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Que raça bovina escolher? Nada de paixão, escolha pela produtividade

Gado Simental, da Fazenda Casa Branca Agropastoril.

Paulo de Castro Marques*

A pecuária é uma atividade de contrastes. Se analisarmos sob a ótica histórica, a bovinocultura chegou ao país com os colonizadores. Um exemplo para ilustrar: o Caracu veio com os portugueses e está aqui, portanto, há mais de cinco séculos. No entanto, nem por isso está entre as principais raças criadas no Brasil, apesar de ter os seus méritos.

Sob o ponto de vista de negócio profissional, a pecuária é extremamente recente. A histórica importação de genética zebuína da Índia em 1962 é considerada por muitos o divisor entre a criação rudimentar e a seleção por resultados, como a conhecemos hoje.

Nas últimas quatro décadas, várias opções genéticas ganharam força no Brasil. Umas mais outras menos, elas foram apresentadas aos criadores como verdadeiros milagres produtivos.

Porém, poucas efetivamente ganharam espaço. No caso específico do segmento de corte – voltado à produção de carne – não mais do que uma dúzia de raças se mantém em evolução, ganhando adeptos, desbravando fronteiras, contribuindo efetivamente para fornecer animais precoces e pesados para impulsionar a produtividade da pecuária como um todo, gerando na etapa seguinte carne de boa qualidade para posicionar ainda melhor o país no comércio internacional.

O pecuarista e empresário Paulo de Castro Marques:  “Nas últimas quatro décadas, várias opções genéticas ganharam força no Brasil”.

Dizem os especialistas que todas as raças bovinas têm qualidades e desafios a vencer. Mas que fatores, então, levam determinada raça a ter sucesso ou, apesar de características positivas, perder espaço e cair no esquecimento dos criadores?

A resposta a essa questão não é simples, mas algo me salta aos olhos: a incapacidade de algumas opções genéticas se adaptarem às condições brasileiras e de seus criadores não entenderem que o Brasil é um continente, com particularidades regionais indiscutíveis e que, portanto, é preciso ser flexível.

Não tenho dúvidas de que as raças bovinas que efetivamente têm interesse em se expandir no país precisam estar abertas a adequações zootécnicas, sem as quais não se tornam produtivas em regiões mais quentes, ou mais úmidas, ou mais acidentadas.

Sem isso, não acompanham a evolução produtiva necessária para ser protagonista da pecuária brasileira. Mais uma vez recorrendo aos técnicos: é necessário apresentar ganho genético médio equivalente a 1 kg/peso vivo por ano para uma raça se manter na ponta e atrair os criadores. Em outras palavras: o melhoramento genético tem de gerar animais sempre mais precoces e produtivos. Se esse avanço para, também cessam os investimentos e ela pode cair no esquecimento. Há vários exemplos para justificar essa afirmação.

Para isso, é preciso atender aos apelos do mercado e oferecer atrativos aos selecionadores num primeiro momento e aos projetos de cria, recria e engorda na sequência. Mesmo que isso signifique fazer ligeiros ajustes genéticos, sempre respeitando a caracterização racial. Em outras palavras: que mal há em reduzir o pelo de terminada espécie ou aumentar ou diminuir a altura de outra?

Nesse caso, entendo que os fins justificam os meios. O melhoramento genético na pecuária faz sentido somente quando a geração dos filhos é superior à dos pais. Mesmo que para isso seja preciso quebrar paradigmas históricos e, muitas vezes, ultrapassados. O mercado não perdoa raças de baixa produtividade.

* Paulo de Castro Marques é empresário e pecuarista, proprietário da Casa Branca Agropastoril, especializada na criação de gado Angus, Brahman e Simental sul-africano.

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One Comment

  1. olá, é só para dizer que gostei dos conteúdos, que colocam aqui, mas eu quero que omentem mais a qualidade. era só isso.

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