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Pecuaristas adotam Estação de Monta de curta duração para melhor aproveitamento nutricional

Adotar a Estação de Monta ou Reprodutiva é economicamente viável e não implica em aumento dos custos.Ao contrário, é uma prática de manejo simples que traz grandes benefícios para o criador.

Por: Marisa Rodrigues

Com o objetivo de alcançar o máximo de gestações dentro do menor período de tempo possível, os pecuaristas adotam a Estação de Monta ou Estação de Reprodução, período pré-determinado para o acasalamento entre vacas e touros. As matrizes, aptas à reprodução, são submetidas a um dos seguintes procedimentos: Monta Natural e Controlada ou Inseminação Artificial (IA). A Estação de Monta deve ser implantada no momento de maior oferta de alimentos, ou seja, na época das águas (primavera e verão), uma vez que o cio está diretamente ligado ao porte nutricional das fêmeas. O período de reprodução vai depender da disponibilidade e qualidade de forragem, da melhor época para nascimento dos bezerros, do sistema de produção e da categoria das fêmeas (vaca ou novilha). Na medida em que se intensifica o sistema de produção, o uso de uma estação de monta curta e bem definida assume maior importância. Para Gustavo Rezende, presidente da Associação dos Criadores de Senepol Tufubarina, o planejamento da Estação de Monta permite o nascimento e a desmama programadas.  “As melhores épocas do ano para nascimento é do meio pro fim da seca, ou seja, com os nascimentos começando em agosto. Assim, os bezerros e as vacas passam bem as águas e a desmama programada permite que a recria seja feita no cocho, otimizando resultados”, destaca.

Como o Brasil é um País continental, com diferentes condições ambientais, deve-se adequar a Estação de Monta ao período de melhores condições de alimentação (pastagens) — em quantidade e qualidade do alimento forrageiro — e à época de maiores incidências de cios para as vacas. Importante ressaltar que não existe receita pronta, pois cada propriedade tem suas particularidades e objetivos. )

Alguns técnicos recomendam que os pecuaristas introduzam em suas fazendas o manejo da estação de monta, aos poucos, isto é, em vez de deixarem a vacada solta no pasto, junto com os touros, durante o ano todo, comecem, reduzindo gradualmente a exposição aos touros.  Gustavo Rezende, explica que a recomendação é feita para que o pecuarista que já tem vacada parindo na fazenda não perca muito tempo aguardando pela estação.  A identificação dos animais que já estão prenhes em um período antecedente à estação é determinante para o seu sucesso, pois assim o criador não perderá tempo deixando vaca vazia na fazenda, e pode ainda escolher os melhores animais dentre aqueles que estiverem vazios para entrarem na estação.  E, assim, gradativamente, até que todo o plantel esteja inserido dentro de sua programação.

Curta duração

Antonio Bento Mancio, professor adjunto da Universidade Federal de Viçosa (MG), afirma que “é fundamental o estabelecimento de uma Estação de Monta de curta duração, para que o período de maior requerimento nutricional (lactação) coincida com o de maior oferta de alimentos”. Dessa maneira, segundo o especialista, as atividades de manejo serão disciplinadas em períodos adequados, tais como: período de desmame, vacinação, vermifugação, castração, descarte, etc. Mancio menciona que, com a Estação, também é facilitada a identificação dos animais de menor potencial produtivo, pois os lotes serão mais homogêneos nos diferentes períodos, com nítida diminuição dos custos de produção, principalmente em pessoal, suplementos de alimentação e medicação para prevenção de doenças de bezerros nascidos em épocas de alta umidade.

O ideal é que as vacas paridas estejam com prenhez positiva no terceiro mês após o parto, de forma a conseguir um bezerro ao ano, ou um Intervalo entre Partos (IEP) de 365 dias. Com o manejo correto, cerca de 40 dias após o parto, uma matriz em bom estado corporal começa a ciclar novamente. Em criações extensivas de gado de corte, os nascimentos aparecem naturalmente, com maior freqüência, nos meses de julho a dezembro, mesmo nas fazendas que não utilizam a Estação Reprodutiva, isso porque a maioria das fêmeas emprenha de outubro a março.

