Altos índices reprodutivos dependem de nutrição adequada
A boa nutrição das vacas deve começar no pasto, com o manejo adequado, e terminar no cocho, com a oferta dos suplementos necessários
Alimentar adequadamente as vacas é a garantia de boas condições corporais e, por conseqüência, altas taxas de reprodução. E numa alimentação adequada não podem faltar minerais como o fósforo, o zinco, o cobre e o selênio, fundamentais para a função reprodutiva. Nem as proteínas devem ficar fora do cocho. “A deficiência mineral pode prejudicar o sistema imunológico, permitindo assim que o animal fique doente com mais facilidade. Aliado então à falta de proteínas, o resultado é a má condição corporal e problemas reprodutivos na certa”, explica o agrônomo Sergio Raposo de Medeiros, mestre em nutrição animal e pesquisador da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande. MS.
Segundo Medeiros, a regra básica para a boa nutrição começa no pasto, com o manejo adequado, e termina no cocho, com a oferta dos suplementos necessários. “Com isso as fêmeas que estarão na estação de monta entre novembro e janeiro terão forragem com valores nutricionais mais elevados e as chances de deficiência protéica serão bem menores”, diz. Essa falta de proteínas, como ele explica, traz prejuízos diretos. Afinal, suplementar com concentrado lotes de matrizes mais magras devido a erros anteriores de manejo não sai barato.
Se o manejo de pastagem e for adequado, a boa condição corporal das vacas necessitará apenas de sal com ureia durante o período seco
As fêmeas criadas a pasto exigem certos cuidados para o bom estado corporal. O primeiro deles, conforme o agrônomo, é o acerto da carga animal à pastagem para que haja boa disponibilidade de pasto. “Vacas com boa composição corporal, submetidas a um bom manejo de reprodução têm altas porcentagens de prenhez”, explica.
Havendo um bom manejo de pastagem e, portanto, havendo boa condição corporal, a única suplementação necessária para manter o peso da vaca é o sal com uréia durante o período da seca. “Para esse mineral funcionar, é preciso haver alta disponibilidade de forragem, o que é obtido com a vedação de pastagens ainda na época de crescimento”, diz.
Segundo explica, deve ser vedado um terço da área em fevereiro e dois terços em março. Essas áreas deverão ser usadas respectivamente em junho-julho, e agosto-setembro. O capim recomendado é a braquiária e devem ser evitadas forrageiras de crescimento ereto, com a formação de muito colmo. É que essas plantas perdem o valor nutritivo muito rapidamente. O consumo de sal com uréia, segundo ele, deve girar em torno de 100 g/UA/dia (uma UA = vaca 450 kg).
Toda a nutrição da vaca, aliás, deve ser pensada para que ela tenha boa condição corporal não só na época da estação de monta mas também no parto. “Há pouco o que se fazer com as vacas que entram magras na estação reprodutiva ou parem abaixo do peso. Só terão mesmo como recuperá-lo meses depois, quando a exigência da produção de leite para o bezerro entrar em declínio”, explica Medeiros.
A suplementação com fontes de gordura insaturada, como grãos de oleoginosas, entre elas a soja, por exemplo, tem se mostrado promissora, já com vários resultados positivos. Todavia, a suplementação não faz milagre e estaria consertando um erro de manejo anterior, que é exatamente não dar boa condição do animal recuperar peso e manter-se em boa condição corporal na pastagem – o que é muito mais econômico.
Cida de Oliveira
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