Tempo de combater carrapatos

Além de afetar severamente a capacidade produtiva do animal parasitado, causando anemia e tristeza parasitária bovina – que pode até matá-lo –, o carrapato ainda leva a perdas do valor comercial do couro. O Brasil, a estimativa de prejuízos à cadeia produtiva é de US$ 2 bilhões anuais. No mundo todo é de US$ 7 bilhões. “Estudos demonstram que cerca de 95% da infestação, na forma de ovos e larvas, está nas pastagens, enquanto apenas 5% no animal, nas formas parasitárias”, explica Octaviano Pereira Neto, gerente técnico da Novartis Saúde Animal.
Ele ressalta que a infestação de carrapatos no animal acontece quando as larvas que estão na pastagem conseguem alcançá-lo. Já sobre seu couro, a larva sofre o processo de metamorfose até se transformar no carrapato adulto. Na fase final, após cerca de 22 dias, a fêmea cai na pastagem onde depositará milhares de ovos, os quais dão origem a novas larvas, recomeçando o ciclo. É por isso que os especialistas costumam dizer que qualquer época do ano é tempo de combater os carrapatos.
Durante a seca – que já está no finalzinho – há redução no desenvolvimento de ovos e larvas na pastagem. Isso favorece o controle estratégico da praga fora e sobre o hospedeiro. Segundo Renato Andreotti, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, a rotação de pastagens, que consiste na retirada dos animais até que todas – ou a maioria – das larvas sejam eliminadas por causas naturais.
A recomendação é que esse descanso seja de aproximadamente 40 dias na primavera/verão e 60 dias no outono/inverno. “Uma prática que auxilia o controle do carrapato é a implantação da lavoura”, diz Andreotti. “Já a queima de forrageira ou a aplicação de acaricida no solo não é recomendável por questões ambientais.
Há várias experiências em andamento para o controle do carrapato sobre o hospedeiro, como o uso de feromônios associados a substâncias tóxicas e mecanismos genéticos. Mas entre os métodos hoje aprovados, o carrapaticida é a opção que oferece melhores resultados. Porém, o desenvolvimento de linhagens resistentes a diversas gerações de acaricidas, a permanência de resíduos nos produtos de origem animal e a poluição ambiental têm incentivado estudos para uma vacina que utiliza proteínas estratégicas para a sobrevivência do carrapato.
No site da Embrapa Gado de Corte www.cnpgc.embrapa.br há um link onde o produtor pode saber mais sobre a resistência a acaricidas. Basta acessar o ícone de um carrapato, que fica à esquerda na página principal.
Andreotti explica ainda que existem atualmente imunizantes desenvolvidos a partir da proteína BM86, que protege parcialmente os bovinos contra futuras infestações por B. microplus pela redução no número de carrapatos, da produção de ovos e da fertilidade. “Porém, só uma vacina polivalente, usando diferentes antígenos com ação em fases distintas de vida e impedindo o funcionamento de pontos vitais para a sobrevivência do carrapato permitirá maior eficiência no controle”, diz. Enquanto a vacina polivalente não chega, uma recomendação é aproveitar o finalzinho da seca, quando há redução no desenvolvimento.
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