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Técnico orienta produtores a planejar a nutrição adequada para ovinos e caprinos

Ainda é comum, em diversas regiões do País, a utilização do sal banco para a nutrição dos rebanhos de ovinos e caprinos, ou então sal destinado ao consumo de bovinos, embora exista hoje, no mercado, uma gama variada de suplementos minerais, energéticos ou protéicos e rações mineralizadas formulados especialmente para essas espécies de animais, além de núcleos minerais voltados à formulação de concentrado para animais de engorda em sistema de confinamento ou semiconfinamento.

São produtos específicos, que buscam atender as necessidades minerais dos animais de corte e leite, em todas as suas fases de desenvolvimento: cria, recria, e engorda e também para animais em lactação, como é o caso de cabras leiteiras, sendo que o uso correto destes produtos além do suprimento das exigências minerais dos animais, também auxiliarão na melhoria do sistema imunológico dos animais, bem como auxiliarão no aumento da fertilidade do rebanho.

Para os técnicos que atuam na área, a maior parte das deficiências minerais que ocorrem nos rebanhos brasileiros, se deve principalmente às alterações climáticas das diversas regiões do País e às forrageiras tropicais, que não possuem minerais em quantidades suficientes para atender às necessidades dos rebanhos. Por isso os criadores devem fazer uso de diferentes produtos durante todo o ano, para “acompanhar” o valor nutricional das suas pastagens que variam muito, conforme o meio e o clima onde estão.

Conforme ressalta o médico veterinário Marco Antônio Passareli Finardi, do Departamento Técnico de Nutrição Animal do Grupo Matsuda, “todo produtor deve, inicialmente, elaborar um planejamento alimentar adequado para seu rebanho, seja de ovinos ou de caprinos”. Para esse planejamento,  o primeiro passo é “avaliar qual a espécie animal a ser alimentada, sua categoria e suas necessidades nutricionais. Por exemplo, animais destinados à produção leiteira, destinados à cria, recria ou engorda. Após esta primeira análise, é preciso verificar  quais os alimentos disponíveis, como área de pastejo, espécie de gramínea, e qualidade da mesma. Já que se trata de duas espécies animais que apresentam hábitos alimentares diferentes, isso deve ser respeitado. Os ovinos são animais que apresentam grande seletividade alimentar e buscam sempre alimentos de maior palatabilidade e “macios”, de porte médio baixo, para que possam ver uns aos outros dentro do lote. Quando as gramíneas encobrem os animais, tendem a não aproveitarem adequadamente a pastagem”.

Marco Antônio: “Todo produtor deve, inicialmente, elaborar um planejamento alimentar adequado para seu rebanho, seja de ovinos ou de caprinos”.

Marco Antonio explica, por outro lado, que os caprinos são animais também altamente seletivos, “mas apresentam hábitos alimentares diferentes dos ovinos, como por exemplo, a busca por alimentos ramosos. Quando não temos pastagem disponível para os animais, então é necessário que busquemos outras fontes de volumosos, como silagens, fenos, ou outras forragens, sendo que estas podem onerar mais os custos, uma vez que em várias situações elas necessitam de maiores complementações para o atendimento das exigências nutricionais”. O técnico da Matsuda recomenda, ainda, que após esses procedimentos iniciais, “é preciso que busquemos a complementação da dieta dos animais, pois, de um modo geral os volumosos não têm a capacidade de atender totalmente as exigências nutricionais dos animais, como por exemplo, a relacionada a minerais. Dependendo da época do ano, também pode ser preciso a complementação de fontes protéicas, energéticas ou mesmo vitamínicas. Após serem feitas essas análises, devemos então fazer os devidos ajustes para que tenhamos a maximização do desempenho dos animais”.

Balanceamento correto

Outra orientação importante, segundo Marco Antonio Finardi, diz respeito ao balanceamento correto da dieta, sobretudo no período de seca.  Ele explica que, na época seca do ano, primeiramente, em várias situações, “há escassez de alimento, principalmente pastagem, sendo que nestes casos, como já dito anteriormente, é necessário que busquemos outras fontes alimentares. Além disso, é preciso sempre que busquemos ao máximo um balanceamento da dieta, visando o atendimento das necessidades nutricionais”. No período seco, as deficiências minerais nas pastagens se acentuam, sendo que podem decrescer em até 80%, mas o grande limitante de desempenho nesta época do ano é o nitrogênio. O nitrogênio é um derivado da proteína e é utilizado pela microbiota ruminal para a sua multiplicação.

