• Nutrição
  • A utilização de leveduras na nutrição de ruminantes

    21/06/2016
    O aumento da exigência do mercado consumidor por alimentos seguros e de qualidade superior, aliado a crescente demanda mundial por alimentos, tem pressionado o setor pecuário a adotar estratégias de produção cada vez mais desafiadoras.

    Rafael Achilles Marcelino*

    Neste contexto a intensificação dos sistemas de produção e o melhoramento genético dos animais domésticos promovem constantes alterações nas exigências nutricionais e, consequentemente, na formulação das dietas para ruminantes. A proibição do uso de antibióticos como promotores de desempenho na Europa e nos países produtores de alimentos de origem animal tem motivado os estudos em aditivos microbianos para a nutrição animal. Neste sentido, os probióticos e prebióticos têm sido amplamente estudados com o objetivo de substituir os antibióticos, promovendo ainda mais benefícios para o sistema de produção animal.

    Leveduras são fungos unicelulares, principalmente do gênero Sacharomyces, tradicionalmente utilizadas na fermentação do açúcar para a produção geralmente de bebidas destiladas e combustíveis e, ultimamente, empregadas como aditivos em suplementos alimentares para ruminantes.

    Nos últimos anos, a produção de leveduras vivas, inativas e de seus derivados passou a ser uma alternativa economicamente atraente para muitas indústrias. Este interesse é impulsionado pelos resultados preliminares de pesquisas em nutrição animal, que sinalizam para estas oportunidades, bem como pela crescente oferta do produto, estabelecida pela elevada produção mundial de álcool e biocombustíveis.

    No caso das destilarias brasileiras, esta visão tem sido explorada desde o início da década de 80, pela perspectiva da produção de levedura seca inativa, quase que na sua totalidade proveniente da atividade sucroalcooleira, sendo destinada à indústria de ração animal (figura 1). Dentre os benefícios do uso de dietas com leveduras para ruminantes, destacam-se a otimização do ambiente ruminal, a partir da prevalência de bactérias ruminais benéficas, o aumento da digestibilidade da fibra e do fluxo de proteína microbiana para o intestino delgado, além de promover melhor conversão alimentar.

    Figura 1 – Levedura seca para uso na alimentação de ruminantes

    Benefícios do uso de leveduras na alimentação de ruminantes

    De acordo com Wallace e Newbold (1993), na média, os dados publicados indicam que os aditivos microbianos apresentam efeito positivo sobre a produção de leite e o ganho de peso numa magnitude semelhante aos ionóforos (7% ou 8% de aumento). Respostas médias publicadas em vários trabalhos indicaram que a adição de leveduras a dietas de bovinos aumentou em 9,5% o peso vivo, em 7,8% o ganho de peso de novilhos e em 3,9% a produção de vacas em lactação. O aumento no número de bactérias viáveis e de bactérias celulolíticas parece ser o efeito mais consistente em reposta ao uso de leveduras na alimentação de ruminantes.

    A maior concentração de ácidos graxos voláteis e proporção molar de propionato, o decréscimo na concentração de ácido lático no líquido ruminal e a menor variação do pH após as refeições e amônia ruminal, estão associados à suplementação com levedura. Mudanças na população microbiana também têm favorecido a digestão ruminal, por meio da remoção de 02 e do fornecimento de nutrientes que estimulariam o crescimento de bactérias, fungos e protozoários ruminais.

    Embora o rúmen seja um ambiente considerado anaeróbico, a porção gasosa deste compartimento contém entre 0,5 e 1,0% de oxigênio, a levedura viva poderia consumir o oxigênio dentro do rúmen e, portanto, estimular o crescimento de bactérias anaeróbicas.

    Leveduras também atuam no ambiente ruminal de forma indireta sobre a metanogênese (produção do gás metano). Esses microrganismos são potencializadores do hidrogenotropismo pelas bactérias acetogênicas, tornando-as concorrentes em potencial pelo hidrogênio livre no rúmen. Em determinadas situações, as bactérias acetogênicas não são capazes de competir com as metanogênicas pela sua menor afinidade por H2, em resumo as leveduras reduzem a produção e emissão de metano pelos ruminantes.

    O extrato de levedura é utilizado como ingrediente aromatizante, além de uma boa opção como fonte de nutrientes na alimentação animal. Sua composição consiste em aminoácidos, peptídeos, carboidratos e minerais (tabela 1).

    Tabela 1 - Composição de derivados de levedura expressa com base na matéria seca

    A estimulação do sistema imunológico (macrófagos) e o combate a infecções, bem como a eliminação de bactérias patogênicas, toxinas e vírus pelo intestino também são benefícios conseguidos através da levedura.

    Conclusões

    Apesar de comprovadas por alguns estudos, alterações na população microbiana, na digestibilidade da MS e de seus componentes, no pH ruminal e na produção de AGV’s, em função da presença de leveduras no rúmen, não foram completamente esclarecidas, devendo estes estudos ser aprofundados.

    As leveduras colaboram para a diminuição do 02 ruminal, favorecendo as bactérias anaeróbias estritas e a colonização da fibra e das partículas maiores presentes no rúmen, localizadas na sua porção superior.

    Leveduras favorecem o desempenho de ruminantes, em especial o ganho de peso e a produção de leite no primeiro terço de lactação.

    O uso de leveduras inativas e seus derivados na alimentação de ruminantes deve ser melhor compreendido, já que a oferta destes prebióticos é crescente, em função da abertura de novos mercados para produtos de destilarias.

    O uso de leveduras é um investimento muito baixo se comparado com os resultados positivos encontrados nas pesquisas. O mercado disponibiliza inumeros produtos que contêm leveduras vivas. A escolha adequada de cepas e concentrações (ufc/g) pode resultar no sucesso dessa tecnologia implantada na fazenda.

    * Rafael Achilles Marcelino - Universidade Federal de Lavras

    Fonte: 3rlab

     

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