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Suplementação no período da seca

“O gado de corte, na sua maioria é criado em regime de pastagens com manejo extensivo durante todo ano. Nesse cenário, os animais estão sujeitos às mudanças nos valores nutricionais das pastagens de acordo com a época do ano”. O alerta é do médico veterinário Diego Magri Bernardes, do Departamento Técnico da Matsuda Minas, explicando que, “para as plantas forrageiras, as condições climáticas, nutrientes do solo disponíveis e o manejo adotado influenciam diretamente em sua característica nutricional”.

Para o técnico da Matsuda, as variações nas condições ambientais como temperatura, luminosidade e chuvas, são responsáveis pelas alterações nas estruturas da planta, modificando seu valor nutricional. Ele ressalta que, “quando esses fatores tornam-se limitantes, a planta forrageira inicia a maturação — crescimento de haste, aumento de frações fibrosas de menor degradabilidade — e o florescimento — semeadura, migração de nutrientes para a formação da semente —, diminuindo assim sua digestibilidade e teor de nutrientes, principalmente de proteína”.

As variações nas condições ambientais como temperatura, luminosidade e chuvas, são responsáveis pelas alterações nas estruturas da planta, modificando seu valor nutricional.

Esse processo acontece no final da estação chuvosa — início da transição e seca —, estendendo-se até o início da próxima estação chuvosa. Nesse período, os nutrientes oferecidos pela pastagem não são suficientes para o correto funcionamento do sistema digestivo do animal (ruminação), pois a falta de proteína no capim diminui o crescimento dos microorganismos do rumem e conseqüentemente a digestão da forragem, já que diminui o consumo. Com menor consumo, há menor ingestão de nutrientes e conseqüentemente menor ganho de peso.

Diego Bernardes explica que, “quando os nutrientes consumidos pelo animal não suprem a mantença, que é a exigência mínima para manter o peso — respirando, caminhando, funções vitais, etc. —, há perda de peso. Isso acontece na seca, pois os níveis de proteína do pasto não suprem o mínimo necessário, que é de 7% de Proteína Bruta, para o rúmen funcionar corretamente”.

“Quando os nutrientes consumidos pelo animal não suprem a mantença, que é a exigência mínima para manter o peso — respirando, caminhando, funções vitais, etc. —, há perda de peso”.

Para o médico veterinário, é fundamental que haja volumoso (facho, bucha, macega, etc.), “pois o proteinado age indiretamente na nutrição do animal e diretamente na nutrição da microbiota ruminal, aumentando assim a sua população e melhorando a digestão da ingesta (pasto seco), assim com o material sendo digerido mais rapidamente o rúmen se esvazia — aumenta taxa de passagem — e há novo estímulo para ingestão. Com maior ingestão de volumoso, mesmo de baixa qualidade, há maior aporte de nutrientes”.

Mesmo antes do capim ‘’secar’’ completamente, seus níveis de nutrientes já vem se reduzindo.

Essa é a razão apontada por Diego Bernardes para justificar a necessidade de se utilizar suplementos contendo fontes de proteína (ou NNP – uréia) para corrigir a deficiência da pastagem, “não se esquecendo dos minerais adequados para esses animais e suas particularidades dentro do desenvolvimento e produção, como cria, recria e engorda”.

De acordo com o intuito do rebanho ou fase, poderá haver necessidade de manter o peso, ganhos baixos, médios e altos. Bernardes destaca como fundamental “a presença de volumoso, mesmo seco, pois será utilizado na fermentação ruminal e fornecimento de nutrientes”.

A presença de maior ou menor quantidade de farelos, que são fontes de energia, resultará em maior ou menor consumo devido à palatabilidade e, conseqüentemente, maior ou menor ganho, sempre dependendo da oferta de volumoso.

O gráfico ilustra o desempenho em ganho de peso de animais consumindo diferentes tipos de produtos. Mostrando que quanto maior o consumo (devido ao teor de farelos) maior a possibilidade de ganho de peso.

Diego Bernardes orienta ainda sobre a diversidade de produtos para suplementação e a destinação de cada um deles. Ele explica que a “linha branca” consiste apenas numa mistura mineral sem presença de farelos ou uréia. Já os “ureados” são misturas minerais com presença de uréia, porém sem ou muito pouco farelo, visando manutenção de peso, com baixo consumo (< 120g/dia). Por seu lado, o “proteinado de baixo consumo” é uma mistura mineral com uréia e farelos visando ganhos de peso baixos ou manutenção de animais mais exigentes, com baixo a médio consumo (100 a 200/dia ou 30 – 50g /100 kg de PV).

