Educação Ambiental
Por Cíntia Rocha, para a Revista Rural
De olho na sustentabilidade, empresas desenvolvem ações sócio-educacionais a fim de reforçar seus compromissos com o meio ambiente e com a sociedade e conscientizar participantes sobre a importância de boas práticas e de cuidados com o ecossistema.
A consciência ambiental e o desenvolvimento sustentável são temas cada vez mais recorrentes na sociedade. Produzir sem causar danos ao meio ambiente, aproveitando ao máximo o que a tecnologia e a natureza dispõem são desafios que a agricultura busca visando não somente ganhos no mercado, como também a qualidade de vida dos produtores, da comunidade na qual ele está inserido e da sociedade em geral.
Exatamente nesse contexto, organizações aproveitam o filão e mostram de que forma contribuem para levar conhecimento ao campo, levando em conta suas políticas internas e objetivos ambientais. De acordo com Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), as empresas do setor associadas à entidade trabalham a fim de que o Brasil consiga aumentar sua produção no campo sem a necessidade de explorar novos espaços. “Multiplicar a produção no mesmo espaço de terra é possível sim, desde que seja feita a seguinte junção: ciência, educação e sustentabilidade, pois é apenas com ela que conseguiremos garantir segurança alimentar, ambiental e o futuro das próximas gerações”, aponta.
Participantes do Projeto Natureza DuPont (na foto de abertura), que visa o reflorestamento de áreas degradadas e a transformação desses locais em centros de treinamentos sobre práticas ambientais. O programa Sementes do Amanhã (acima) consiste na utilização da educação ambiental como eixo para o ensino municipal.
Mata Viva
Na área de responsabilidade socioambiental o destaque da Basf é o Programa Mata Viva de Educação e Adequação Ambiental. Em sua vertente de adequação ambiental o programa tem como objetivo principal executar a restauração (reflorestamento) de Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal, no qual técnicos e agrônomos são treinados de acordo com metodologia do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF) da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), de forma que sejam capacitados para executar diagnósticos ambientais, definir ações e planos de recuperação de áreas degradadas, implantar e monitorar programas de reflorestamento em propriedades agrícolas. Todo o trabalho é acompanhado e orientado pela Fundação Espaço Eco, entidade instituída pela BASF e diversos parceiros, que tem como missão promover o desenvolvimento sustentável na sociedade por meio do compartilhamento de conhecimento e tecnologias aplicadas em ecoeficiência, educação ambiental e reflorestamento.
Já em educação ambiental, o Programa Mata Viva apresenta o Atlas Ambiental, ferramenta desenvolvida para uso como o livro didático na rede pública de municípios. A obra contempla temas com o uso racional e preservação da água, lixo, reciclagem, fauna, flora, energia, solo, cultura, história do município, dentre outros. “É um material inédito no Brasil, que possui ilustrações (infográficos) tridimensionais e mostrando os problemas do planeta, o que fazer e o que deve ser evitado para que os recursos naturais sejam utilizados de forma racional e sustentável”, conta Roberto Araújo, gerente de Marketing e Comunicação da Divisão de Proteção de Cultivos da Basf América Latina.
Em 2009 a empresa lançou o Atlas na cidade de Bebedouro (SP). Os resultados principais do primeiro ano deste programa são: 6 mil alunos de 5ª a 8ª série do ensino fundamental, 7 mil exemplares impressos e distribuídos na rede pública de ensino do município, inclusão oficial do atlas pela Secretaria Municipal de Educação na grade curricular dos alunos, dois treinamentos de 16 horas realizados com professores e coordenadores de ensino, totalizando 106 docentes.
