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A erosão destrói o solo e prejudica a produção

Calcula-se que 50% das pastagens cultivadas no Brasil estejam degradadas. O perigo se torna claro quando relacionamos a degradação com um processo ainda mais destrutivo: a erosão. Existem vários fatores que provocam este problema. Entre os mais importantes para as condições climáticas nacionais estão a ação dos ventos sobre o solo (eólica) e a erosão causada pela chuva (pluvial), considerada a mais danosa. Tanto a erosão eólica quanto a pluvial estão ligadas à falta de cobertura vegetal do terreno. Logo, pastagens degradadas são o primeiro passo para que o produtor perca a maior de suas riquezas, a fertilidade do solo.

Alguns solos brasileiros têm fertilidade limitada a apenas alguns centímetros abaixo da superfície. A vegetação age recompondo esta fertilidade na medida em que deposita material orgânico na terra (folhas, sementes e raízes mortas, por exemplo). Outra função das plantas é impedir que a camada fértil seja “lavada” pela ação dos ventos e da água. Pastagens degradadas favorecem o aparecimento de plantas invasoras, diminui a produção do capim e aumenta a área descoberta pela vegetação, tornando o solo mais exposto. Isto provoca um ciclo vicioso, quanto mais as pastagens se degradam, mais frágil fica o solo e maior será o potencial de degradação. O fim deste ciclo é o aparecimento das voçorocas, implicando num alto grau de erosão.

Margarida Carvalho, pesquisadora do CNPq e colaboradora da Embrapa, diz que há como impedir este ciclo, tornando a produção de leite sustentável. Basta que o produtor associe o manejo correto das pastagens, evitando o superpastejo, com uma consciência ecológica. “Deve-se ter em mente que o solo é um bem durável e precisa ser aproveitado pelas futuras gerações”. Por consciência ecológica, a pesquisadora diz que o ambiente tem que ser visto como um todo. “Além do solo, é importante a conservação dos rios, preservando as matas ciliares e impedindo a erosão nas nascentes”.

O problema é maior nos morros

As regiões de relevo acidentado estão mais sujeitas à degradação das pastagens e à erosão. Em boa parte dos estados do Sudeste, por exemplo, predominam as áreas de morros. “O desmatamento da vegetação original em parte considerável desta região deu lugar a pastagens naturalizadas de capim-gordura”, explica Margarida. Embora esta gramínea apresente baixa capacidade de suporte(um animal adulto para cada dois hectares), ela contribui para a preservação do solo. A pesquisadora conta que, por não alcançar altas produções de forragem, o capim-gordura foi sendo substituído por outras forrageiras, adotando-se procedimentos incorretos de preparo do solo e manejo das pastagens.

As regiões de relevo acidentado estão mais sujeitas à degradação das pastagens e à erosão.

Para as áreas montanhosas, a formação de pastagens deve se orientar por práticas agronômicas rigorosas como a adubação e a utilização de sementes de qualidade. A finalidade disto é garantir uma rápida cobertura vegetal do terreno, fazendo com que ele fique sob a ação do tempo por um menor período. “Além de garantir a preservação, adotando estas práticas, o produtor ganha com a rápida utilização da pastagem”, diz Margarida.

Outro cuidado importante está na preparação da área para a formação da pastagem. Deve-se sempre deixar um pouco da vegetação natural, ou mesmo de capim-gordura, intactas. Nas áreas onde a declividade permite a mecanização, é bastante comum o produtor realizar a aração morro a baixo com o trator. “Nestas condições, é muito provável que a chuva promova a erosão do terreno”, alerta Margarida. Caso a pastagem não tenha se formado, a água levará, além da camada fértil do solo, o adubo e as sementes usadas no plantio.

