Planejamento forrageiro: como e quando começar
Oferecer alimento em quantidade e qualidade ideal durante o ano inteiro aos animais é crucial em qualquer sistema de produção. Na pecuária, não podia ser diferente. Confira algumas dicas essenciais recomendadas por quem é autoridade nesse assunto para obter, e com sucesso, pastagens bem produzidas e bem manejadas.
Por: José Luiz Silva
Com a chegada da estação das águas, é hora de se iniciar o planejamento forrageiro das pastagens. Afinal, sabe-se que é neste período em que se é realizado também o planejamento para o período seco. Por isso, é preciso ficar atento, pois acertos e erros cometidos para a produção e manejo do pasto podem perdurar pelo próximo ano, interferindo, diretamente, nos resultados do desempenho dos animais. De acordo com o engenheiro agrônomo Marcelo Ronaldo Villa, do Departamento Técnico do Grupo Matsuda, em função da sazonalidade de nosso clima. Planejamento forrageiro tem sido a principal ferramenta para evitar prejuízos ao produtor.“Para prevenir que o período seco traga prejuízos, o ideal é que se faça o planejamento da reforma de pastagens degradadas, da recuperação daquelas aonde se tem um bom stand de plantas, efetuando o controle de ervas daninhas, a aplicação de corretivos (calcário), a adubação fosfatada e a adubação com nitrogênio e potássio. Isso ajudará para que as plantas tenham condições de se desenvolverem bem e produzirem muita forragem”, ressalta.
Trabalhar com sistema de rotação de pastos e ter na propriedade mais de uma espécie de forrageira são outras práticas que ele recomenda. “É importante trabalhar com diferentes cultivares que possam ser bem explorados no período chuvoso e espécies que tanto podem ser exploradas no período chuvoso, mas, principalmente podem ser diferidos para servirem de reserva no período seco do ano (feno em pé)”, explica o especialista, lembrando ainda que uma alternativa é ter uma área reservada para cama, que pode ser utilizada na forma de silagem ou servida picada in natura. Em alguns casos, a propriedade pode contar ainda com uma área com espécies próprias para a produção de feno. A prática da Integração Lavoura-Pecuária-Silvicultura é indicada como um bom sistema para se recuperar pastos degradados, com vantagens econômicas,mesmo que a médio prazo.
Planejamento passo-a-passo


Quatro são as orientações iniciais para a formação de uma boa pastagem, seja na formação ou recuperação de novas áreas, indicadas por Villa. A primeira delas é a retirada de uma amostra de solo, que deve ser enviada para analise em laboratório para que se faça, caso necessário, a correção da acidez do solo (calagem), adubação de plantio (adubos fosfatados) e adubação de cobertura (Nitrogênio e Potássio). A segunda recomendação é o preparo do solo, eliminando a vegetação existente, no sistema convencional, através de gradagens (pesada), aração (disco ou aiveca) e gradagem (leve). Se a opção for o sistema de plantio direto, deve-se eliminar a vegetação existente através da aplicação de herbicidas — um ou vários produtos herbicidas combinados, dependendo de quais plantas existem na área. O terceiro passo é a aplicação de calcário, quando necessário, seguido pela aplicação de fertilizante. “Para a recuperação de pastagens, se a área está formada e apenas precisa de manutenção, basta apenas repetir o primeiro,
terceiro e quarto passos, em todos os sistemas (convencional ou plantio direto) da mesma forma que empregado o plantio direto”, destaca.
Cuidado e escolha de sementes
A umidade é fator fundamental para a germinação das sementes, porém, não se é recomendado que se faça o plantio logo no início da estação chuvosa. Isso porque, segundo o agrônomo, o período seco pode ter sido muito prolongado e as primeiras chuvas podem não serem suficientes para que o solo tenha uma boa reserva caso aconteça um veranico — período sem chuva dentro da estação chuvosa do ano que pode ser de 15 a 20 dias. “Se as sementes já estiverem iniciado o processo de germinação, se faltar umidade, elas podem morrer, perdendo, desse modo, todo o plantio”, adverte.
Outro problema apontado por ele, e muito comum de acontecer quando se faz o plantio no início das chuvas, é a incidência com maior frequência de chuvas torrenciais (volume alto) que podem aprofundar as sementes no solo, impedindo sua germinação satisfatória. “Para que uma semente germine de modo satisfatório, é necessário que três condições climáticas ocorram ao mesmo tempo: temperatura, luminosidade e umidade”, enumera. Além dos cuidados quanto ao momento certo de se plantar a semente, o produtor precisa de cautela na hora de escolha daquela que possa atender da melhor forma os objetivos de sua produção.
Por isso deve-se levar sempre em consideração os fatores que limitam a sua produção, como a fertilidade do solo, tipo de solo (argiloso, arenoso, etc), topografia do terreno, grau de drenagem, ataque de insetos e doenças, espécie e categoria animal, tipo de manejo e utilização. A espécie ou cultivar que se adaptar melhor a esses fatores é a que deve ser escolhida”, aponta, aconselhando que o produtor não deve deixar a semente ser o último insumo a ser adquirido quando tomar a decisão de reformar ou formar uma nova pastagem.

Além dos padrões mínimos de pureza e germinação, ou viabilidade, estabelecidos e válidos através da Instrução Normativa no 30, de 21 de maio de 2008 (que traz no anexo III os índices mínimos de cada categoria de sementes de forrageiras), a qualidade da semente é indicada também por meio de seu aspecto sanitário e níveis de ervas daninhas. Para evitar a compra de sementes de má qualidade e evitar as famosas “sementes piratas”, Marcelo Ronaldo Villa enumera algumas dicas:
- Sempre verificar se a empresa apresenta em sua embalagem endereço, CNPJ e número no Renasem;
- Na embalagem deve constar uma etiqueta que contenha o nome do cultivar que está se adquirindo, índice de pureza, viabilidade ou germinação dentro do padrão exigido por lei;
- Verificar categoria, safra que foi produzida a semente, prazo de validade do produto e peso da embalagem;
- Exigir nota fiscal e o termo de conformidade da semente.
De acordo com o técnico, a preocupação com esses itens traz segurança quanto à garantia do produto. Entretanto, o produtor pode ainda retirar uma amostra da semente adquirida em acordo com a legislação vigente e enviar a um laboratório para que proceda a análise para verificar se o que está no rótulo (etiqueta e termo de conformidade) está correto. “É preciso também tomar cuidado com valores muito abaixo do que está correndo no mercado. Quando falamos nesse tipo de produto, uma coisa é certa: não existem milagres”, acrescenta.

Por fim, Marcelo Ronaldo Villa lembra que o investimento feito na formação do pasto, quando se faz a opção pela qualidade, é sempre um gasto mais alto. Mas, o produtor que adquire uma semente de qualidade, com tecnologia diferenciada certamente opta pela segurança, por ter um stand de plantas dentro do adequado para uma boa formação e bom fechamento do solo.
“As plantas que apresentam alto vigor, consequentemente, possibilitam uma entrada antecipada dos animais na área, maior produção de massa (MS – matéria seca) por hectare, risco quase zero de levar junto a essa semente pragas e doenças que podem futuramente inviabilizar outros cultivos e, principalmente, que venham a aumentar os custos de produção”, finaliza ele, assegurando que se o produtor tiver uma planta que irá produzir mais por hectare, como resultado ele terá maior produção por hectare seja ela de carne, leite ou bezerros, dependendo da atividade.
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