A Basf também conta com o programa Mata Viva Cultural, criado para levar às regiões agrícolas do país um teatro itinerante e uma oficina de arte, com toda infraestrutura encontrada nos grandes centros do Brasil. O conteúdo aborda temas especiais para o meio ambiente como o uso racional e a preservação da água, assim como reciclagem e descarte de resíduos. A estrutura do projeto contempla uma tenda inflável que é instalada em locais públicos e um ônibus que faz o transporte das crianças das escolas para a tenda e vice-versa. No ano passado, o projeto alcançou beneficiou 11.394 participantes, entre alunos, professores e membros das comunidades; 97 entidades contempladas, somando escolas municipais, estaduais, particulares e Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) em cidades de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
Outras iniciativas das empresas são: o Programa Reação, Semente do Amanhã e o Projeto Crescer. O primeiro deles é ganhador do Prêmio Mérito Fitossanitário da Andef e acontece em Guaratinguetá (SP) desde 2006. Ele consiste na capacitação de cerca de 500 educadores do município (educação infantil até a 8ª série (9ºano) para a abordagem de temas relacionados à ciências em sala de aula, por meio de experiências simples e de custo baixo, com foco em três operações mentais: observação, comparação e descrição. Já o Programa Sementes do Amanhã, iniciado em 2005, consiste na utilização da educação ambiental como eixo para o ensino municipal, por meio da inserção dos temas no currículo escolar. Cerca de 500 educadores e 7.200 alunos são beneficiados pela iniciativa. Por fim, o Projeto Crescer vem atuando desde 2008 em duas frentes: estímulo jovens do ensino médio ao empreendedorismo e à aprendizagem de ciência.
Na escola e na universidade
Os projetos DuPont na Escola e DuPont na Universidade surgiram com o objetivo de estender às salas de aula de escolas rurais de primeiro grau, às escolas técnicas e universidades o programa de responsabilidade socioambiental na área de defensivos, segurança e saúde no Campo DuPont, consolidado em 2002. O primeiro deles é realizado em parceria com a rede de distribuidores e conta com apresentações dos engenheiros agrônomos da companhia às crianças, em sala de aula. Em seguida, elas são estimuladas a produzir desenhos e textos com o tema “Boas Práticas Agrícolas”.
Donizeti Vilhena, gerente de segurança de produtos e meio ambiente da DuPont para a América Latina, esclarece que os alunos classificados recebem prêmios e as escolas participantes um computador para o uso dos estudantes.“É uma maneira criativa de levar a mensagem de segurança no campo aos agricultores, trabalhadores rurais e à comunidade, por meio de seus filhos, estudantes, que agem como multiplicadores de informações altamente eficientes. Com isso, contribuímos também para a inclusão digital no campo”, diz. O DuPont na Escola já alcançou mais 12 mil estudantes treinados e 200 computadores doados.
Já o DuPont na Universidade tem como público-alvo estudantes de cursos técnicos e universidades de Agronomia, com a intenção de colaborar na capacitação desses futuros profissionais, para que ajudem a multiplicar as boas práticas agrícolas por meio do uso correto e seguro de agroquímicos. Desde seu lançamento, no final de 2007, o programa já atendeu mais de 1.500 estudantes e acadêmicos. No embalo dessas iniciativas, a empresa está dando início ao programa Mulheres no Campo, que tem objetivo semelhante aos demais, porém, as mulheres do campo são a base da estratégica de divulgação.
A companhia conta ainda com o projeto de responsabilidade socioambiental “Natureza DuPont”, que prevê parcerias com o poder público visando ao reflorestamento de áreas degradadas e a transformação desses locais em centro de treinamentos sobre práticas ambientais. “O programa foi iniciado com atividades experimentais em cidades de Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Goiás. A intenção agora é fazer com que ele deslanche. Estamos abertos para conhecer possibilidades de parceria”, adverte Vilhena.
O Projeto “Monsanto na Escola é um dos mais de 30 tocados pela empresa no Brasil, beneficiando mais de 700 mil pessoas.
