Soluções Integradas para a Cadeia Produtiva do Leite e da Carne

Tristeza Parasitária Bovina

Méd. Vet. Gustavo Máximo Martins


As enfermidades parasitárias são importantes causas de perdas econômicas. O complexo Tristeza Parasitária Bovina (TPB) ou Piroplasmose acarreta grandes prejuízos à pecuária nacional. Os principais agentes etiológicos são os protozoários Babesia bigemina, B. bovis e a rickettsia Anaplasma marginale, sendo o carrapato Boophilus microplus o principal vetor.


Considerando a mortalidade e as perdas indiretas, como queda na produção de leite, diminuição no ganho do peso e custos do controle e profilaxia foi estimado que o impacto econômico da TPB no Brasil poderia ultrapassar US$ 500 milhões anuais. Estas doenças, além de representarem sério entrave à introdução de animais de áreas livres com o propósito de melhorar a qualidade genética dos rebanhos nacionais, são ainda importantes causas de morbidade e mortalidade, especialmente de animais de raças européias.

Os carrapatos causam danos aos seus hospedeiros tanto pela ação espoliadora e ingestão de sangue, lesões provocadas na pele, condicionando ao aparecimento de infecções secundárias e desvalorização do couro, quanto pela transmissão de agentes patogênicos, sendo também responsáveis por elevados gastos com produtos carrapaticidas, mão-de-obra e equipamentos para o controle. No Brasil, o carrapato Boophilus microplus é o mais importante transmissor da Babesiose e é também apontado como um dos vetores biológicos potenciais de Anaplasma marginale, que parasitam eritrócitos de ruminantes, além também de moscas hematófagas (vetores mecânicos), agulhas hipodérmicas, transfusões de sangue, e transplantes de embriões.


Carrapato Boophilus microplus o principal vetor da Tristeza Bovina.


A babesiose e a anaplasmose podem ocorrer de forma isolada ou concomitante, constituindo o complexo Tristeza Parasitária Bovina (TPB). Na fase aguda, os possíveis sintomas são apatia, febre, anorexia, fraqueza, anemia e perda de peso, além de também relatados taquicardia, taquipnéia e atonia ruminal. Nos casos de babesiose por B. bovis os sinais clínicos são principalmente neurológicos e estão relacionados à locomoção, como andar cambaleante ou incoordenação principalmente dos membros pélvicos, tremores musculares, agressividade e quedas com movimentos de pedalagem. Os sinais e sintomas clínicos podem ser varáveis segundo a idade, resistência imunológica, estado nutricional e raça. Em estágios mais avançados podem ocorrer icterícia, geralmente associada a anaplasmose, e hemoglobinúria, na infecção por B. bigemina.

O diagnostico laboratorial é indispensável para confirmar o diagnóstico clínico e identificar o agente responsável. O método mais prático e mais usado é o esfregaço sangüíneo, onde o sangue deve ser colhido na orelha ou na extremidade da cauda do animal (aconselha-se fazer no mínimo três laminas por animal). Dentre os testes sorológicos pode-se optar pela imunofluorescência direta (IFI) e o teste de conglutinação rápida (TCR).

Devido ao caráter agressivo da tristeza parasitária, muitas vezes não é possível aguardar o resultado laboratorial para iniciar o tratamento. Na realidade, o sucesso da terapia contra a piroplasmose depende do diagnóstico precoce e do pronto tratamento do animal afetado. O prognóstico dos quadros de tristeza parasitária está diretamente associado à fase de desenvolvimento da doença em que é realizado o tratamento.

Geralmente, no tratamento convencional da Anaplasmose, os princípios ativos utilizados são as tetraciclinas, na dosagem de 8 a 11 mg/Kg de peso vivo, durante três dias.

Em relação à Babesia, normalmente utiliza-se para o tratamento produtos à base de diaminazine aceturato na dosagem de 3 a 8 mg/kg de peso vivo, via intramuscular, em dose única.


Gustavo Máximo Martins é médico veterinário, do Departamento Técnico da Vetecia Matsuda.

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5 Comentários

  1. Gostria de parabenizar o contéudo das informações, pois quando mais entendimento e informações forem compartilhadas serão bem vindas.

    Desde já,

    Júnior

  2. As informações contidas aqui foram muito úteis para a minha pesquisa……..
    valeu………

  3. Na minha região, os casos de triteza bovia e preocupante, pela difilculdade de combate e vacinaçâo. Fazemos o tratamento a base ganaseg, ferrodex, purgante salino, quando privado, e ainda administramo ,o potenay injetavel, levando-se em consideraâo os dois tipos babasia e a anaplasma, temos obetido bons resultados quando diagnosticado precimente. Quero opiniao a respeito.

  4. como fazer a transfusão sanguinea em bovino com TPB.Na minha região estar tendo muita perda de animais com TPB.

  5. Olá, na minha região tem muita incidencia TPB, temos usado Vivatet, vem surtindo bons resultados.

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