As fraquezas e os desafios da pecuária nacional
Reunidos em evento promovido pela Fazenda Paredão, em Oriente, interior de São Paulo, especialistas debatem questões que preocupam os pecuaristas brasileiros, apontando sugestões e caminhos que motivam o produtor a persistir no negócio.
Por Silvia Helena Silveira, enviada especial à Fazenda Paredão (*)
Vários especialistas reuniram-se no evento anual Workshop Pecuária Brasil, promovido e realizado pela Fazenda Paredão, em Oriente (SP), no dia 26 de abril, e todos com a mesma pauta – mostrar os desafios, vantagens e fraquezas da pecuária brasileira. A quantidade de itens contidos nas análises feitas pelos palestrantes podem parecer, à primeira vista, inatingíveis. No entanto, mostram como estão sendo vencidas as metas. Nenhum deles adota em seus artigos um tom mais grave, quando apontam os pontos fracos e fortes da pecuária. Ao contrário, os diagnósticos apontam caminhos para os desafios que os pecuaristas têm pela frente. Não basta mais produzir gado. O mercado agora quer carne. E cada vez torna-se mais exigente com o produto que consome. O produtor não irá sobreviver se ignorar este novo consumidor que está surgindo.
Onde começar a mudança?
O olhar analítico de Ian Hill, diretor-técnico das Fazendas Jacarezinho, empresa do Grupo Grendene, aponta para caminhos dentro e fora da porteira. Onde estão os pontos débeis da atividade? Para ele, “ficamos anos discutindo rastreabilidade. E só agora descobrimos que ela funcionará melhor se for feita por propriedade. Muitos acreditam que este novo modelo seja mais simples. No entanto, para ultrapassar as fraquezas sanitárias, nosso sistema de regulamentação, controle e fiscalização tem que funcionar, para conseguirmos reverter este quadro de baixa credibilidade que a carne brasileira enfrenta em mercados importantes”.
Ian Hill: “Cumprir as políticas de sanidade animal que chegam cada vez mais específicas não é fácil”.
Hill comenta que estão reunidas nesse “pacote negativo para o produto brasileiro” as normas sanitárias, as denúncias de violação das normas ambientais e as questões sociais no campo, como trabalho escravo – sem carteira assinada e jornadas de trabalho exaustivas. Infelizmente, denúncias sobre desmatamentos ainda enchem páginas dos jornais europeus e americanos. “Conhecer a realidade é o melhor caminho para tentar mudar. Só assim evitaremos que a imprensa brasileira não continue a ser nosso próprio algoz, denunciando o produtor brasileiro para a mídia internacional”, ressaltou.
Os caminhos
Para o diretor da Jacarezinho, “cumprir as políticas de sanidade animal que chegam cada vez mais específicas não é fácil, mas o criador precisa melhorar seus métodos de controle. Qualquer deslize nesse item pode comprometer — e já prejudicou — o trabalho de muitos anos realizado por milhares de pecuaristas, que cuidam da sanidade do seu rebanho”. Hill é enfático ao afirmar que “não basta apenas aplicar as vacinas obrigatórias, quando um rebanho necessita de controles de doenças sazonais”. Ele aponta, como um dos caminhos, pensar no rebanho como um investimento e trabalhar pela manutenção da sua atividade. Pensar também nos custos com sanidade, por serem altos, principalmente se o sistema de produção da propriedade ainda estiver focado na cria, recria e engorda. Nesse sistema, a propriedade está sobrecarregada, com custos desnecessários, perdendo dinheiro com a atividade, já que mantém o rebanho no pasto ou no cocho por um tempo além do necessário. Ian Hill ressalta que essa prática eleva os custos de produção e na hora da venda o produtor não apresenta o produto que o frigorífico quer pagar. Nem recebe o valor cotado da arroba. Um sistema coerente de gestão deve mostrar como ele pode mudar um quadro que persiste há vários anos.
“Reclamar não adianta”, ensina ele, lembrando a máxima mais antiga do comércio: o comprador sempre tem razão. “O desafio é vender o que o mercado quer e paga. Se um não consegue fazer, certamente outros conseguirão colocar o produto na prateleira. Muitos já estão conseguindo entregar o produto para esses mercados que pagam mais. E, além disso, ter uma atividade mais sustentável. Quando chega a essa conclusão, o pecuarista já avançou bastante. Os próximos passos ele tem que aprender”.
