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Produtividade e rentabilidade na pecuária dependem da boa suplementação mineral em época de seca

Redação Portal Boi a Pasto

A pastagem, sozinha, não consegue suprir 100% das necessidades de minerais que o metabolismo dos animais exige. E na seca, os níveis de  proteína do pasto não suprem o mínimo necessário, que é de 7% de Proteína Bruta, para o rúmen funcionar corretamente”.

“Dentre os sistemas de produção animal, a criação em pastagens é a de menor custo. Os ruminantes conseguem converter as pastagens, um alimento grosseiro e que jamais fará parte da cadeia alimentar dos seres humanos, em uma das melhores e mais nobres fontes de proteína ,energia e minerais para a humanidade, transformando capim em carne e leite. Mas para que isso ocorra, os bovinos precisam ter em sua dieta diária além do pasto a suplementação mineral adequada”. A informação é do médico veterinário Julliano Pompei, do Departamento de Nutrição do Grupo Matsuda.

Para ele, como a produção de forragens varia ao longo do ano, “as condições climáticas alteram a quantidade, a qualidade e a digestibilidade do pasto que, sozinha, está longe de conseguir suprir as necessidades de minerais que o metabolismo dos animais exige”.

Por esse motivo, a ciência, através das pesquisas em décadas, comprovaram que, sob condições de pastagens tropicais, o gado bovino dificilmente consegue obter das forrageiras todos os nutrientes essenciais a um bom desempenho produtivo e reprodutivo.

Os pastos tropicais em geral apresentam deficiências nutricionais diversas, que se agravam à medida que as forrageiras amadurecem e envelhecem, em qualquer época do ano,atingindo o seu auge de deficiência nutricional durante a estação seca. A expansão, em anos recentes, das áreas de pastagens no sentido da ocupação dos cerrados, tem contribuído para agravar o quadro das deficiências nutricionais nos rebanhos bovinos de corte, reduzindo o seu desempenho e ocasionando, no caso das deficiências mais severas, doença e morte de animais.

Conforme explica Pompei, “as forragens tropicais utilizadas no Brasil têm teor de proteína entre médio e baixo, digestibilidade razoável e deficiência de minerais. Por melhores que sejam a semente e o manejo do pasto, o teor de nutrientes do capim é insuficiente para o perfeito desenvolvimento do gado”. Pompei ressalta também que “a complementação da dieta dos animais exige o fornecimento adicional de macro e micro minerais, além de proteína, energia e vitaminas em determinadas épocas do ano”.

Julliano Pompei: “As forragens tropicais utilizadas no Brasil têm teor de proteína entre médio e baixo, digestibilidade razoável e deficiência de minerais”.

O quadro das deficiências minerais das nossas pastagens torna-se ainda mais preocupante quando se considera que essa condição tende a um agravamento progressivo com o passar dos anos, uma vez que quase nada tem sido feito no sentido de repor aos solos os nutrientes perdidos pela ação da chuva, lixiviação, dos processos climáticos – que ao longo do tempo, agridem ao solo – e a perda de minerais que são removidos “via forrageira”, incorporados ao organismo dos animais e transportados para fora do ecossistema.

O médico veterinário Fernando Antônio Nunes Carvalho, consultor da Matsuda, afirma ser nesse contexto “que se insere o conceito de suplementação mineral, que visa, por definição, adicionar à dieta de pasto dos animais os minerais deficientes nas forrageiras. Aqui há que levar em consideração que, ao suplementar ao animal com minerais deficientes nas forrageiras dos pastos, não apenas se está corrigindo sua dieta, como também contribuindo, embora não seja o objetivo da suplementação e, para restituir ao solo uma pequena parte dos mesmos nutrientes, perdidos através do pastejo ou por outros meios, uma vez que uma parcela dos minerais suplementados passa pelo trato intestinal sem ser absorvido e soma-se às perdas endógenas do organismo animal, sendo incorporados ao solo através das fezes e urina, mas será beneficiará ao solo, quando essas fezes e urina são distribuídas de forma homogênea no pasto e rapidamente e adequadamente incorporadas ao solo, seja por processo mecânico e/ou biológico”.

Para o veterinário Fernando Carvalho, o conceito de suplementação mineral, “visa, por definição, complementar a dieta bovinos criados a pasto, pois os mesmos não recebem a quantidade de minerais que necessitam já que as forragens tropicais são deficientes em minerais”.

