• Sanidade
  • Afecções podais em bovinos leiteiros

    30/05/2018
    Atualmente, o problema de cascos dos bovinos tornou-se uma enfermidade de destaque no cenário da pecuária leiteira mundial, devido ao grande impacto econômico que acarreta.

    *Por Bruna Martins Guerreiro e Marcelo Feckinghaus

    Os prejuízos desencadeados são atribuídos ao descarte prematuro, à redução dos índices produtivos e aos altos custos com tratamentos dos animais acometidos (BORGES, 1998). Devido à elevada incidência dos problemas de casco, principalmente em animais criados em sistemas intensivos (confinados), medidas eficazes de tratamento e controle devem ser utilizadas para minimizar as perdas produtivas.

     Afecções dos cascos comprometem severamente a produção leiteira e a eficiência reprodutiva das fêmeas. Os animais doentes apresentam dor intensa e claudicação (manqueira), o que provoca dificuldade ao andar, alcançar o cocho de alimentação, o que faz com que os animais fiquem deitados por longos períodos. Consequentemente, essas vacas podem possuir folículos ovarianos persistentes, demonstrar menos cio e apresentar intervalo entre partos superior às saudáveis (COLLICK, 1989; MELENDEZ, 2003).

    Diversos fatores podem ser responsáveis pelo aparecimento dos problemas de cascos em bovinos, dentre eles, estão o excesso de umidade, higiene deficiente, ausência de uso do pedilúvio, pisos abrasivos, traumas, falta de conforto nas instalações, problemas nutricionais, ocorrência de doenças sistêmicas e predisposição genética (defeitos de aprumos). É importante destacar, ainda, que o manejo dos animais pode ser associado às afecções dos cascos, principalmente quando os animais são obrigados a permanecer por longos períodos em pé.

    Qualquer lesão possibilita que bactérias invadam os tecidos e provoquem infecção. Os quadros podem variar de áreas restritas ou até mesmo acometer estruturas profundas como ligamentos e articulações. Os animais podem apresentar claudicação, sensibilidade ao toque, podendo ou não estar acompanhado de inchaço e vermelhidão da região. Em casos mais graves, pode ser observada presença de secreção sanguinolenta com odor pútrido. Podem ocorrer lesões irreversíveis nos cascos e articulações caso nenhum tipo de tratamento seja realizado (CARLTON, W. W.; McGAVIN, 1998).

    É importante identificar os machucados rapidamente para evitar agravamento. Diante disso, o escore de locomoção é uma ferramenta de manejo que auxilia no levantamento da prevalência dos problemas de casco no rebanho, na interpretação da severidade e na duração dos casos da propriedade. Essa avaliação é realizada por meio da observação dos animais se locomovendo sob uma superfície plana e classificada em graus:

    Escore 1 (saudável): observa-se a linha do dorso reta quando o animal está em estação e em movimento. Membros bem apoiados no solo, com boa distribuição do peso.

    Escore 2 (leve): observa-se a linha do dorso reta quando o animal está em estação, mas durante a locomoção apresenta-se levemente arqueada. Todos os membros estão bem apoiados.

    Escore 3 (moderado): observa-se a linha do dorso arqueada quando o animal está em estação e em movimento. Ligeira alteração nos passos.

    Escore 4 (severo): observa-se a linha do dorso arqueada quando o animal está em estação e em movimento. O animal procura retirar o peso do membro acometido, mas ainda consegue apoiá-lo.

    Escore 5 (muito severo): incapacidade de sustentação do peso no membro acometido. Marcha totalmente comprometida.

    Fonte: http://www.zinpro.com/lameness/dairy/locomotion-scoring

    Para minimizar os prejuízos econômicos ocasionados pelas afecções podais em bovinos, as empresas de saúde animal dispõem de potentes antimicrobianos e anti-inflamatórios. Um dos mais comuns é à base de Ceftiofur, que pertence ao grupo das cefalosporinas de terceira geração, com formulação altamente concentrada.

    Para finalizar, de nada adianta tratar os animais doentes se não houver uma adequação da propriedade para reduzir as afecções. Para isto, deve-se ajustar o manejo, tanto alimentar quanto de casqueamento preventivo e curativo, limpeza do ambiente, bem como proceder a instalação de pedilúvio para reduzir a incidência da doença.

    *Bruna Martins Guerreiro e Marcelo Feckinghaus são especialistas técnicos da Ourofino Saúde Animal

    Fonte: Ourofino / ComTexto



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