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Sequenciado o genoma do Nelore brasileiro

O touro 7308/04 PO Perdizes foi cedido para ser mapeado genéticamente


A pecuária agora se divide entre o antes e o depois dessa inovação tecnológica, que irá trazer melhor produção na cultura do gado e maiores benefícios ao pecuarista brasileiro.


“Um marco para a pecuária no Brasil”, disse Câmara Lopes, presidente executivo da Genoa Biotecnologia, sobre o seqüenciamento do genoma do boi Nelore brasileiro, em coletiva de imprensa realizada este mês no Consulado Canadense. Um touro Nelore denominado 7308/04 PO Perdizes teve seu DNA seqüenciado pela Genoa Biotecnologia, em parceria com a Universidade de Alberta, no Canadá, sendo a Intervet Schering Plough responsável pela comercialização do projeto.  A característica de docilidade, a primeira das cinco identificadas no mapeamento genético do Nelore, estará em breve disponível no mercado para aprimorar a produção pecuarista. As outras quatro – ganho de peso, acabamento, medida do lombo e precocidade -, ainda estão sendo validadas nos Estados Unidos.


Câmara Lopes, da Intervet Schering Plough, fala sobre a comercialização dos marcadores genéticos


O presidente da Genoa Biotecnologia, Câmara Lopes, disse que o projeto foi desenvolvido após sete meses de pesquisa com a tecnologia Solid 3 System, da ABI Life Technologies, que permite mapear um maior volume de sequências em menor tempo. Disse, também, que “foram investidos US$ 65 mil para fazer o seqüenciamento do genoma Nelore e mais US$ 700 mil para desenvolver os “marcadores genéticos”, assim denominadas as características identificadas para comercialização no mercado. Serão ferramentas para se produzir um rebanho mais saudável, com mais carne e maior aproveitamento da carcaça, completa. Uma quantia que considera ‘ínfima, em relação aos US$ 50 milhões investidos no genoma bovino, lançado no ano passado no Canadá, também pela Universidade de Alberta e a equipe do Diretor do Programa de Genoma Bovino, Stepehn Moore”.


Vilson Simon afirmou, durante a coletiva, que o mapeamento será a maior inovação do setor pecuarista


O projeto do Genoma Nelore começou a ser desenvolvido a partir de uma reunião entre o presidente Genoa Biotecnologia, Câmara Lopes e o presidente da Intervet Schering  Plough Vilson Antonio Simon, com a participação de diversos produtores pecuaristas. Vilson comentou que, na ocasião, foram necessários apenas quinze minutos de conversa para firmarem uma parceria e concluírem que desenvolveriam o mapeamento e utilizariam as características genéticas do boi Nelore em favor da indústria pecuária para otimização e excelência na produção do gado de corte.

Durante a produção da pesquisa, a Genoa Biotecnologia e a Universidade de Alberta utilizaram mais de três mil animais de alta genética cedidos pelo Grupo Quilombo, de Indaiatuba – SP, incluindo o touro mapeado, o Perdizes. Destes animais foram tiradas 46 sequências de DNA, o genoma bovino, e dessas sequências foram retiradas e patenteadas internacionalmente, as cinco características que serão comercializadas para produção pecuarista. A docilidade “foi priorizada pelo projeto por ser o que trará maior benefício ao criador, pois o boi Nelore costuma ser arredio. Já a escolha de se estudar essa raça no Brasil foi por conta do país ter um dos maiores rebanhos do mundo, com 80% representados pelo gado Nelore de corte”, comentou Stephen Moore, diretor do Programa Genoma Bovino da Universidade de Alberta.


Stephen Moore veio da Universidade de Alberta – Canadá – para anunciar o mapeamento


“A docilidade, quando introduzida nos rebanhos de boi Nelore, trará não só ao produtor um rebanho com produção de carne mais macia e com a carcaça mais conservada, como o consumidor também se beneficiará, tendo nas prateleiras de seu supermercado, uma carne com preço mais acessível e saudável”, complementou Stephen Moore. O marcador genético DNA G-Tag já está pronto para comercialização e o diretor de pecuária da Intervet Schering Plough, Vilson Simon, anunciou o contrato de uma pessoa da área de pesquisa genética que irá assumir o projeto dentro de um mês. As demais características ainda não têm prazo para serem comercializadas, pois estão em período de validação.


Carolina Ferreira
Redação do Portal Boi a Pasto

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