• Manejo
  • Cadeia produtiva investe no bem estar animal

    15/06/2015
    Ações e produtos que reduzam o sofrimento dos animais estão em destaque no mercado.

    Texto de Mônica Costa

    As exigências por uma alimentação mais saudável também permeiam a questão da prática do Bem Estar Animal (BEA). Pesquisas comprovam que a capacitação de funcionários para evitar os maus tratos e o estresse nos animais é importante também do ponto de vista financeiro. Diversos estudos demonstram que animais submetidos a práticas de manejo com foco no bem-estar produzem mais.

    Atentos a este novo comportamento do mercado, indústrias, laboratórios e revendas estão investindo na realização de palestras e cursos de capacitação para assegurar o manejo adequado na lida com os animais de produção. “Como seres humanos, devemos respeitar e promover as boas práticas de bem estar do rebanho bovino em toda cadeia. Além disso, está comprovado que há melhora na qualidade da carne e do leite produzidos nestas condições, devido ao menor nível de estresse e lesões de transporte ao frigorífico”, explica Luiz Felipe Lecznieski, gerente de Marketing Veterinário da Saúde Animal da Bayer.

    O tema está cada dia mais presente nas ações de mídia e como reflexo, as indústrias produtoras de proteína animal buscam cada vez maior interação sobre o modelo de manejo. “Muitas empresas já criaram a sua própria política de responsabilidade, tendo comissões de ética e representantes de BEA”, afirma Lecznieski.

    A Bayer iniciou um trabalho de capacitação da equipe de campo, no Brasil, América Latina e região Ibérica.  “Isso é muito importante, pois estamos adquirindo conhecimento teórico e técnico que será posteriormente difundindo para nossos clientes. Muita gente aborda o BEA de maneira filosófica, nós queremos incluir também aspectos fisiológicos e produtivos, o que dará mais embasamento aos produtores”, completa o executivo.

    Ações positivas

    O programa Tratar Bem, lançado pela Bayer, compreende uma série de atividades que visam trazer mais conhecimentos no âmbito veterinário sobre atitudes que atendam e satisfaçam as necessidades dos animais durante o processo de criação no campo. “Nossa intenção é que toda a equipe mantenha um conhecimento profundo sobre bem-estar animal para que todos os envolvidos possam atuar como disseminadores dessas propostas durante o contato com clientes”, explica Sergio Schuler, diretor da Saúde Animal da companhia.

    Outra ferramenta desenvolvida pela companhia é o site www.tratarbem.com. br, onde os visitantes podem conhecer atitudes simples e que contribuem para uma boa relação com os animais. “Esse site é a base de todas as nossas ações, um ponto de consulta para os clientes que desejarem se aprofundar no tema, conhecer bons exemplos, visualizar as últimas notícias e acompanhar a agenda de eventos sobre bem-estar”, completa Lecznieski, o gerente de Marketing Veterinário.

    A propagação de informações sobre BEA também é uma ferramenta utilizada pela Beckhauser, fabricante de troncos de contenção e balanças, para ampliar a capacitação dos envolvidos. “Trabalhamos esse tema constantemente em todos os materiais de divulgação produzidos pela empresa, desde o site até os manuais de produtos”, afirma Mariana Soletti Beckheuser, Vice Presidente Executiva da Beckhauser.

    Um informativo chamado “Manejo”, onde são divulgados casos de sucesso na implementação de boas práticas e dicas de manejo de fácil implementação é publicado bimestralmente pela empresa. “Há três anos, criamos em Campo Grande, MS, a HStore, uma concessionária de troncos de contenção e balanças, que conta com um espaço de eventos destinado a reunir pecuaristas, técnicos, vaqueiros, estudantes e demais pessoas ligadas à cadeia produtiva da carne para debater sobre pecuária de qualidade, tendo como base de sustentação a difusão dos conceitos de bem-estar animal e manejo racional”, continua Mariana.

    A ação mais recente da Beckhauser foi a criação do Centro Experimental de Manejo Racional (CEM) em parceria com a Fazenda Arca de Noé em Guairaçá, PR, que tem o propósito de ser um centro de referência e formação de pessoas para a pecuária. “Temos realizado periodicamente cursos de manejo racional para vaqueiros, técnicos, estudantes, pecuaristas; também promovemos dias de campo e abrimos espaço para instituições de ensino e pesquisa para a realização de estudos”, completa a vice diretora da empresa.