Crianças Saudáveis, Futuro Saudável
Em todo o Brasil, a Monsanto tem cerca de 30 projetos socioambientais que beneficiaram em 2009, aproximadamente 700 mil pessoas. Segundo Christiane Cralcev Bracco, coordenadora de Comunicação e Responsabilidade Social da empresa, dentre estas ações, quase um terço dos projetos são voltados à educação, enquanto os demais são voltados à comunidade, cultura e meio ambiente. De acordo com ela, um dos maiores investimentos da Fundação Monsanto no Brasil está no Programa Crianças Saudáveis, Futuro Saudável, que, em parceria com a InMed Brasil, contribui com a redução das doenças como anemia e verminoses, que atrasam o desenvolvimento das crianças, conscientizando a população sobre a importância da higiene pessoal e algumas medidas simples que se pode tomar em casa para evitar o ciclo da contaminação.
“Desde o início do trabalho, em 2000, mais de 220 escolas e 70 mil alunos já foram beneficiados por essa ação em seis Estados. Faz parte do projeto o programa Horta Brasil, em que educadores, merendeiras, pais e comunidade ligados às escolas integrantes da ação passam a ter consciência sobre hábitos saudáveis e trocam informações entre eles, além de cultivar vegetais que complementam suas dietas diárias, contribuindo para uma melhora significativa no status nutricional da população”, aponta a coordenadora.
Escola no Campo
O Projeto Escola no Campo desenvolvido pela Syngenta em parceria com seus distribuidores e Secretarias Municipais de Educação está presente nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco e Goiás. São 150 municípios envolvidos, alcançando diretamente cerca de 28 mil alunos da rede pública de ensino. O objetivo é levar informações sobre a prática da agricultura sustentável, por meio de atividades com estudantes da zona rural. Karla Camargo, gerente de Relações Institucionais da empresa, afirma que é o projeto faz parte do interesse da companhia colaborar com ações que viabilizem uma geração de agricultores mais consciente da necessidade de preservação ambiental e da importância do uso da tecnologia para reduzir o impacto no meio ambiente, aumentar a produtividade e a qualidade dos alimentos.
Projeto existente há 19 anos tem como objetivo é levar informações sobre a prática da agricultura sustentável, por meio de atividades com estudantes da zona rural
Ela revela que a intenção é atingir em especial o público infantil e juvenil, justamente visando criar uma geração de agricultores mais consciente da necessidade de preservação ambiental e da importância do uso da tecnologia para a produção de alimentos saudáveis. “Trata-se de crianças do 5º ou 6º ano do ensino fundamental, com idade entre 10 e 11 anos. O projeto existe há 19 anos e já beneficiou mais de 460 mil crianças e jovens no período. Nosso objetivo é ampliar o programa”, resume. Para isso, foram desenvolvidas por profissionais da área de educação em parceria com técnicos da Syngenta duas cartilhas, uma para os alunos e outra para os professores. O material contou com um aval pedagógico da Fundação Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), que inseriu conteúdos relativos ao estatuto da criança e do adolescente e trabalho infantil. Outros temas presentes são: ecossistemas, energia, água, ar, solo, cultura alimentar, história da agricultura, produtores e agribusiness, pragas, doenças e plantas daninhas, agrotóxicos, cuidados antes, durante e depois de aplicações e biotecnologia.
Dados parciais referentes ao segundo semestre de 2009, de um piloto quando a Syngenta iniciou parceria com a Fundação Abrinq, apontam 13 formações realizadas pela equipe técnica da Fundação Abrinq, em nove estados diferentes; 46 municípios presentes nas formações; 233 pessoas formadas para implementação do Projeto Escola no Campo entre professores, diretores, coordenadores pedagógicos, profissionais da Syngenta (RTVs) e voluntários (distribuidores e cooperativas parceiras da empresa); 3.311 crianças entre 11 e 14 anos beneficiadas diretamente pelo Projeto Escola no Campo, por meio das 39 escolas parceiras.
