• Nutrição
  • Capim-Elefante BRS Kurumi: porte baixo, adaptado para pastejo

    30/05/2018
    O capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum.) é uma gramínea perene originária da África que apresenta elevada produção de forragem de ótimo valor nutritivo. A forrageira é utilizada principalmente como capineira e sob pastejo.

    Carlos Augusto de M. Gomide; Domingos Sávio C.Paciullo; Francisco José da Silva Lédo; Antonio Vander Pereira; Mirton José F. Morenz; Alexandre Magno Brighenti*

    Desde 1991, a Embrapa Gado de Leite, com a colaboração de outras instituições de pesquisa e extensão, tem desenvolvido novas cultivares de capim--elefante para uso sob pastejo e capineira.

    A cultivar BRS Kurumi, desenvolvida pelo programa de melhoramento genético de capim-elefante da Embrapa, apresenta porte baixo (anão), sendo adaptada para uso sob pastejo.

    A cultivar originou-se do cruzamento entre as cv. Merkeron de Pinda (BAGCE 19) e a cv. Roxo (BAGCE 57), ambas pertencentes ao Banco Ativo de Germoplasma de Capim-elefante da Embrapa (BAGCE). Plantas selecionadas deste híbrido foram intercruzadas, resultando na segregação de indivíduos de porte alto e baixo. A cultivar BRS Kurumi foi obtida pela seleção e clonagem de uma das plantas de porte baixo desta progênie.

    A BRS Kurumi caracteriza-se por apresentar porte baixo, touceiras de formato semiaberto, folha e colmo de cor verde e internódio curto. Apresenta crescimento vegetativo vigoroso com rápida expansão foliar e intenso perfilhamento. O plantio é realizado por meio de propagação vegetativa (estacas).

    Implantação da cultura

    O solo deve ser preparado de forma convencional, com o objetivo de torná-lo destorroado e uniforme. O número de arações e gradagens irá depender do tipo de solo e de condições específicas de cada região. Com base na análise química do solo, deve ser feita a calagem, para neutralização do alumínio e fornecimento de cálcio e magnésio. Para uso sob manejo intensivo recomenda-se a calagem para elevar a saturação por base a 50-60%, ou a pH 5,5 no caso do sul do País.

    A adubação fosfatada deve ser realizada no sulco de plantio, com base no resultado da análise de solo. Em solos com baixos níveis de fósforo recomenda-se a aplicação de 100 kg/ha de P2O5.

    O plantio do capim-elefante é, tradicionalmente, feito em sulcos com 20 cm de profundidade e espaçamento variando de 50 a 80 cm. Espaçamentos menores aceleram o fechamento das entrelinhas, mas aumentam a demanda por mudas.

    O rendimento médio de mudas do capim-kurumi é quase a metade do capim-elefante Napier, ou seja, 1 hectare fornece colmos para o plantio de 3 a 4 hectares. Uma forma alternativa de plantio pode se feita em covas com estacas ou mudas.

    Neste caso, o espaçamento recomendado é de 50 x 50 cm, e o rendimento de mudas aumenta consideravelmente.

    Época de plantio e adubação

    O plantio deve ser feito no início do período chuvoso. Para as Regiões Sudeste e Centro-Oeste o período ideal de plantio estaria entre meados de novembro a meados de janeiro. Na Região Sul a recomendação é que o plantio ocorra na primavera.

    A primeira adubação em cobertura deve ser realizada 60 a 70 dias após o plantio, depois do pastejo de uniformização. Esta adubação, assim como as demais no primeiro ano de cultivo, podem ser feitas apenas com nitrogênio e potássio, com uma dose de 40 a 50 kg/ha de N e K2O.

    A partir do segundo ano, recomenda-se a inclusão de fósforo na adubação em cobertura na dose de 60 kg/ha de P2O5. As adubações em cobertura são realizadas, durante a estação de crescimento (época chuvosa na região sudeste ou entre a primavera e o outono na região sul) sempre após a realização do pastejo (manejo rotacionado). Assim, a dose aplicada ao longo do ano irá depender da extensão da época chuvosa, do uso de irrigação e dos ciclos de pastejo realizados.

    O capim-elefante é extremamente exigente em fertilidade de solo. Dessa forma, a falta de adubações de manutenção é uma das principais causas de degradação das pastagens e insucesso no seu uso em sistemas de produção.

    Adaptação edafoclimática

    A BRS Kurumi, como forrageira tropical, é adaptada a maior parte das regiões brasileiras, sendo recomendada para uso forrageiro nos Biomas Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado.

    Essa cultivar tem sido plantada principalmente na Região Sul onde tem apresentado excelente produtividade e boa qualidade nutricional. É recomendado o cultivo em solos profundos, bem drenados e de boa fertilidade. A infestação com Brachiaria decumbens e/ou Brachiaria brizantha tem sido apontada como um dos maiores entraves para o estabelecimento e a persistência de pastos de capim-elefante. Por isso, se possível, deve-se evitar a implantação em áreas de capim-braquiária, ou, então, proceder a um controle rigoroso por meio de dessecações e gradagens.

    Pragas e plantas daninhas

    A cultivar BRS Kurumi é susceptível ao ataque de cigarrinha-das-pastagens. Têm sido registrados ataques pelas espécies Notozulia entreriana, Deois schach, além de Mahanarva fimbriolata e M. spectabilis. Contudo, as cigarrinhas do gênero Mahanarva têm sido as de maior ocorrência. A expansão das áreas de cultivo de cana-de-açúcar tende a agravar o problema, principalmente devido à eliminação da prática da queima para colheita da cultura.