Finardi observa que, como na seca as pastagens estão maduras e secas, de baixo valor nutricional, “ocorre um menor consumo de forragem pelos animais do que quando comparado ao período de águas, devido ao maior teor de fibra existente, fato este que diminui a digestibilidade. Aliado a esse quadro, há um menor teor de minerais, proteína — até 50% menos quando comparado ao período de águas — e energia — 15 a 20% menos”. O técnico alerta que, dessa forma, ocorre queda na atividade da microbiota ruminal, “pois não se consegue o mínimo necessário de nutrientes para estimular o crescimento dos microrganismos ruminais e, com a diminuição desses microrganismos, a capacidade do rúmen em fermentar e digerir a forragem fica comprometida”. Com essa situação, conforme observa Finardi, o alimento acaba por permanecer um maior tempo no rúmen e o animal tende a comer menos, evoluindo para um quadro de subnutrição. Desta forma, nesta época do ano, é necessário que além de se utilizar um bom suplemento mineral, que se faça uso de produtos comerciais que também forneçam fontes de proteína e energia, para que se consiga estimular a multiplicação da microbiota ruminal e estes melhorem a degradação do alimento no ambiente ruminal e, consequentemente, a ingestão de alimento pelos animais, sendo que com isso consegue-se o atendimento das necessidades nutricionais dos animais e desta forma, um bom desempenho pelos mesmos.

O planejamento nutricional deve ser diferente para cada fase do desenvolvimento desses animais — cria, recria e engorda, ou lactação. Marco Antonio Finardi explica que, para um plano nutricional que realmente atenda as necessidades dos animais conforme sua espécie e categoria, “é preciso saber quais são elas, isto é, o planejamento deve ser elaborado por um profissional da área, para maximizar o desempenho dos animais”. Ele ainda diz que o período seco do ano em várias situações é um período crítico, “pois temos uma queda de nutrientes na forragem, quando não a sua falta, devendo ser feito os ajustes necessários para um melhor desempenho dos animais”.

O uso de rações, outras fontes de volumoso ou mesmo suplementos, na opinião do veterinário, deve ser avaliado conforme a situação observada, tendo-se sempre em mente que a suplementação mineral deve ser feita durante todo o ano, e o uso de outras fontes de volumoso ou mesmo de rações avaliado caso a caso.

Outro ponto muito importante apontado por Finardi, é que o produtor deve buscar o máximo de desempenho possível dos animais durante o período de águas, onde ocorre maior oferta de alimento e, além disso, melhor valor nutricional e palatabilidade. Com alguns ajustes, é possível aumentar o desempenho dos animais e com isso melhorar a rentabilidade produtiva.

O planejamento nutricional deve ser diferente para cada fase do desenvolvimento desses animais — cria, recria e engorda, ou lactação.

Diferenças de minerais

Marco Antonio Finardi enfatiza que os produtores devem estar atentos às diferenças em termos de proteínas, minerais e vitaminas que os suplementos oferecem para cada categoria específica, nas estações de cria, recria e engorda. Segundo ele, é possível mensurar essas diferenças, “uma vez que temos os animais de cria como sendo os animais mais exigentes nutricionalmente, já que essa categoria engloba os animais voltados à reprodução”. Ele esclarece que, sendo a reprodução o topo da cadeia de exigência nutricional, esses animais têm maiores necessidades.

Logo em seguida, ainda segundo o técnico, estão os animais de recria, englobando os animais em crescimento, que necessitam além de ganho de peso, também crescer e, com isso, “são menos exigentes que os animais de cria, mas mais exigentes que os animais de engorda. Estes, por sua vez, são os menos exigentes, pois são animais que necessitam de ganho de condição corporal, apresentando assim, menor exigência quando comparado a animais de cria e recria. Dessa forma, os produtos destinados aos animais de cria, segundo explica Finardi, “sempre deverão fornecer aos animais maiores quantidades de nutrientes, quando comparados a produtos destinados a animais de recria ou mesmo de engorda. Já produtos destinados a animais de recria, fornecerão maiores quantidades de nutrientes do que quando comparados a produtos destinados a animais de engorda, e em menores quantidades do que produtos destinados a animais de cria”.

Para que o produtor chegue a esses valores, o veterinário da Matsuda adverte que ele “não pode somente observar a quantidade de um nutriente contido por quilo de produto, pois é preciso saber qual é o consumo deste pelos animais. Só assim chegaremos ao real valor de nutriente que é fornecido por este produto”. Um exemplo desse quadro seria um produto que contém 6% de fósforo, com um consumo de 50 g/animal/dia. Com isso, esse produto fornece ao animal 3 g de fósforo por dia. Se for um produto com 3% de fósforo, com um consumo de 100 g/animal/dia, haverá as mesmas 3 g de fósforo sendo ofertada ao animal. Outro ponto importante que devemos ressaltar, que os suplementos minerais, como o próprio nome diz, serem para complementar a dieta afim de suprir as exigências totais dos animais, mas que as outras fontes de alimentos empregadas também fornecerão aos animais minerais e os demais nutrientes, sendo que isto deve ser levando em consideração quando se traça o planejamento nutricional.

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