• Sanidade
  • A importância do controle parasitário em bovinos e a resistência dos parasitas aos princípios ativos

    04/08/2017
    Contando com um rebanho bovino de mais de 200 milhões de cabeças, o Brasil apresenta grande destaque na cadeia agroindustrial.

    O controle dos parasitas em bovinos é um importante fator na produção, uma vez que causam grandes perdas econômicas, devido:  a quedas de produtividade de carne e leite, retardo nas idades de abate e reprodutiva, transmissão de patógenos, podendo ocasionar, até mesmo, a morte de alguns animais, o que diminui significativamente a rentabilidade pecuária.

    Segundo o médico veterinário Gustavo Martins, responsável técnico comercial pelo laboratório Vete&Cia, do Grupo Matsuda, foram feitos estudos para se estimar as perdas potenciais anuais, considerando-se o número total de animais em risco e os efeitos negativos do parasitismo sobre a produtividade. Parasitas relevantes que afetam o bem-estar do gado e a produtividade no Brasil e, seu impacto econômico em dólares incluem: nematódeos gastrintestinais - US$ 7,10 bilhões; carrapato bovino (Rhipicephalus(Boophilus) microplus) - US$ 3,23 bilhões; mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) - US$ 2,55 bilhões; berne (Dermatobia hominis) - US$ 0,36 bilhão; mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax) - US$ 0,33 bilhão; e a mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) - US$ 0,33 bilhão. A perda econômica anual combinada devido aos parasitos internos e externos dos bovinos, aqui listados, foi estimada em pelo menos US$ 13,93 bilhões.

    Ainda segundo o veterinário da Vet&Cia, as tentativas de combate e controle dos parasitas são, na maioria das vezes, realizadas de forma incorreta, sendo fundamentadas no uso contínuo de produtos químicos, com uso excessivo de aplicações por ano, aplicações em épocas erradas e uso desordenado de bases terapêuticas. Assim, tem-se um alto custo de produção, objetivos do controle não alcançados e, ainda, prejuízos mais sérios, como a seleção de organismos aptos a sobreviver ao efeito tóxico dos fármacos, ou seja, a resistência.

    Nas últimas décadas, importantes famílias de antiparasitários de amplo espectro de ação, poder residual prolongado e baixa toxicidade, permitiram ao produtor dispor de ferramentas cada vez mais práticas e adaptáveis aos diferentes sistemas de produção. Porém, essas características criaram um falso sentido de segurança e garantia de eficácia, fazendo com que fatores importantes fossem negligenciados, como por exemplo, a atividade do médico veterinário como consultor em saúde animal e o próprio diagnóstico. Pesquisas acadêmicas demonstraram fatores alarmantes ao constatar que apenas uma pequena parcela dos produtores rurais procura orientação do médico veterinário para tratamentos antiparasitários.

    A resistência parasitária é uma característica hereditária e ocorre quando há um aumento de parasitas capazes de sobreviver ao tratamento. Este fenômeno ocorre para todas as famílias de drogas, e é realidade em vários países do mundo.

    A resistência parasitária em bovinos demonstrada por endo e ectoparasitas é atualmente, talvez, o maior entrave para a pecuária comercial nacional e em vários países de regiões e tropicais e subtropicais.  O intervalo inicial (meses/anos) para que este fenômeno inicie depende da espécie do parasita, da presença de genes que conferem resistência, da pressão de seleção exercida pela droga utilizada e do tipo de manejo escolhido para cada situação.

    Assim, já existindo o problema da resistência helmíntica, em maior ou menor grau, frente aos princípios ativos utilizados, outras medidas de combate e controle devem ser pensadas e colocadas mais em prática. Técnicas de pastejos alternados ou em associação entre espécies, controle estratégico e tático, rodízio de princípios ativos efetivos e testados, rotação de pastagens, e outras existentes, devem ser intensificadas, para que possamos depender menos de ativos e, assim tenhamos seus tempos de vida prolongados.

    Fonte: Vet&Cia Matsuda / Taxi Blue



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