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Controle biológico da cigarrinha em pastagens

As cigarrinhas se desenvolvem durante as chuvas, amarelando a pastagem


Por: Ariclenis Aníbal Ballarotti*


Passa de outubro, as chuvas voltaram a cair mas as pastagens continuam amareladas como nos meses secos. A atenção do pecuarista deve ser redobrada porque pode se tratar de um ataque de cigarrinhas. A praga atinge aproximadamente 10 milhões de hectares de pastos no Brasil e causa prejuízos que variam entre 10% e 100%, dependendo da espécie do inseto, do tipo de gramínea, do manejo do pasto e das condições de clima. É prejuízo na certa para o pecuarista que acaba enfrentando os problemas de falta de pasto para os animais e, consequentemente, a baixa produtividade do rebanho.


As cigarrinhas colocam seus ovos no solo, que passam todo o período seco do ano protegidos e dormentes. Com o calor e a presença de água no solo após o início das chuvas, nascem as primeiras ninfas, que sugam a seiva da planta e formam uma espuma branca na base dos perfilhos. Na fase adulta, se alimenta das folhas, o que leva ao amarelecimento e queima do capim, formando reboleiras.  O ataque das ninfas e adultos reduz o crescimento da planta, sua produção, palatabilidade e teores de proteína e sais.

O uso exclusivo de agrotóxicos no controle das cigarrinhas não é aconselhável e tampouco eficaz. É preciso considerar as conseqüências ecológicas dessas aplicações no tocante à eliminação da fauna silvestre e dos inimigos naturais responsáveis por boa parte do controle natural das pragas.

Aplicações contínuas de produtos químicos podem ainda contaminar a carne e o leite. Por esses motivos, o controle deve ser executado com a integração de uma série de medidas que englobam o manejo das pastagens. Dentre elas destaca-se o uso do controle biológico, que não polui nem deixa resíduos, não afeta o equilíbrio do sistema, é economicamente viável e constitui-se na única alternativa para o pecuarista orgânico.

As cigarrinhas estão entre as pragas que trazem maior prejuízo à pecuária

O método pode ser feito com o uso do fungo Metarhizium anisopliae, um patógeno natural das cigarrinhas. Esse inimigo natural já é produzido em biofábricas especializadas e o produtor rural pode encontrá-lo no mercado brasileiro.  Grande parte dos produtos biológicos comercializados não são formulados. Trata-se apenas do fungo cultivado sobre arroz.

Algumas instituições de pesquisa, universidades e empresas do setor estão desenvolvendo novas formulações do fungo, buscando melhorar a ação do produto. Entre elas está a suspensão concentrada em óleos adjuvantes emulsionáveis, que aumenta a eficácia do fungo em relação aos produtos não formulados. Isso porque o óleo é capaz de melhorar a ação do fungo, espalhar-se e aderir melhor ao corpo do inseto, protegendo o fungo contra os raios ultravioletas que podem inviabilizar o entomopatógeno rapidamente.

Outra questão é que o produtor prefere formulações prontas e de uso direto no tanque, permitindo a pulverização com os mesmos equipamentos já utilizados rotineiramente, dispensando todo o procedimento de lavagem do material inerte que é feito em produtos não formulados.

Nas criações do “boi verde”, novas técnicas de condução da pastagem visam o equilíbrio do agroecossistema, restringindo o uso de agrotóxicos. É um modelo que vem crescendo nos últimos anos com o aumento constante pela procura de produtos mais saudáveis por parte do consumidor e que vem se tornando um bom negócio. Um dos maiores desafios do pecuarista que implanta esse modelo é o controle de pragas e doenças sem o uso de agrotóxicos.

Dessa forma, a aplicação de métodos de controle biológicos passa a ser imprescindível para que o pecuarista não tenha perdas significativas na produção. Seja em sistemas convencionais como em orgânicos, a aplicação do fungo M. anisopliae para o controle de cigarrinhas em pastagem é prática indispensável no manejo da praga.

A aplicação desse tipo de produto é muito simples, semelhante à de produtos químicos, com o uso de costal, barra ou avião. Alguns dias após a sua aplicação, as ninfas adoecem e morrem, sendo que a doença se dissemina na área, infectando outros insetos e reduzindo a população da praga.

Aplicações associadas com produtos químicos compatíveis podem ser realizadas em casos de alta infestação da praga. Grande parte do sucesso do controle biológico com o fungo depende do bom monitoramento do produtor rural no início das chuvas, quando deve buscar identificar as primeiras gerações do inseto e o pico das ninfas nas espumas.

Já aplicações tardias, quando o pasto já está amarelando e com a presença de muitos insetos adultos, não são as mais adequadas. Outras medidas importantes para o controle da praga são a adubação correta, a divisão do pasto, o emprego de gramíneas resistentes quando possível, a manutenção do pasto a uma altura mínima de 25 cm e a manutenção da vegetação nativa nas grotas visando dar abrigo a outros predadores das pragas. O controle biológico das cigarrinhas em pasto com o fungo é mais uma ferramenta indispensável para o pecuarista consciente.

* Ariclenis Aníbal Ballarotti é engenheiro florestal e diretor de desenvolvimento da Itaforte Bioprodutos.

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One Comment

  1. Olá, sou Técnico em Agropecuário da Prefeitura Municipal de São José do Herval, e estou com um problema nas pastagens de alguns produtores onde a mesma esta com infestação de uma praga semelhante ao pulgão, mas da cor branca, é possivel fazer a aplicação de enxofre nessas areas, mas para isso precisaria saber com vc a dosagem correta para o controle, desde já agradeço a atenção, obrigado Maikel.

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