Soluções Integradas para a Cadeia Produtiva do Leite e da Carne

PIB: Agroindústria não acompanha segmento primário

Agronegócio cresce muito, mas com menor valor agregado

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro estimado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea), da Esalq/USP, com o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) cresceu 0,99% em março de 2008. Com isso, o setor acumulou expansão de 2,81% no ano. (Ver figuras 1 e 2 e tabela 4). O ritmo deste ano está mais acelerado que o do passado. Em março de 2007, o crescimento foi de 0,45% e o acumulado era de 0,74%. Como ocorrido em fevereiro, os segmentos de Insumos e Básico foram os principais resposáveis pelo desempenho do agronegócio em março, acumulando no ano crescimento de 5,65% e de 4,35%, respectivamente. Já a agroindústria processadora ficou com 1,38%. Ou seja, enquanto o segmento primário (produtor rural) – em média – acompanha a alta dos insumos, a agroindústria não consegue repassar as altas das matérias-primas.


Desagregando a agropecuária, observa-se que o agronegócio da agricultura cresceu 1,08% neste mês, acumulando 2,82%. Por sua vez, o PIB do agronegócio da pecuária cresceu 0,77%, pouco menos que os 0,88% de fevereiro. Apesar dessa taxa, o setor acumulou crescimento de 2,80%, número praticamente igual ao observado na agricultura.


Figura 1. Taxas de crescimento no mês de março de 2008 (%)
Fonte: Cepea-USP/CNA

Figura 2. Taxas de crescimento acumuladas de janeiro a março (%)
Fonte: Cepea-USP/CNA

Dentro da porteira: Preços em alta e volumes em expansão

Dentro da porteira, a agropecuária cresceu 1,65% em março, bem mais que o 0,99% observado no mesmo mês de 2007 (Ver Figura 1 e Tabela 4), acumulando crescimento de 4,35% no ano (Figura 2 e Tabela 4).

Separadamente, o segmento primário da agricultura cresceu 2,20% no mês corrente, contra o 0,95% observado em março de 2007. Desta forma, acumulou no ano um crescimento de 5,34% (Tabela 4). Tal fato deve-se, em especial, ao acelerado ritmo dos preços agrícolas, que apresentaram um crescimento médio de 15,74% ao ano (tabela 1).  Por sua vez, o segmento primário da pecuária cresceu 0,93% em março, montante praticamente igual ao observado em fevereiro e ligeiramente inferior ao 1,05% observado em março de 2007. No ano, esse segmento da pecuária acumula crescimento de 3,06% (Ver Figura 1 e 2). Observa-se, portanto, que o segmento primário agrícola apresentou melhor performance quando comparado ao da pecuária, seja em relação aos números mensais ou no acumulado no ano.

Em relação às lavouras, os destaques de março foram o amendoim, o café e a mamona com volume e preços em expansão. A batata, a cebola, o feijão, o milho e a soja mantiveram ritmo acelerado em seus preços, e o trigo também se destacou pela expressiva expansão quantitativa. Algodão, arroz, fumo, laranja e mandioca estiveram em situação preocupante face à evolução de seus preços comparada à dos insumos. A cana-de-açúcar, no entanto, está num quadro bem mais complicado. Ver na tabela 1.

Do lado da pecuária (dentro da porteira), o segmento primário manteve em março ritmo praticamente estável (0,93%) ao observado em fevereiro (0,92%), acumulando no ano crescimento de 3,06%. A expansão produtiva de frangos, paralelamente à queda em seus preços, resultou em taxa negativa desse ramo (ver tabela 2). Preocupa a evolução de seu preço vis a vis o do milho. Novamente a carne bovina e o leite configuraram-se como destaques deste segmento em 2008 (mantendo ritmo expansivo de preços). Carne suína e ovos também seguiram com preços firmes; observando-se, aqui também, a defasagem em relação ao milho.

