IATF, um mercado em expansão.
Fotos: Divulgação
Ao que tudo indica, criadores estão cada vez mais atentos às vantagens que a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) traz aos rebanhos. A satisfação obtida pelos resultados se reflete nos números que a técnica apresenta: em 2010, foram mais de 5 milhões de protocolos vendidos. Para este ano, a projeção é que este número cresça de 20 a 30% em todo o Brasil.
Por: Cíntia Rocha
Quando o assunto é melhoramento genético, algumas ferramentas têm sido indispensáveis para melhorar a rentabilidade do produtor e facilitar os trabalhos de manejo nas fazendas. O relatório estatístico de importação, exportação e comercialização de sêmen divulgado em março deste ano pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) aponta que a primeira inseminação que se tem notícia no Brasil data-se de 1940, porém comercialmente a técnica somente alcançou impulso a partir de 1970, quando nasceram as primeiras empresas especializadas no ramo. O documento revela, ainda, que a técnica cresceu mais de 300% no País, entre 1991 e 2010.
Com o avanço da IA, uma outra técnica tem caído cada vez mais na graça do produtor: trata-se da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF). A prática permite que as fêmeas sejam inseminadas com data marcada e a reprodução fica sob controle do produtor e é feita com utilização de produtos específicos, conforme explica Mauro Meneghetti, gerente da linha reprodutiva da unidade de negócios Bovinos da Pfizer Saúde Animal. “Com a técnica, podemos inseminar mais vacas em menos tempo, programar a inseminação e o nascimento dos bezerros, aumentar o número de bezerros de Inseminação Artificial no início da estação de nascimento, com melhor aproveitamento da mão-de-obra, entre outros. Com o uso da sincronização da ovulação e IATF, o produtor determina quando e quantos animais serão inseminados”, destaca.
Crescimento

A IATF cresce em torno de 20 a 30% ao ano em todo o Brasil, porém, é na região Central do País, onde ela tem apresentado maior concentração, segundo avalia Cristiano Ribeiro, gerente do Departamento Técnico de Corte e coordenador do Programa IATF ABS Pecplan. Ele sinaliza que, principalmente, nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará e norte do Brasil, a prática tem crescido em volume bem expressivo. “É uma técnica que neste último ano vendeu cerca de cinco milhões de protocolos. Ela não tem mais volta, está sendo muito bem utilizada e de forma muito profissional, notando-se maior predominância no gado de corte”, analisa.
Essa evolução também é observada por Gabriel Augusto de Faria Sandoval, gerente de produtos da Alta Genetics. Ele considera ressaltar que o Brasil ocupa posição de destaque e já é o maior mercado de IATF do mundo. “Num rebanho total de aproximadamente 200 milhões de cabeças, são 50 milhões de vacas servidas por meio da monta natural, sete milhões por inseminação sendo que dessas, cerca de 4,5 a 5 milhões são inseminadas pelo uso da IATF”.
Para Meneghetti, o crescimento dos números evidencia que o mercado está mais confiante nas técnicas e tecnologias disponíveis para reprodução bovina. “Os produtores, de maneira geral, são conservadores e não costumam investir em novas tecnologias num primeiro momento. À medida que eles passam a ter mais conhecimento dos novos serviços, seja por meio de outros pecuaristas que experimentaram novas técnicas ou da mídia, resolvem experimentar também. Com o crescimento dos números registrados no País nos últimos anos podemos observar que isso aconteceu, porque hoje a técnica é mais conhecida e traz resultados muito positivos para os fazendeiros: aumento de lucratividade e produtividade, além do melhoramento genético do rebanho”, salienta.
Meneguetti conta ainda que a IATF pode ser utilizada em propriedades de qualquer tamanho e tem sido indicada para todos os pecuaristas que queiram aumentar a produtividade, com a vantagem de não precisar fazer a detecção de cio nas vacas. “Com isso, ganha-se tempo e agilidade, pois é possível programar a inseminação de vários animais com hora determinada”, salienta, ressaltando que o custo para se ter um animal inseminado varia de acordo com tipo de protocolo utilizado e do tamanho do rebanho.

Nesse sentido, Gabriel Sandoval, pontua que, atualmente, um protocolo base de IATF pode custar em média R$15,00. Se utilizado um sêmen comercial ao preço médio de R$14,00, o custo total por protocolo (sem a utilização de ECG) ficaria em torno de R$29,00/vaca. “Temos que contabilizar o ganho genético através da utilização de touros melhoradores, provados e avaliados por programas de melhoramento genético, e nem sempre esta conta é feita”.
Democratização da técnica?
Cristiano Ribeiro garante que a prática realmente está mais acessível ao produtor, até porque, existem hoje no mercado várias empresas de hormônios, com bons produtos e preços. Assim como há material genético (sêmen) de qualidade ao alcance de todos. “Além disso, hoje também temos no Brasil profissionais que são especialistas nesse assunto. Trata-se de uma mão de obra feita por pessoas treinadas e competentes. Quer dizer, a técnica é acessível e quem fez IATF no começo está aplicando em maior número de animais. Ela está promovendo crescimento também daqueles que não faziam inseminação, porque muitas vezes não tinham o necessário para implantar a técnica. Os técnicos que fazem IATF fazem todo o processo, levam todos os itens necessários, podendo fazer IATF em uma propriedade que nunca inseminou, por exemplo”.
Quando falamos em novidades, Ribeiro comenta que o assunto em evidência neste ano tem sido a ressincronização, que consiste na repetição da prática, dispensando touros de repasse. “Ela é interessante, pois aumenta o número de animais inseminados e promove melhoramento genético. Mas para que uma fazenda faça um bom trabalho em IAFT, é preciso que ela esteja bem estruturada com animais com bom escore corporal e parte sanitária em dia. Não é só chegar e fazer. É preciso profissionalismo”, lembra. Para o técnico, a primeira recomendação é que a propriedade tenha o acompanhamento de um médico veterinário. O que se torna essencial, uma vez que esse profissional é quem vai analisar os animais para ver se eles estão aptos e, de acordo com a estrutura da fazenda, se há condições de se fazer para obter bons resultados.
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Bastante esclarecedor e ajuda a quem está começando essa prática.
Abraços, Arthur