• Nutrição
  • A escolha de sementes forrageiras exige cuidados para que se evite prejuízos

    25/10/2016
    Escolher a melhor semente de forrageira para formação, reforma ou recuperação de pastagens, é um processo que exige planejamento e cuidados especiais, para que se evitem sérios prejuízos no futuro.

    Ronaldo Villa*

    E esse perigo aumenta nos dias de hoje, quando os meteorologistas alertam que os últimos anos foram marcados por um aquecimento recorde no Oceano Pacífico, provocado principalmente pelo fenômeno do El Niño, o mais forte registrado desde 1998 e que deve ficar entre os três mais poderosos de que se tem conhecimento.

    A atuação mais prolongada do fenômeno sobre a América do Sul reduziu as chuvas na maioria das áreas do país, que foram boas somente até meados de março. Depois disso, na época mais importante da germinação na produção de sementes forrageiras, as principais regiões produtoras do País, como Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Oeste da Bahia e mesmo Oeste de São Paulo, sofreram um período de mais de 40 dias de estiagem, prejudicando as cultivares mais tardias, de ciclo mais longo, como a Panicum e a Braquiária. Segundo os produtores, sementes dessas cultivares certamente faltarão no mercado. Como os estoques de sementes da safra 2014/2015 praticamente se esgotaram, os produtores preveem uma quebra na atual safra, o que deverá provocar a falta de sementes no mercado para o plantio que deve se iniciar em setembro e outubro deste ano.

    E esse poderá ser o dano maior para os pecuaristas, pois a falta de oferta de sementes certificadas no mercado, pode ser uma das principais causas do uso de sementes de má qualidade ou das chamadas “sementes piratas”. Hoje no mercado de sementes para pastagem ainda há um grande volume dessas sementes, cujo principal atrativo para sua utilização é o preço do quilo desse material (não ouso chamá-la de semente). São produtos com índices de pureza menor do que o mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA e apresentam sementes de ervas daninhas acima dos parâmetros mínimos estabelecidos. A quantidade de impurezas presentes (terra, granulados, sementes chochas, palha, etc.) faz com que o frete fique mais caro e não há nenhuma garantia para o usuário.

    São comuns os exemplos de fazendas condenadas por utilizar sementes de baixa qualidade. São propriedades infestadas com ervas daninhas e a pastagem totalmente degradada. O controle químico dessas ervas daninhas fica mais caro que o preço do hectare. A reforma mecanizada da pastagem é muito cara, pois há tocos (restos da derrubada) em todos os piquetes e precisam ser retirados. O cultivo agrícola para minimizar os custos da reforma é algo impossível, pois não existem estradas, secadores e muito menos locais para armazenamento. Vejam o problema causado por utilizar uma semente de baixa qualidade. Este é o exemplo típico do barato que saiu caro.

    Poucos produtores fazem contas, principalmente comparando os custos do quilo da semente de baixa qualidade, com os custos por hectare de sementes de má qualidade. Mas sabe-se que esse insumo represente menos de 10% do custo total da formação de uma pastagem, que está em torno de R$1.000,00/ha, dependendo da região, do preço de outros insumos, do custo da hora de máquinas e equipamentos, etc.

    Outro problema é o mau planejamento por parte do produtor no momento de reformar uma pastagem degradada. Por conta disso, os custos sempre ultrapassam o orçamento que foi estabelecido, gastando muito com preparo de solo, correção e fertilização do solo, conserto e manutenção de máquinas e equipamentos, mão-de-obra, e quando chega o momento de comprar as sementes, com o “caixa baixo”, o produtor é obrigado a comprar sementes mais baratas no mercado, que nem sempre são de qualidade. Além disso, a chamada “semente pirata” está conseguindo se infiltrar no mercado, justamente pelo seu baixo custo, apesar das medidas adotadas pelo MAPA.

    Por esse motivo, a escolha das sementes e a maneira de utilizá-la devem ser um cuidado que todo produtor precisa levar em consideração. Inclusive a escolha da espécie forrageira deve ser feita de acordo com as orientações técnicas, dependendo das características de cada pasto e ainda de acordo com os fatores limitantes da área de plantio: fertilidade do solo, tipo de solo (argiloso, arenoso, etc.), topografia do terreno, grau de drenagem, ataques de insetos, doenças, categoria animal, utilização e outros”.

    A legislação de sementes, através da Instrução Normativa nº 30 de 21 de maio de 2008, que foi alterada em 26 de outubro de 2010, estabelece os índices mínimos de pureza para todas as Brachiaria de 60% e de 40% para as sementes de Panicum maximum. O índice para germinação/viabilidade é de 60% para as Brachiaria (exceto B. humidicola que é de 40%) e de 40% para os P. maximum.

    Vale ressaltar, ainda, que a semente incrustada é apenas um dos fatores para o sucesso no estabelecimento de uma pastagem. A qualidade das sementes utilizadas no estabelecimento é fundamental. A dosagem utilizada também interfere nesse estabelecimento, além do preparo do solo, o controle das plantas invasoras, o cuidado com os ataques de insetos, solo sem déficit hídrico, temperatura do solo acima de 20ºC, pelo menos 10h de luz por dia, profundidade das sementes no plantio, cuidado com a fermentação do material orgânico no solo, entre outros.

    *Ronaldo Villa é engenheiro agrônomo do Departamento Técnico de Sementes do Grupo Matsuda.

    Fonte: Taxi Blue Comunicação Estratégica



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