Outro desafio proposto durante o workshop da Paredão é a possibilidade do pecuarista tirar vantagens de cenários que muitos classificam como negativos.
Mudanças na gestão
Como realizar mudanças na gestão, na sanidade, nas questões ambientais para atender todas as novas regulamentações – enfim tudo o que este novo mercado quer? Para Hill, “sozinho, fica difícil”. Ele lembra que o caminho encontrado pela agricultura de unir, cooperar e trocar experiências ainda não chegou ao gado de corte, “mas deveria ser uma alternativa. Por meio do associativismo, as informações chegam mais rápido. Quem trabalha sozinho e isolado tem menor poder de persuasão e menores possibilidades de enxergar novas oportunidades”.
Ian Hill destaca ainda que as informações chegam mais rápido para os que vivem em grupos, que participam de eventos e que estejam, enfim, envolvidos naquilo que faz. Ninguém consegue criar um produto padronizado sem ter em mãos, com antecedência, a informação sobre o que o mercado quer comprar.
“Por não conhecer o mercado, o produtor entrega aos frigoríficos um produto com qualidade heterogênea e, conseqüentemente, não consegue vender para aqueles que dão remuneração extra pela tipificação de carcaças, animais mais precoces e lotes homogêneos, destaca Hill, acrescentando que “quando melhora a qualidade do rebanho, a rentabilidade do criador aumenta”. Na outra ponta, quanto mais heterogêneo for o lote, menor será o volume de dinheiro que o criador levará para casa, quando levar a sua boiada para vender. “A despadronização do rebanho é resultado de várias medidas que ainda não aconteceram dentro da propriedade”.
Saber tirar vantagens
Outro desafio proposto durante o workshop da Paredão é a possibilidade do pecuarista tirar vantagens de cenários que muitos classificam como negativos — CPIs, ONGs e MST — e transformá-los em motivações e pressões que chegam de fora para alavancar os negócios. Pressionado, o produtor identifica oportunidades de negócios, moderniza sua gestão – usa eficazmente a mão-de-obra e sua infra-estrutura. Quando a propriedade trabalha com metas de produção, planeja suas atividades, treina os funcionários e maneja de maneira adequada o seu rebanho só tem a ganhar com as exigências e com cenários de pressão. Afinal, ela tem para oferecer o produto que eles demandam, consegue melhor remuneração e robustece sua capacidade de negociação. Quando o pecuarista melhora e aprimora a infra-estrutura da propriedade, automaticamente ganha poder para negociar e obter vantagens com seu parceiro de negócios – já que consegue planejar sua produção e também sua produtividade na ponta do lápis.
A concorrência que o setor enfrenta com os grãos e o biocombustível se transforma também em estímulos. Não há nenhum problema aí, mas sim elementos que chegam para dar novo ânimo. A pressão contra o desmatamento na fronteira agrícola estimula a concorrência por terra cultivável, valorizando seu preço. Afinal, o criador vai poder planejar e estudar como aumentar sua produtividade, já que a relação preço da arroba/hectare foi alterada. Além disso, a presença de grãos vai gerar subprodutos, na forma de resíduos para alimentar o gado no inverno, quando o pasto seca. A oferta mais abundante de alimentos para o gado irá, automaticamente, impactar nos custos de alimentação e no rendimento do rebanho. “Ao reduzir custos, com a utilização de resíduos e outros alimentos, a conta em buscar fora da região outros alimentos, cai”, observa Hill.
Nesse cenário, o pecuarista pode aumentar o seu rebanho e intensificar o sistema de produção — colocando mais animais por hectare. Com oferta segura e abundante e com preço mais baixo, a rentabilidade sobe. Essas novas alternativas funcionam no sentido de amenizar o impacto que a alta dos insumos gera no resultado final do seu rebanho. No entanto, o produtor não deve esquecer a tendência histórica do preço dos insumos acompanharem a evolução do preço pago pela arroba, pois ela não será revogada. Ele, produtor, vai contar com mais fôlego para poder administrar melhor seus custos de produção. Nessa briga por baixar custos e conseguir vantagens, entra a capacidade do produtor buscar métodos alternativos de produção e meios para aumentar sua rentabilidade.