Condições ambientais

O gado de corte, na sua maioria é criado em regime de pastagens com manejo extensivo durante todo ano. Para o veterinário Diego Magri Bernardes, do Departamento Técnico da Matsuda Minas, “nesse cenário os animais estão sujeitos às mudanças nos valores nutricionais das pastagens de acordo com a época do ano. Para as plantas forrageiras, as condições climáticas, nutrientes do solo disponíveis e o manejo adotado influenciam diretamente em sua característica nutricional”.

As variações nas condições ambientais como temperatura, luminosidade e chuvas, são responsáveis pelas alterações nas estruturas da planta, modificando seu valor nutricional. Bernardes ressalta que, “quando esses fatores tornam-se limitantes, a planta forrageira inicia a maturação – crescimento de haste, aumento de frações fibrosas de menor degradabilidade – e o florescimento – semeadura, migração de nutrientes para a formação da semente -, diminuindo assim sua digestibilidade e teor de nutrientes, principalmente de proteína. Quando os nutrientes consumidos pelo animal não suprem a mantença, que é a exigência mínima para manter o peso – respirando, caminhando, funções vitais, etc. -, há perda de peso. Isso acontece na seca, pois os níveis de proteína do pasto não suprem o mínimo necessário, que é de 7% de Proteína Bruta, para o rúmen funcionar corretamente”.

Os bovinos precisam ter em sua dieta diária além do pasto a suplementação mineral adequada.


Fernando Carvalho adverte que, “embora o consumo da mistura mineral varie com a fertilidade do solo, qualidade e manejo das pastagens, a época do ano, umidade do ar etc., o pecuarista deve sempre ter o cuidado de assegurar o fornecimento da mistura mineral, em quantidade e qualidade adequada à época do ano e categoria animal, garantindo a eficiência e a qualidade da suplementação às exigências das categorias a serem suplementadas”. Ele explica ainda que “os bovinos criados nos pastos tropicais e subtropicais brasileiros com consumo de nutrientes muito variado apresentam geralmente níveis deficientes de elementos como: Nitrogênio (N); Fósforo P); Sódio (Na); Cobalto (Co); Cobre (Cu); Zinco (Zn); Selênio (Se); Enxofre (S), sendo que o grau de deficiência pode ser maior ou menor, dependendo da área onde o gado está sendo criado sob pastejo. O Brasil Central tende a ter deficiência de todos os minerais mencionados”.

A subnutrição é sem dúvida o maior desafio a ser vencido por uma grande parcela dos rebanhos brasileiros, embora existam grandes e significativos avanços, há muito por fazer para que o criador envie para o frigorífico um animal de melhor acabamento e com qualidade de carne. Para isso, só o uso de novas tecnologias, principalmente àquelas ligadas ao manejo nutricional e sanitário. Não podemos aceitar que nossos rebanhos apresentem números demonstrando menor eficiência produtiva. A viabilidade econômica de uma atividade passa obrigatoriamente pela capacidade produtiva; custo de produção e pelo preço de venda. Quanto maior for a produção e o preço de venda, aliado a um menor custo de produção, maior será o lucro do produtor, que deve ser sempre a meta a ser atingida para que a atividade se perpetue”.

Diego Magri: “Os animais estão sujeitos às mudanças nos valores nutricionais das pastagens de acordo com a época do ano”.


Na seca ou nas águas

Quem busca produtividade e rentabilidade na pecuária de corte não pode descuidar do manejo nutricional do rebanho. Pesquisas comprovam que a suplementação mineral e protéica propicia a melhora dos índices zootécnicos, aumentando a produtividade e a rentabilidade da fazenda. Ou, como adverte Julliano Pompei, “quem busca produtividade e rentabilidade na pecuária não pode deixar de fornecer minerais, seja na seca ou na época das águas. Isto é, não pode faltar no cocho o mineral que o pasto não tem”.

Conforme relembra o técnico da Matsuda, “há quem diga que no período das águas os animais não precisam tanto de minerais. Dizem que as pastagens estão em ótimas condições, com maior oferta de minerais, proteínas e energia, por estarem verdes e vigorosas. Julgam, com isso, que o capim seja capaz de suprir todas as exigências dos animais”. Contudo, segundo Pompei, “é nesse período que ocorre o maior consumo de matéria seca em virtude de um aumento de proteína, energia e assim melhor digestibilidade pelo animal. A maior atividade de digestão causa um aumento no metabolismo,  com maior gasto de nutrientes pelos microorganismos do rumem. Esse é o momento de intensificar o fornecimento de minerais. Com deficiência mineral na época das águas não é só a produtividade que cai. Os animais ficam mais suscetíveis a diversas doenças, em razão de uma depressão do sistema imunológico”.

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One Comment

  1. trabalho profissional.

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