Concentração de atividades

Segundo o Dr. Candido Betarello, médico veterinário da fazenda Lua Azul, localizada em Itú, (SP), “as vantagens para quem deseja adotar a Estação de Monta são: concentração dos trabalhos de monta e inseminação artificial (IA); concentração da estação de nascimentos, da estação de desmame e da terminação; maior pressão de seleção nas fêmeas; racionalização da mão-de-obra, dos trabalhos de marcação, mochação e castração; programação de vendas de bezerros ou bois acabados; previsão da quantidade de animais a serem comercializados; compra de insumos com menor freqüência e em maiores quantidades, fazendo com que sejam obtidos os melhores preços; facilidade de adoção de outras práticas como desmama precoce, suplementação de bezerros, sincronização de cios e inseminação de matrizes”.

Portanto, para Betarello, é importante adequar a Estação Reprodutiva aos períodos de melhores condições das pastagens e de maior incidência de cios em vacas, o que ocorre geralmente durante a estação chuvosa. Porém, quando o produtor opta pela adoção da Estação de curta duração, em substituição ao sistema no qual os touros permanecem com as vacas durante todo o ano, “é recomendável a redução gradativa do período de monta, eliminando-se a cada ano de um a dois meses, até atingir o período de duração ideal”.

A seleção de matrizes para melhor eficiência reprodutiva deve ser feita por meio do diagnóstico de prenhez, realizado 40 a 60 dias após o término da Estação de Monta e pelo descarte de fêmeas de baixo potencial reprodutivo, que fornecem bezerros leves ao desmame. A fase de amamentação, que é de elevada exigência nutricional, deve ocorrer num período de boa oferta de alimento (final da seca e parte das águas).

Para os touros, a Estação Reprodutiva propicia um período de descanso, o que garante condições para plena recuperação e manutenção da atividade reprodutiva entre uma estação e outra. Permite, ainda, a identificação de machos inférteis ou subférteis, por meio de exames andrológicos completos durante o período de descanso.

Diagnóstico de gestação

Terminada a Estação de Monta, os touros são separados das vacas e só voltam ao acasalamento na próxima. Aconselha-se que se faça o diagnóstico de gestação durante a própria Estação, para separar as vacas gestantes e remanejar os touros para outros lotes de fêmeas. Pecuaristas menos informados referem-se à Estação Reprodutiva como sendo prejudicial aos índices de natalidade do rebanho. Para os especialistas, “tal afirmação não tem o menor fundamento, pois, mesmo em sistemas mais extensivos onde touros e matrizes permanecem juntos durante todo o tempo, ocorre maior concentração de nascimento (80%) justamente no período da Estação de Monta”.

Prova disso são as inúmeras vantagens para os bezerros, conforme destaca o Dr. Cândido Betarello: “concentração de nascimentos na época mais adequada do ano, relacionada com a menor incidência de endo e ectoparasitas; nutrição adequada, onde a fase de início do consumo efetivo de forragem, que começa aproximadamente aos três meses de idade e segue até o desmame, coincidirá com as boas condições das pastagens devido ao período das águas; obtenção de lotes uniformes; permite a adoção de diferentes práticas de manejo que visam reduzir a mortalidade e aumentar o peso ao desmame; uniformidade dos bezerros gerando maior liquidez na comercialização ou que proporciona facilidade de recria na própria fazenda”.

“A atividade de cria, mais que qualquer outra, na produção de bovinos de carne, depende basicamente da eficiência com que a produção de bezerros ocorre e determina a lucratividade da propriedade”, conclui o proprietário da Fazenda Lua Azul, Dr.Candido Betarello.

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