Para Hill, quando o pecuarista melhora e aprimora a infra-estrutura da propriedade, “automaticamente ganha poder para negociar e obter vantagens com seu parceiro de negócios “.
Melhorar a qualidade
“Qualidade sai de quantidade”. Essa frase de Luiz Alberto Fries, pesquisador de genética bovina – falecido recentemente, Hill toma como exemplo para “incentivar grandes produtores de gado a melhorarem a qualidade do rebanho. Nesse trabalho de aprimoramento genético, descartar animais que prejudicam a caracterização do rebanho tem sido mais fácil. Entretanto, a quantidade também é força na hora de negociar a venda de um grande número de animais. O cenário poderia ser melhor, caso o pecuarista seguisse o exemplo dos agricultores e formasse associações, parcerias e cooperativas. A pecuária nacional já conhece alguns exemplos de associações e parcerias que surgiram nos últimos três anos. A situação dos grandes frigoríficos é outra: há apenas meia dúzia de compradores, com várias plantas espalhadas em várias regiões. Mesmo assim, ainda sobra muito espaço para negociações, já que o Brasil conta com mais de 1.400 frigoríficos.
Para Ian Hill, mesmo o argumento de que os frigoríficos “agem como monopólios, pode funcionar a favor do pecuarista. Afinal, mesmo concentrados, os frigoríficos maiores mantêm diversas plantas e necessitam de matéria prima para cumprir seus contratos. O pecuarista precisa apenas oferecer a matéria prima que esses frigoríficos querem comprar, o preço e o sobrepreço que estão pagando pelo produto exigido. “Quando desconhece essas exigências, o pecuarista não consegue criar um produto padronizado”, afirma.
Hill lembra que, por não conhecer o mercado, o produtor entrega para os frigoríficos um produto com qualidade heterogênea e, conseqüentemente, não consegue vender para aqueles que oferecem remuneração extra pelo lote de animais com carcaças bem acabadas. Quando melhora a qualidade do rebanho, a rentabilidade do criador aumenta. E na outra ponta, quanto mais heterogênea for a boiada que o criador produzir, menos comprador ele terá. “A despadronização do rebanho é um problema”, destaca o executivo, esclarecendo, ainda, que essas novas exigências passam pela especialização da mão-de-obra, que deve estar em constante treinamento. “Se o pecuarista não fizer essa lição de casa, não terá como sair da porteira para fora”, afirma Hill, lembrando que os embargos e boicotes — sempre cobrando qualidade, rastreabilidade e certificação — vão se tornar cada vez mais fortes, vindos não mais só da União Européia, mas também de outros consumidores, que logo aprenderão a pedir um produto justo.
Com um rebanho de 180 milhões de cabeças, que produz apenas 9,47 milhões de toneladas de equivalente/carcaça, muitos desafios precisam ser vencidos. Conforme relata Ian Hill, “os americanos produzem, com quase a metade desse rebanho — cerca de 96 milhões —, 11 milhões de toneladas. O trabalho para chegar a essa produtividade não é fácil, mas também não é impossível. Basta dar uma olhada nas planilhas de abates dos frigoríficos exportadores, onde se verifica que a pecuária conta com centenas de criadores que já atingiram índices de produtividade iguais ou superiores aos melhores rebanhos do mundo”. Hill afirma ainda que “não há nenhum segredo: todos concordam que o mercado precisa de novos atores, não mais vendedores de boiada, mas produtores de carne. É preciso também que os produtores enxerguem oportunidades onde quase todos vêem empecilhos”.
Acordos e parceria – Independência
As mudanças no manejo do gado são bem-vindas no Frigorífico Independência. Presente no workshop da Fazenda Paredão, Eduardo Pedroso, gerente-comercial, foi saudado pelo pecuarista Nelson Pineda como um parceiro que está dialogando com o setor. Com essas credenciais, Pedroso afirma que novas práticas de comprar e vender chegaram aos frigoríficos. “Isso não aconteceu da noite para o dia, mas sim durante a revolução financeira ocorrida na última década. Os velhos conflitos não irão desaparecer. Ambas as partes precisam admitir que seus interesses não precisam ser conflitantes”, afirma.
