZFO-RS (Instituto de Pesquisas Zootécnicas Francisco Osório, Secretaria da Agricultura e Abastecimento – RS), região de clima continental, de verão extremamente quente, as cruzas Angus superaram em 20% as demais na característica prolificidade. Os trabalhos realizados pela Embrapa e pelo IPZFO representam fonte consistente e segura do desempenho do Angus quando utilizado em cruzamento.
A região da Campanha do Rio Grande do Sul se assemelha à região central do Brasil, com extensas áreas de pastagens, com pouca sombra, alta insolação, temperaturas acima de 40 graus, períodos com muita chuva, secas prolongadas e mosca do chifre. Nessas condições adversas, os touros apresentam alta capacidade de serviço, as vacas alcançam elevado índice de prenhez, criam bezerros e não há prejuízo na precocidade dos garrotes. Esses são resultados consistentes já alcançados pelo Programa Natura, implantado em mais de 50 rebanhos associados em oito estados brasileiros, com o objetivo de desenvolver um bovino adaptado às várias condições de criação no Brasil, utilizando como base o Angus e o Nelore. Com essa performance, os cruzamentos Angus com zebuínos revelam características de rusticidade, com o aproveitamento de forragens grosseiras, resistência aos ectoparasitos, tolerância ao calor e longevidade.
No Sul, particularmente, as cruzas têm equilíbrio de sangue (1/2 Angus x 1/2 Nelore) ou mais sangue Angus (5/8 Angus x 3/8 Nelore). No Brasil Central, além das relações de sangue praticadas no Sul, também se desenvolve a alternativa com mais sangue Nelore (5/8 Nelore x 3/8 Angus). Os resultados até aqui aclamados, avalizados por entidades de pesquisa e observações de campo, fortalecem a expectativa de sucesso no cruzamento com Angus. Pouco importa a variedade — preta ou vermelha —, a raça é a mesma e seus méritos na produção de excelente carne são iguais.
A raça Aberdeen Angus é a mais testada em cruzamentos. Devido ao tempo que demanda, ao espaço físico que ocupa, às elevadas despesas de manutenção e conseqüente alto custo, a investigação com bovinos não permite artificialismos. Com isso, os resultados alcançados em nível experimental podem ser obtidos também na propriedade rural. As publicações científicas sobre cruzamentos entre bovinos nas regiões de clima tropical, subtropical e temperado, têm a contribuição de entidades como a Universidade Federal da Flórida/USA, do Projeto de Agricultura Experimental do Texas/USA, da Estação Experimental de Ona, Flórida/USA, da Estação Experimental Agropecuária de Mara/África do Sul, Estação Experimental de São Carlos/SP, do instituto Neozelandês de Ciência Agropecuária/Nova Zelândia, da EMBRAPA, do IPZFO/RS, da Sociedade Australiana de Produção Animal/Austrália. No Brasil, o cruzamento com Angus x Nelore está amplamente difundido no Sul.
Nas outras regiões, o cruzamento com raças européias está ganhando espaço rapidamente. Os ganhos com aplicação correta dessa prática já estão mundialmente comprovados. De modo geral, a cruza com zebuínos se traduz num nível significativo de vigor para a percentagem de parição, sobrevivência de terneiros, percentagem de desmame, habilidade materna e crescimento. O aumento combinado dessas respostas sobre a produtividade da vaca reflete-se na elevação do índice de produção total, de enorme importância econômica, o que oscila de 10% em ambiente desfavorável até 50% em ambiente favorável.
O ganho de peso de terneiros, do nascimento ao desmame, é altamente dependente das condições alimentícias. No cruzamento de Angus com diversas raças, constataram-se aumento de 5 a 15% de heterose para peso ao desmame, o que destaca a maior habilidade materna da vaca cruza. A produção de novilhos é largamente afetada pelo cruzamento e apresenta variações positivas de 4 a 15% no ganho de peso diário, de 0,5 a 3% no rendimento de carcaça fria e de 0,5 a 2% para os dados de tipificação de carcaça.
Fonte: site da ABA – Associação Brasileira de Angus
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GOstaria de foto do gado ibage prefencialmente da cor vermelha,eos encontros e seminarios sobre esta raça,leiloes etc
fotos da raca ibage
Olá boa tarde , foi muito bom estudar um pouco sobre a raça , gostaria de investir na raça mas gostaria de mais informação para saber se terei sucesso em criar em lugar de clima tropical.