O preparo das áreas de morro deve ser feito em faixas orientadas segundo curvas de nível, intercaladas por faixas não cultivadas, mantendo um pouco da vegetação original. A pesquisadora alerta para um outro fato: “Nos locais onde o trator não pode chegar, a terra deve ser arada por tração animal”. Alguns produtores rejeitam esta idéia por acha-la mais rudimentar e demorada, mas Margarida afirma que, em muitos locais, o animal não deve ser substituído pela máquina.

Árvores nas pastagens ajudam a evitar a erosão

As árvores mantidas ou introduzidas nas pastagens colaboram para a conservação do solo, pois agem como uma proteção física, reduzindo a velocidade do vento e o impacto da chuva na superfície. Margarida é uma defensora dos sistemas silvipastoris: “Além de colaborar para combater e evitar a degradação, as árvores diminuem a temperatura do ambiente no pasto, oferecem sombra para o gado e reduzem o estresse térmico dos animais”.

As árvores mantidas ou introduzidas nas pastagens colaboram para a conservação do solo.

Estudos realizados na Embrapa Gado de Leite provaram que, entre outros fatores, os sistemas silvipastoris aumentam a fertilidade, os teores de proteína bruta nas forragens sombreadas e a disponibilidade de forragens em certas épocas do ano. Além disto, as árvores protegem os mananciais de água e conservam a biodiversidade da região. Árvores que possuem o sistema radicular mais profundo aproveitam melhor os nutrientes do solo, tornando-os disponíveis para as gramíneas (que têm raízes menores). O solo também é enriquecido pela incorporação da biomassa (folhas e galhos). “Este efeito é maior no caso de leguminosas arbóreas que têm a capacidade de fixar nitrogênio do ar atmosférico”, diz Margarida.

A pesquisadora afirma, no entanto, que para se obter os benefícios decorrentes dos sistemas silvipastoris é necessário que o sombreamento seja moderado (as árvores devem permitir pelo menos 50% da transmissão da luz). Deve-se também utilizar forrageiras tolerantes ao sombreamento. Algumas espécies de árvores e arbustos são também forrageiras e podem contribuir para enriquecer a dieta animal, principalmente na seca. Ao formar as pastagens, não se deve eliminar totalmente as árvores nativas e é importante preservar as que nascem espontaneamente. Para arborizar uma área, o plantio de mudas de crescimento rápido é mais eficiente.

10 passos para se evitar a erosão

• Proteja a mata ciliar e as nascentes dos rios.

• Na formação da pastagem não elimine totalmente da área o capim-gordura e a vegetação natural.

• Não faça a aração “morro a baixo” com o trator.

• Utilize tração animal para arar locais onde a máquina não pode operar adequadamente.

• Prepare as áreas de morro em curvas de nível, intercalando as faixas de pastagem cultivadas com faixas de vegetação natural.

• De acordo com a análise do solo, utilize os fertilizantes necessários.

• Forme a pastagem com sementes de qualidade para uma rápida cobertura do terreno.

• Adote sistemas silvipastoris (pastagens + árvores).

• Utilize mudas de árvores de crescimento rápido que se adaptem à gramínea cultivada e à região.

• Maneje bem a pasto, evitando o super pastejo e a degradação.

Fonte: Embrapa Gado de Leite

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3 Comentários

  1. Como zootecnista e pecuarista vim pesquisar tudo a respeito de uma pecuária de tecnologia de ponta como, pastagens, reprodução e outras para minha propiedade, que q fica na regiao do maranhao .e vim a qjuda … obrigado

  2. Gostei dessa matéria, pois, nós produtores precisamos realmente de conhecer a importancia da presevação, através, do sistema silvipastoril. Aqui no Pará, na região de Eldorado do Carajás, alguns produtores do Programa Mais Leite já estão adotando essa prática.

  3. Prezados Colaboradores, gostaria da informação sobre como recuperar uma área em erosão com nascente e um corrego assoriado, numa região de altitude superior a 1100 metros em São Luiz do Purunã-Balsa Nova Paraná.
    Aguardo e antecipadamente agradeço.
    Att
    Andréa

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