O “proteinado de médio consumo”, conforme cita Bernardes, é uma mistura mineral com uréia e mais farelos visando ganhos de peso baixos a médio, com médio consumo (100g /100 kg de PV), havendo necessidade do consumo correto, pois os minerais são diluídos de acordo com o consumo previsto. O “proteinado de alto consumo”, por sua vez, consiste numa mistura mineral com ou sem uréia e bastante farelo, visando ganhos de peso elevados, porém variando muito com a qualidade da pastagem, com alto consumo e normalmente consumo controlado. O proprietário fornece diariamente a quantidade pelo número e peso dos animais (250g /100 kg de PV ou maior quantidade se for necessário).

Devido à presença de uréia nos proteinados, mesmo em baixas quantidades em alguns, há necessidade de se fazer adaptação ao consumo da uréia para evitar os riscos de intoxicação, conforme orienta o veterinário da Matsuda, que consiste na diluição do proteinado em um mineral sem uréia e o fornecimento de 10 a 15 dias na proporção 1:1 e depois fornecer sem interrupção o proteinado. Caso ficar mais de 3 dias sem o produto, readaptar.

Bernardes ressalta ainda que os cochos “devem ser cobertos e obrigatoriamente furados para evitar acúmulo de água, pois proteinado com uréia intoxica se o animal ingerir a uréia concentrada na água empoçada do cocho”.
Devido ao consumo diferenciado de cada tipo, o produto para suplementação deve ser oferecido em tamanho de cocho específico, quanto maior o consumo do produto maior deve ser a disponibilidade linear por cabeça. Caso não haja disponibilidade de volumoso, usar produtos da linha branca (sem uréia) específico por categoria.

Especificação das categorias

1. Cria – novilhas, primíparas e vacas magras e/ou lactentes (bezerro ao pé)

Novilhas e primíparas: Na fase de recria das novilhas para reposição e primíparas (primeira cria), é necessário que haja adequado e constante ganho de peso independente da época do ano (água ou seca), junto com minerais adequados, pois nessa fase a fêmea se prepara para produção e reprodução.

Baixa condição corporal: A vaca magra (baixo escore corporal) necessita recuperar peso para a próxima parição e reprodução, pois necessita peso adequado para apresentar cio corretamente.

Lactente: A vaca lactente (bezerro ao pé) tem uma exigência aumentada, pois está produzindo leite e gestando outro bezerro, se não ingerir nutrientes e energia suficiente perderá peso.

Deve-se fornecer produtos específicos para cada época de acordo com a qualidade do capim.

2. Vacas com bom estado corporal:

Nesta fase a vaca deve manter seu estado corporal, já desmamada, com a necessidade de mantença mais baixa. Não há necessidade de ganho de peso, pois o intuito dessa categoria é reproduzir. Porém se perder muito peso na seca poderá entrar em anestro nutricional (atrasar o cio).

3. Bezerros:

É fundamental mineralizar os animais desde o inicio da vida, pois de acordo com o desenvolvimento e consumos de outros alimentos não sendo o leite (forrageiras) já haverá desbalanço mineral na dieta. Deve-se fornecer um produto especifico para bezerros. O uso de creep feeding é recomendado para bezerros com bom potencial para ganho de peso. Pelo fato do bezerro complementar sua dieta no creep, ele dependerá menos de sua mãe, melhorando os índices das matrizes do rebanho.

4. Recria e engorda

Para animais nessa fase, o intuito principal é o desenvolvimento e ganho de peso. Animais bem suplementados na recria encurtam todo o ciclo de produção. Antecipando a saída dos bois para o abate ou antecipando o inicio do período de reprodução das novilhas, melhorando todos os índices zootécnicos.

Fonte: Diego Magri Bernardes – Depto. Técnico Matsuda Minas
Contato: 0800 35 78 20 / deptotecinco@matsudaminas.com.br

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2 Comentários

  1. Boa tarde colegas

    Este site é completo e excelente, assim como os informes e as matérias postadas e específicas da cadeia produtiva são de alto nível técnico.

  2. Boa tarde.
    Sou cliente Matsuda, e trabalhava somente com gado para abate, mas comecei a trabalhar com cria e estou com um lote de primíparas para começar a estação de monta e estou preocupado com o indice de prenhez. Baseado nisto, pergunto:
    Qual o sal adequado para a estação de monta ou seria melhor um proteinada? Estamos iniciando o periodo de chuvas a minha propriedade é em novo progresso-pa. aguardo resposta

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