    Em alguns casos, o ataque pode levar a planta à morte, dependendo do manejo, das condições climáticas e da severidade de ataque. O controle químico é antieconômico. Assim, não é recomendado seu cultivo em áreas com histórico de infestação de cigarrinhas. Contudo, no sul do País tem sido observada boa tolerância à cigarrinha; maior do que em relação à cultivar Mott.

    O manejo correto de plantas daninhas na implantação e condução do capim-elefante é de grande importância, uma vez que a cultura é muito sensível, principalmente na sua fase inicial de crescimento.

    De modo geral, a cultura é instalada no período chuvoso, que coincide com temperaturas altas, favorecendo a emergência e o estabelecimento de várias espécies daninhas, principalmente as gramíneas. As plantas infestantes da família Poaceae (gramíneas) são as que mais têm preocupado os agricultores e pecuaristas no momento do plantio e condução do capim-elefante, principalmente as do gênero Brachiaria.

    O método mecânico de preparo do solo com aração e gradagens pode ser considerado como uma prática de controle inicial das plantas daninhas, no momento da implantação do capim-elefante.

    O plantio das mudas deve ser o mais próximo possível da última gradagem, a fim de evitar que populações de espécies daninhas se estabeleçam antes mesmo do capim-elefante. Durante o ciclo de cultivo, o método mecânico também pode ser empregado, utilizando cultivadores de tração animal ou mecânico. O controle das espécies daninhas é feito nas entrelinhas, na camada mais superficial do solo, a fim de não afetar o sistema radicular do capim-elefante.

    A opção por espaçamentos reduzidos nas entrelinhas como, por exemplo 0,5 m, possibilita a cobertura rápida do solo pelas plantas de capim-elefante. Esse fato possibilita que menor quantidade de luz atinja o solo, reduzindo o estímulo à germinação e ao estabelecimento de espécies infestantes.

    Em relação ao controle químico de plantas daninhas em capim-elefante, a Embrapa Gado de Leite tem desenvolvido projetos nessa linha de pesquisa. Os resultados obtidos têm sido promissores em relação a herbicidas seletivos e com potencial de utilização nos cultivos. Embora esses herbicidas sejam recomendados para outras culturas, ainda não há registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para sua aplicação em capim-elefante e, portanto, ainda não podem ser recomendados para esta finalidade.

    Embora haja essa restrição, alguns herbicidas podem ser aplicados em dessecação antes do plantio do capim-elefante como, por exemplo, o Paraquat, o Paraquat + Diuron, o Glyphosate ou o Glyphosate potássico. Ao optar pelo uso de herbicidas, deve- -se consultar sempre um engenheiro-agrônomo para emissão do receituário agronômico e acompanhamento das atividades.

    Produção de forragem e valor nutritivo

    A cultivar BRS kurumi apresenta alta produção de forragem e excelente estrutura do pasto, caracterizada pela elevada proporção de folhas e pequeno alongamento do colmo. Essas características favorecem o consumo de forragem pelos animais em pastejo, além de facilitar o manejo do pasto, sem necessidade de roçadas frequentes. Estudos conduzidos na Embrapa Gado de Leite mostram que a taxa de acúmulo de forragem durante o período chuvoso varia entre 120 e 170 kg MS/ha.dia.

    O valor nutritivo também é um dos pontos fortes desta cultivar. Os teores de proteína bruta (PB) têm variado entre 18 e 20% e os coeficientes de digestibilidade entre 68 e 70%, considerando o extrato acima da altura do resíduo. Devido ao alto teor proteico da forragem, recomenda-se, durante o período chuvoso, apenas a suplementação energética dos animais, a fim de possibilitar maior ganho de peso e/ou produção de leite.

    Desta forma, essa cultivar se apresenta como uma importante alternativa forrageira para a intensificação da produção de leite a pasto, permitindo altas taxas de lotação e excelente desempenho por animal.

    Manejo e produção animal

    O método de pastejo recomendado para a exploração a pasto do capim-elefante é o de lotação rotacionada. Preconiza-se a entrada dos animais quando o pasto apresentar entre 75 e 80 cm de altura e a retirada deles quando o rebaixamento atingir 35-40 cm. Durante o período chuvoso e com uso de adubação em cobertura após cada ciclo de pastejo, o período de descanso dos piquetes tem sido de mais ou menos 22 dias.

    Em condições adequadas de manejo, a taxa de lotação das pastagens de capim-kurumi variam entre 4,0 e 7,0 UA/ha. Têm sido observados ganhos de peso de até 700 g/animal.dia, considerando o desempenho de novilhas leiteiras Holandês x Zebu, recriadas exclusivamente a pasto durante o período chuvoso, com fornecimento de sal mineral.

    No caso de animais especializados, esperam--se ganhos de até 1 kg/animal.dia.

    Quanto à produção de leite, é possível obter valores de 18-19 L/vaca/dia com apenas o fornecimento de suplementação energética.

    * Carlos Augusto de M. Gomide; Domingos Sávio C.Paciullo; Francisco José da Silva Lédo; Antonio Vander Pereira; Mirton José F. Morenz; Alexandre Magno Brighenti são pesquisadores da Embrapa Gado de Leite

    Fonte: Comunicado Técnico 75 – Embrapa 



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  • Comentários (1)



  • NETTO FERNANDES
  • Caro amigo Sr. José Luiz! Obrigado pela colaboração e relevância de sua publicação. Esta cultivar, assim como a BRS CAPIAÇU, em meu entender, são marcos divisórios na produção e utilização de volumosos pelos pecuaristas, sejam os de leite ou corte. Agradeço em meu nome e em nome da EMBRAPA. Grande abraço e parabéns por seu Portal Boi a Pasto.

    Postado: 30/05/2018 18:47:00

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