Eduardo Pedroso: “Se os animais com as características necessárias para produzir bons cortes não chegavam às salas de abates, o único jeito é sair à procura deles”.
Essa capacidade maior de negociar parceria com os fornecedores no mercado, integrando a cadeia produtiva para otimizar a rentabilidade da produção, segundo Pedroso, chamou a atenção dos investidores para a atividade. Ele cita que, nos últimos anos, o setor frigorífico recebeu investimentos para construir novas plantas e para ampliar sua capacidade produtiva, com a aquisição de outros menores. Com capacidade produtiva ampliada, o Independência aumentou a sua demanda por animais. “O ideal seria receber ao menos 70% de animais bem acabados”, diz Pedroso. Mas a realidade é outra e, segundo ele, “apenas 30% das carcaças apresentam as especificações técnicas para o mercado externo e para o consumidor mais exigente”.
Com esses dados coletados em suas salas de abate, o Independência resolveu sair a campo. “Se os animais com as características necessárias para produzir bons cortes não chegavam às salas de abates, o único jeito é sair à procura deles. A empresa sabia que eles não chegavam por que simplesmente os pecuaristas não tinham esse boi no pasto”, acrescenta. “E não dava mais para esperar, e continuar trabalhando com 450 tipos de carcaças diferentes”, exagera Pedroso.
A alternativa encontrada pela empresa foi buscar criadores que estivessem interessados em fazer parceria, num acordo que inclui melhoramento genético do rebanho. O PQBI – Programa de Qualidade Bovina Independência viabiliza o acesso de todos os pecuaristas a uma genética de ponta, com o objetivo muito forte de “eliminar os touros cabeça de boiada”, afirma Pedroso. Com essa tecnologia, os pecuaristas podem selecionar melhor seus reprodutores, por meio de avaliação de progênie. O Independência fornece dados sobre a avaliação de carcaças dos animais feita na indústria, quase um raio-x do boi, para dar condições para o criador avaliar melhor o resultado de seu trabalho com as informações fornecidas pelos técnicos de seu SAP (Serviço de Atendimento ao Pecuarista).
Essa preocupação com a transparência nas relações com seus parceiros levou o Grupo a colocar os dados do romaneio do abate na internet. Acessando o site da empresa (http://www.independencia.com.br), na Sala do Pecuarista, está o resumo de todas as características que foram anotadas pelos técnicos na sala de abate. Munidos dessas informações, o pecuarista terá condições técnicas para cumprir todas as acordadas. Para cada meta que o produto atingir, o Independência dá uma bonificação, até atingir 7% de sobrepreço sobre a arroba cotada regionalmente. “Nada disso é feito ao acaso, pois os preços da arroba são monitorados pelo Cepea-USP”, esclarece Pedroso.
Nelson Pinedo, organizador do encontro: “O Independência abriu as portas para conversarmos”.
Os contratos dentro do Grupo têm grande importância. Pedroso aposta neles e nos programas firmados com os produtores para mudar a cara da pecuária brasileira. Ou de, pelo menos, daqueles que pretendem continuar na parceria. Para Pedroso, a figura de “cliente” faz parte do passado, “da época das relações paternalistas”. Esse novo jeito de fazer negócios está abrindo portas para a empresa dialogar com os criadores. Segundo Nelson Pineda, da Fazenda Paredão, o primeiro passo foi dado pelo Grupo. “O Independência abriu as portas para conversarmos”, elogia. “O pecuarista agora já sabe o que o Independência quer e quanto ele pagará. Como no contrato existe duas partes, o frigorífico colocou suas cláusulas. Infelizmente a meta de bonificar todas as carcaças ainda não aconteceu”.
Ambiente do Workshop, antes do leilão.
