Soluções Integradas para a Cadeia Produtiva do Leite e da Carne

Mercado está andando “de lado”

*Lygia Pimentel

Já são 20 dias. Exatos VINTE dias de mercado completamente parado, sem tendência, anulado por uma lateralidade que já está cansando até os mais pacientes. E em pleno outubrão, hein! Só pra piorar a impaciência.

Estão falando por aí que as escalas encurtaram. Será? Vamos conferir.

Gráfico 1. Evolução das escalas de abate nas principais praças pecuárias.

É tudo verdade, pessoal. De acordo com o levantamento do Cepea/ESALQ, as escalas realmente encurtaram nesse período, com exceção do Mato Grosso. A variação das programações está evidenciada ao lado direito do gráfico. O boi gordo em São Paulo, entretanto, ficou da seguinte maneira:

Gráfico 2. Evolução dos preços do boi gordo calculado pelo indicador Cepea/ESALQ à vista (R$/@).

Certo, concordo. O gráfico foi inútil, mas coloquei apenas para ilustrar a monotonia. Bom, se as escalas estão mais curtas, por que os preços não sobem?

A culpa é da carne, amigos. O boi casado ficou praticamente estável no período, assim como o dianteiro que, na verdade, caiu 1%.

Enquanto isso, após ter ensaiado uma forte reação que favoreceu os embarques de carne bovina para o exterior em setembro, mas a moeda do tio Sam devolveu parte dos ganhos em outubro, tornando nossa carne cara novamente e desfavorecendo nossa competitividade perante os clientes internacionais. Resultado preliminar: parece que o volume embarcado em outubro recuará um pouco em relação ao mês passado.

Assim sendo, um pouquinho mais de oferta aqui dentro foi o suficiente para deixar fornecedores bem abastecidos e tirar a pressão altista que poderia ter se consolidado com escalas decrescentes. Além das exportações, nosso próprio mercado interno sofre um pouco com o fator sazonal, isto é, a segunda quinzena do mês costuma ser mais fraca e conta com um menor número de consumidores indo ao supermercado para fazer compras.

A diferença de preços entre dianteiro bovino e carne de frango continua historicamente esticada, mas transferindo a média para tempos mais recentes, a relação melhorou. Observe:

Gráfico 3. Evolução da diferença de preços entre o dianteiro bovino e o frango no atacado. Desvios máximos e mínimos em que costuma trabalhar.

A questão é que o padrão tem mudado ao longo do tempo, portanto, as referências também têm que se adaptar à nova realidade pra não vivermos de passado. E a nova realidade mostra que a diferença entre essas carnes está em níveis normais, considerando a média atual (de 12 meses). Não há motivos para o consumidor comprar mais frango ou bovino, no momento, a relação está equilibrada. Isso também favorece a lateralidade do mercado.

Bom, gente, resumindo: mercado mais parado que água de dengue e o único indicador que sinaliza alguma coisa são as escalas. Mas quando isso acontece, essa paradeira, em algum momento a corda estoura pra um dos lados, obviamente. E com escalas mais curtas, eu ainda não apostaria em uma queda. O que pode mudar o cenário é a demanda, ao que parece.

Portanto, olho nos preços da carne e também nos preços do frango, que pode dar uma forcinha se subir mais um pouco. Infelizmente, parece que ele tem uma forte barreira nos R$2,00/kg. De toda forma, com escalas mais curtas, fica mais difícil fazer o boi cair neste momento, e se o consumo reagir um pouco (preferencialmente com uma nova alta do frango), aí sim será mais provável observarmos uma reação por parte da arroba nas próximas semanas. O início de mês costuma ser um bom período para isso.

Abraços a todos e até a semana que vem!

* Lygia Pimentel é médica veterinária e especialista em commodities

faxagricola@gmail.com Twitter: @lygia_pimentel

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