    Impactos financeiros

    A importância do bem-estar animal na atividade pecuária tem dois motivos principais: o primeiro é o compromisso de quem cria. “Se esses animais nascem para dar a vida por nós, o mínimo que nós temos de responsabilidade é tratá-los da melhor forma possível” diz Mariana. E o segundo é a questão econômica. Diversas pesquisas mostram ganhos em índices produtivos com um manejo adequado, além dos exemplos de fazendas que adotaram boas práticas e têm colhido resultados significativos, como o aumento no rendimento de carcaça. Isso sem contar a relação com a segurança alimentar, pois um animal que sofre estresse e maus tratos, produz uma carne de menor qualidade, a conhecida DFD (seca, firme e escura), que tem também menor tempo de prateleira.

    Embora as regras do comércio internacional, atualmente, ainda não prevejam restrições quanto ao bem-estar animal, tem se evidenciado uma demanda crescente de diversos mercados consumidores (União Europeia, por exemplo) por produtos de animais criados com esse conceito.

    E o consumidor final está cada vez mais consciente e exigente em relação à forma como animais destinados ao consumo são tratados. “O mercado de produtos voltados à saúde animal está cada vez mais focado em oferecer soluções capazes de reduzir o impacto ambiental e que estejam alinhadas às tendências de bem-estar animal”, informa Evandro Poleze, Diretor Associado da Unidade de Negócios Suínos da Zoetis, multinacional de saúde animal que tem promovido ferramentas e serviços que, além de garantir a sanidade, tenham o bem-estar animal como uma de suas premissas.

    Poleze reforça a importância do treinamento da mão-de-obra para a manutenção do bem-estar na granja. “Estudos comprovam que, fêmeas estressadas apresentam respostas imunológicas (reação dos anticorpos) comprometidas e produzem colostro pobre em imunoglobulinas, alimento essencial para proteger os leitões contra doenças”, diz. Suínos estressados apresentam deficiência imunológica e enfermidades favorecidas pela baixa resistência, como doenças respiratórias, e podem até mesmo sofrer morte súbita ao correr para fugir dos maus tratos.

    Aplicação de produtos capazes de reduzir o impacto ambiental com a foco no bem estar animal.

    Entre os produtos desenvolvidos pela companhia estão a vacina de imunocastração Vivax. A castração de suínos é uma prática de manejo necessária para controlar o odor de macho inteiro e no Brasil, é uma medida obrigatória. Mas a técnicas cirúrgicas oferecem riscos aos animais já que podem apresentar complicações pós-cirúrgicas como doenças, perda de peso e até morte, em casos mais graves.

    A pecuária bovina também conta com uma vacina de imunocastração, o Bopriva, que suprime a produção de progesterona. Da mesma forma, o medicamento evita a castração cirurgia que causa sofrimento ao boi e afeta o seu desempenho. “Estamos levando a informação para o campo a fim de mostrar ao produtor as vantagens do método”, diz Élcio Inhe, diretor da unidade de negócios Bovinos da companhia. 

    Segundo o executivo, a cada 40 dias seis mil fazendas recebem a visita de profissionais que divulgam os produtos e as boas práticas de bem estar animal para os criadores. “A Zoetis, em parceria com a Etco, participou do desenvolvimento de uma serie de manuais de boas práticas de manejo racional que explica até como dar uma vacina sem lesar o animal”, diz Inhe. 

    Parceria com distribuidores

    A Zoetis trabalha com uma rede de distribuidores estrategicamente localizados para atender a necessidade de produtores de todo o País. “Nossos profissionais técnicos estão em constante contato com esses parceiros, realizando treinamentos específicos sobre os produtos e serviços disponibilizados pela companhia para garantir que consigam orientar os produtores na escolha das melhores soluções para suas propriedades”, diz o diretor da unidade suínos.

    A parceria com os distribuidores e agro revendedores tem sido fundamental para o sucesso das iniciativas relacionadas ao bem estar animal. “As revendas têm participação muito importante na disseminação das informações. Por isso mantemos um grande programa de qualificação dos balconistas, pois eles estão em contato direto com o criador e dão mais credibilidade ao trabalho desenvolvido pela empresa”, finaliza.

    Cinco princípios do Bem Estar

    • Acesso livre à água e alimentos de qualidade;

    • Isenção de doenças ou dor;

    • Proteção contra desconfortos como, por exemplo, o térmico;

    • Manter o animal livre de medo ou sofrimento e;

    • Permitir a expressão do comportamento natural característico de cada espécie.

    São fatores importantes que precisam ser adotados nas rotinas das fazendas e que envolvem questões sanitárias, de ambiência, nutrição, manejo e transporte, sendo que essas ações impactam tanto na saúde física quanto na emocional do animal.

    Reportagem publicada na edição nov/dez 2014 da revista AgroRevenda. Transcrição autorizada.

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