Abrir espaço para os estrangeiros
Para o pesquisador Marcos Fava Neves, professor da FEA-USP, de Ribeirão Preto, os recentes alarmes sobre preços dos alimentos e a possível escassez de grãos no mundo “estão na pauta diária da mídia mundial. A elevação nos preços dos grãos procura culpados, com os Estados Unidos desviando parte da produção de milho para os biocombustiveis e com as áreas brasileiras de cana de açúcar tirando o espaço antes ocupado pelos grãos. Mas para Marcos Fava, a lista dos culpados não pára por aí. “De repente, o mundo descobriu o valor da comida. E a mídia passou a olhar os produtores de commodities agrícolas com outro enfoque. Mas todo esse alarme, esquentado com várias declarações do presidente do Banco Mundial, agrava o quadro e responsabiliza a falta de comida por revoltas, golpes de Estado e instabilidade mundial”, diz o pesquisador.
Marcos Fava: “Uma pecuária mais intensiva poderia ser a solução para melhorar a rentabilidade do pecuarista e liberaria mais terras para o cultivo de grãos”.
As perspectivas para o futuro não são otimistas, segundo Fava. “Os países antes classificados como de Terceiro Mundo — entre eles China, Índia, Brasil e Rússia — ganham renda e perdem população no campo. Anualmente, mais de 200 milhões de habitantes daqueles países engrossam o número de habitantes que passam de produtores de comida a consumidores. A renda sobe e o consumo de alimentos também tem incremento. Os consumidores com mais dinheiro no bolso demandam mais proteína animal”, afirma Marcos Fava Neves. Ele não acredita em nenhuma mágica, considerando que “a melhor perspectiva para o crescimento do agronegócio brasileiro está na substituição de pastagens pela lavoura. A área ocupada por pastagens é três vezes maior do que a utilizada pela agricultura. Uma pecuária mais intensiva poderia ser a solução para melhorar a rentabilidade do pecuarista e liberaria mais terras para o cultivo de grãos”. Essa, segundo Fava Neves, é a aposta que o produtor precisa fazer em sua propriedade, implantando um campo de inovações — na genética, nas rações e na gestão —, reduzindo custos e levando para o mercado o produto que ele deseja. “Se olhar os ganhos da coordenação em cadeia sempre sozinho, o produtor não chegará a nenhum lugar”, sentencia.
Obstáculos não atrapalham
Para conseguir alcançar esse cenário positivo, no entanto, é preciso que o País supere uma série de barreiras. “É preciso romper as travas administrativas e ideológicas do governo para que o dinheiro de fora entre logo aqui, para resolver nossos problemas de logística e infra-estrutura”, diz Fava Neves. Outro problema citado por ele refere-se ao “péssimo estado em que se encontram portos e estradas. Essa degradação causa a perda de uma fração considerável da produção ao longo do caminho até os consumidores, sejam do Brasil ou do exterior. Os altos preços dos insumos agrícolas também freiam a expansão da produção. O Brasil ainda importa cerca de 80% dos fertilizantes que usa e os preços vêm batendo recordes mês após mês. Mesmo assim, as perspectivas da agricultura são de um forte incremento da produção. O País tem cerca de 400 milhões de hectares de terras aráveis e apenas 60 milhões são hoje ocupados pela agricultura. Pode crescer tanto por incorporação dessas áreas, onde o país tem vantagem, como por aumento de produtividade”. Para o professor da FEA-USP, “o potencial de crescimento da agricultura brasileira é amplo”.
“Temos 120 milhões de hectares que podem ser incorporados à produção agrícola sem qualquer dano ambiental. Temos também um clima muito favorável para a agricultura e água abundante — um recurso cada vez mais escasso no mundo hoje”, lista Fava Neves. Esses fatores atraem o interesse dos investidores externos pelo Brasil, onde cerca de 4 milhões de hectares de campos já estão nas mãos de grupos estrangeiros. “Somos hoje o mercado para o qual os investidores mais olham. Temos uma quantidade enorme de investidores que querem colocar dinheiro na nossa agricultura” diz Fava Neves.
(*) Silvia Helena Silveira é jornalista especializada em agronegócio e viajou para a Fazenda Paredão, Oriente (SP), a convite da Matsuda Sementes e Nutrição Animal, patrocinadora do evento.
Fotos de Silvia Helena Silveira e de divulgação, fornecidas pela Texto Assessoria.
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