Tabela 2. Crescimento do volume e Preços da Pecuária (%aa) – 2008/07

Modestos crescimentos marcam a agroindústria

A agroindústria da agropecuária cresceu 0,42% em março, ritmo ligeiramente desacelerado frente ao 0,54% em fevereiro (Ver Figura 1 e Tabela 4). Apesar deste desempenho relativamente modesto, a agroindústria mantém ritmo satisfatório se comparada ao mesmo período de 2007, quando a taxa foi de apenas 0,04%. No acumulado do ano, o segmento expandiu-se 1,38% (Ver Tabela 4). Contribuiu para esse cenário o fraco desempenho da indústria do açúcar, que segue com forte queda de preços (-33,22%). Por outro lado, a indústria de etanol (expansão em volume), óleos vegetais (expansão em preços) e outros produtos alimentares (expansão em volume e preços) seguem em firme expansão. (Ver tabela 3). Para as demais indústrias, tem-se, de uma forma geral, crescimento médio baixo, chegando algumas a apresentar taxas negativas.

Tabela 3. Crescimento do Volume e Preços da Agroindústria (%aa) – 2008/07

O segmento de insumos agropecuários teve um crescimento de 1,95% no mês e de 5,65% no ano. Destaca-se o desempenho do segmento de insumos para agricultura, que apresentou taxa de 2,36% no mês e de 6,48% no acumulado do ano (tabela 4). Tal fato deve-se ao ritmo acelerado dos preços. No caso dos fertilizantes, enquanto seu volume expadiu 3,37% no mês, quando comparados a março de 2007, os preços aumentaram mais de 50%. Embora em nível inferior, o mesmo ocorreu no segmento de insumos pecuários. Nesse segmento, o crescimento em março foi de 1,30% e de 4,34% no ano (tabela 4). No caso dos alimentos para animais, enquanto o volume expandiu 8,40%, os preços cresceram 18,4%.

Conclusões: Agroindústria não acompanha o segmento primário

Fenômeno de natureza mundial, a alta de preços de commodities se espalha na economia agrícola brasileira. Em média, as altas de custos (preços dos insumos) e receitas (preços dos produtos) se equilibram no segmento primário. Entretanto algumas atividades estão em situação mais preocupante, aí incluindo algodão, laranja e mandioca, de um lado e frangos e suínos de outro.

Boas estimativas para a produção de grãos brasileira – segundo o IBGE, o País deve registrar em 2008 um crescimento de 3,2% na área plantada – indicam boas perspectivas para essa atividade, mormente porque até agora as altas de preços se comparam às dos custos.

A cana-de-açúcar vem chamando atenção. A safra recorde esperada e o movimento de baixa dos preços – tanto da matéria-prima como do açúcar e do álcool, têm preocupado os produtores do setor. Ao mesmo tempo, as boas perspectivas de exportação de álcool e a recuperação do mercado de açúcar configuram-se em fontes para a melhora do segmento.

Quanto à pecuária, leite e carne bovinos vêm tendo preços em alta mais significativa, enquanto suínos e frangos ficam espremidos pela alta da ração sem correspondente ajuste no preço do produto final.
No panorama internacional, as perspectivas para o agronegócio seguem – em média – muito boas, devido à forte demanda. O segmento da agroindústria é o que caminha com maior dificuldade, excetuando-se o processamento de grãos. Fica também a possibilidade de que altas dos produtos finais comecem a aparecer mais adiante, quando, então, os consumidores terão uma apreciação mais completa dos choques pelos quais passa a economia.

Tabela 4. Taxas de Crescimento Mensais e no Ano (%)-Segmentos do Agronegócio – 2008

Tabela 5. Taxas de Crescimento Mensais e no Ano (%)–Segmentos da Agroindústria–2008

Fonte: Comunicação CEPEA

Tabela 5. Taxas de Crescimento Mensais e no Ano (%)–Segmentos da Agroindústria–2008

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