A cartilha produzida em parceria com o Ministério do Meio Ambiente já foi distribuída a 20 mil produtores (clique na imagem para baixar o pdf da cartilha) .
Responsabilidade Ambiental
Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, a Bunge lançou em 2007 uma cartilha ambiental didática, direcionada aos produtores rurais da região do Cerrado, com o objetivo de promover o conhecimento do código ambiental, divulgar maneiras de se adequar à legislação e apontar as melhores práticas e tendências mercadológicas. O material aborda assuntos como responsabilidade social na produção agrícola, divisão territorial brasileira de biomas, legalização de áreas de produção em relação às reservas ambientais, medidas de legalização, regularização das atividades produtivas, boas práticas agrícolas, novas oportunidades de negócios para o produtor rural e canais de informação.
A publicação já foi distribuída a 20 mil produtores rurais, por meio de equipes de campo mantidas pela Bunge, do Ministério e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Além da versão impressa, a Bunge apresenta também uma versão eletrônica da cartilha disponível para download em www.bunge.com.br/sustentabilidade. Segundo a empresa, a parceria com o Ministério do Meio Ambiente na elaboração e distribuição da cartilha é um marco que indica a importância da parceria público-privada, que resulta em um produto de grande utilidade para o produtor rural brasileiro, além de aproximar cada vez mais todos os protagonistas do sistema produtivo do agronegócio.
De acordo com Adalgiso Telles, diretor corporativo de Comunicação da empresa, a ação está alinhada com a proposta da Bunge de colaborar com o desenvolvimento sustentável do agronegócio. “A política de sustentabilidade da Bunge no Brasil é empregada em todas as áreas de negócio da companhia, mantendo a atenção nos compromissos socioambientais. Atuamos com ética e, em muitos casos, vamos além da legislação ambiental em requisitos pertinentes aos nossos processos, produtos e serviços”, ressalta.
Alunos da Universidade de Passo Fundo (RS) integrantes da primeira turma do projeto De Olho no Futuro.
Sustentabilidade do Café
Em 2008, a Bayer CropScience deu início a Universidade para a Sustentabilidade do Café, iniciativa que, em parceria com instituições de ensino, promove diversos ciclos de palestras para treinamento e capacitação de engenheiros agrônomos e técnicos de cooperativas de café. Os cursos são gratuitos e dirigidos a profissionais pré-selecionados pelas cooperativas. Entre os temas abordados estão legislação ambiental, sustentabilidade econômica, mecanismo de funcionamento da ecologia da cafeicultura, certificação do café, racionalização da colheita, manejo sustentável da fertilidade do solo, entre outros.
Segundo Jedir Fiorelli, coordenador de Projetos e Consultores da empresa, até hoje 50 agrônomos das oito principais cooperativas de café do Sul de Minas Gerais já participaram do projeto. Neste período, foram realizados 13 encontros sobre o tema sustentabilidade, que abrange os aspectos ambiental, social e econômico, além da questão de certificação. Todas as palestras foram ministradas por professores das grandes universidades do País, como a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Já através do Projeto Biodiversidade, a Bayer CropScience promove a biodiversidade por meio da restauração ambiental e paisagística da microbacia do Córrego Taquara Branca, em Sumaré (SP), e capacita um grupo de jovens para uma ação socioambiental educativa e multiplicadora. Estes são os dois principais objetivos do projeto, criado em 2005, no qual a empresa conta com a parceria da ONG Sociedade Humana Despertar, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da Escola de Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) e da Prefeitura de Sumaré. Desde a sua implementação, já foram plantadas cerca de 15 mil mudas de espécies nativas e frutíferas no local e houve restauração de 14 hectares. Entre seus projetos de destaque na área de responsabilidade socioambiental, a Bayer também conta com os projetos Mandalla e Nossa Água e Águas.
Publicado pela Revista Rural, edição 148 – julho 2010
Texto de Cíntia Rocha. Fotos: divulgação
Reprodução autorizada.
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