Suplementar nas águas é mais importante que durante a seca, diz técnico da Embrapa.
FOTO: DALÍZIA AGUIAR/CNPGC-EMBRAPA
A suplementação mineral de bovinos na época das águas sempre apresentou divergência por parte de criadores e técnicos. Geralmente os produtores entendem que, nessa época, a boa disponibilidade de matéria seca das forragens e os pastos verdes, são os fatores primordiais para não se utilizar suplementos nessa época. Mas, para os técnicos que atuam na área, essa é uma conduta que pode trazer consequências danosas para os animais.
Segundo o engenheiro agrônomo, doutor em Ciência Animal e Pastagem pela Esalq/USP e pesquisador da área de nutrição animal da Embrapa Gado de Corte, Sérgio Raposo, a suplementação com sal mineral “tem por objetivo fazer com que o potencial produtivo da pastagem não seja limitado por deficiências minerais”. Assim, para ele, a suplementação mineral “é mais importante nas águas do que na seca, quando a pastagem fica com pior qualidade e o fator limitante costuma ser o seu teor de proteína, o que resulta em ganhos mais baixos”. Assim, a principal finalidade da suplementação no período das águas é, para o agrônomo, “complementar os minerais que o animal ingere com a pastagem e, assim, permitir que todo o potencial produtivo da pastagem seja expresso. Ou seja, que o desempenho não seja limitado pela deficiência de algum mineral”.
Por outro lado, Sérgio Raposo destaca que “os melhores desempenhos ocorrem nas águas e, quanto maior o ganho dos animais, maior a exigência de minerais. Por isso a mineralização é mais importante nas águas do que na seca. Na seca, devemos corrigir o déficit proteico primariamente e, depois, o de minerais também (mas que serão menos exigidos, pois o desempenho é menor – ainda que na seca o teor de minerais da pastagem também piore)”.
Para o técnico da Embrapa Gado de Corte, “é bem simples – e talvez por isso mesmo o produtor seja tão descuidado – atender o aumento do metabolismo dos animais e, consequentemente, obter melhores resultados na produtividade da carne e do leite”. Para isso, ele enumera três etapas simples: “1) Escolher o mineral indicado para a categoria e local em que se esteja interessado suplementar; 2) Fornecer com frequência, de forma a nunca deixar o saleiro vazio (ou que não fique por mais de um ou dois dias); 3) Usar o espaço de cocho recomendado para o produto. Para suplementos minerais, recomenda-se 6 cm/UA (Uma Unidade Animal – UA = animal de 450 kg)”.

FOTO: DALÍZIA AGUIAR/CNPGC-EMBRAPA
Mercado
São várias as empresas que oferecem, no mercado brasileiro, suplementos minerais, energéticos e proteicos específicos para bovinos de corte ou de leite. Muitas delas têm, também, programas de nutrição que abrangem todas as fases do rebanho — cria, recria, engorda e reprodução. Diante dessa oferta, Sergio Raposo orienta que, especificamente no caso de suplementação mineral, “basta seguir as orientações já citadas, nas três etapas. Em geral, elas são mais do que suficientes para ter bons resultados com o mínimo de desembolso. Suplementação com produtos de maior consumo (misturas múltiplas, referidos como suplementos proteicos ou energético-proteicos) podem ser interessantes, mas sempre é necessário fazer uma avaliação de custo-benefício, uma vez que é feito um desembolso maior”.
O técnico explica, ainda, que, dentre as categorias, a cria fêmea é a mais exigente em nutrientes. Para ele, “os animais mais exigente são aqueles que têm mais alta taxa de ganho. As primíparas também tem alta exigência quando possuem a cria ao pé, pois precisam que sejam atendidas as exigências de lactação e as exigências do seu próprio crescimento”.
Estiagem longa
Nos dois últimos anos, o período da seca no País foi bem atípico em relação aos mesmos períodos de anos anteriores. Para evitar perdas causadas pela seca, Sérgio Raposo adverte que, na nutrição de animais nas águas, “não existe uma preparação para enfrentar a próxima seca, pois não há como prever como ela será. Na verdade, se de antemão soubéssemos que a seca seria muito intensa, talvez uma das coisas que, em tese, poderíamos fazer, seria ganhar o mínimo possível nas águas, pois eles chegariam mais leves e exigindo menos do capim na seca (e também porque o ganho das águas seria em grande parte perdido). O que devemos preparar para a seca é a massa de forragem, vedando pastos (maneira mais economia e com bons resultados) ou termos forragem suplementar (silagens, cana, etc.)”.
A disponibilidade e o tamanho de cochos são muito importantes dentro do manejo nutricional. O técnico da Emprega indica como dispor esses cochos e fontes de água na propriedade para que o manejo seja correto, destacando que os cochos “devem ser suficientes para o lote que vão servir e os 6 cm/UA de espaço linear são uma boa referência como valor mínimo de cocho. É sempre desejável oferecer mais do que isso, se possível. Também é melhor ter 2 cochos de 1,5 m do que 1 de 3 m, pois o produtor poderá distribuí-los para que um deles seja alternativa para o animal mais submisso, que tem medo de outros animais dominantes. A localização deve ser em local que facilite o controle de consumo e a sua recarga. A localização pode ser usada também como forma de estimular ou inibir o consumo. Cochos perto do malhadouro e da água, favorecem o consumo do mineral, sendo o inverso também verdadeiro. O que pode ocorrer quanto usamos artifícios como deixar longe da água para reduzir consumo é que uma parte do lote pode ficar sem consumir. O que ocorre é que os bovinos são gregários e, quando os líderes do grupo saem de perto do local onde estão os cochos, todo o lote vai, inclusive animais que não tiveram oportunidade de consumir o sal mineral”.
Redação Boi a Pasto
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