• Sanidade
  • Como diminuir os prejuízos com o carrapato-do-boi

    17/05/2016
    Este é um dos temas abordados na Tecnofam 2016 (Tecnologias e Conhecimentos para Agricultura Familiar), realizada entre 11 e 13 de maio, em Dourados, MS, na sede da Embrapa Agropecuária Oeste, promotora do evento.

     “A pecuária brasileira movimenta mais de 170 milhões de bovinos e a produtividade poderia ser maior se não fosse os danos causados pelo carrapato. Estudos e pesquisas avançam para resolver os problemas por ele causados e até uma vacina está sendo estudada, mas enquanto a solução não chega os prejuízos podem ser minimizados com o controle estratégico”, afirma o pesquisador Renato Andreotti que ministrou uma oficina na Tecnofam.

     O carrapato-do-boi, Rhipicephalus (Boophilus) microplus, que acarreta grandes prejuízos para a nossa pecuária de mais de três bilhões de dólares por ano, com perdas na produção de leite e carne é também responsável pela transmissão de doenças, inclusive podendo acarretar morte de animais, informa o pesquisador.

    Inicialmente Andreotti mostrou aos participantes mais de 20 espécies de carrapatos - as mais comuns de Mato Grosso Do Sul que parasitam porcos, cães domésticos, morcegos, aves, tamanduás, gambás, cavalos e tantos outros animais. Mas o foco será o carrapato-do-boi, um parasito que pode dar um prejuízo por animal de 90 litros de leite por dia e 2,3 arrobas por animal por ano, bastando para isso um número de 138 carrapatos em uma vaca leiteira e 180 carrapatos em um animal cruzado de corte. É um estrago grande, não só na perda de leite e carne como também nos danos que eles causam no couro dos animais pelas reações inflamatórias nos locais onde se fixam ou pela transmissão de doenças, como a tristeza parasitária.

     Além disso, há de se contabilizar os prejuízos relacionados aos tratamentos de combate ao parasito como o custo de mão de obra, de instalações, aquisição de acaricidas e carrapaticidas e de equipamentos de suporte para aplicação deles nos rebanhos. Sem contar a grande preocupação: a da contaminação de resíduos químicos na carne e no leite e no ambiente; solos e rios.

     A única forma de minimizar os prejuízos do carrapato-do-boi é seguir o controle estratégico preconizado pela Embrapa. Esse será o recado do pesquisador aos produtores. "Nós apresentamos dez passos que o produtor deve seguir para controlar a infestação dos carrapatos. Se assim for feito, os prejuízos serão menores e os animais dificilmente ficarão doentes", diz Andreotti.

     O primeiro passo é de o produtor usar o produto adequado no seu rebanho. E como o produtor vai saber qual é o produto adequado? A Embrapa Gado de Corte faz o teste de graça. É só acessar o link http://cloud.cnpgc.embrapa.br/controle-do-carrapato-ms e seguir os passos. A Embrapa recebe as amostras, analisa e orienta o produtor. Segundo o pesquisador, esse teste é fundamental para que o produtor use o produto certo. O segundo passo diz respeito a melhor época para controlar o carrapato que é de iniciar no final da seca. A recomendação é dar de 5 a 6 banhos carrapaticidas com intervalos de 21 dias ou usar produtos pour-on e/ou injetável. O terceiro passo é de o produtor seguir a bula do produto. O quarto é usar equipamentos de proteção na aplicação dos produtos e banhar os animais a favor do vento para não se intoxicar.

     O quinto passo é aplicar o banho com o animal contido, no sentido contrário ao dos pelos, com pressão adequada e em toda a superfície do corpo. Evitar dias de chuva e horários de sol forte para não intoxicar o animal. O sexto é reduzir o número de carrapatos nas pastagens. Andreotti orienta: "Os animais devem retornar à mesma pastagem para que os carrapatos que neles subirem morram e aqueles que sobreviverem serão combatidos no próximo banho antes da queda".

     O sétimo passo é dar mais atenção aos animais de sangue doce, aqueles mais infestados – responsáveis pela recontaminação das pastagens. Estes devem ser tratados com mais frequência, diz Andreotti. O oitavo passo é controlar a entrada de animais na propriedade –"os recém-adquiridos devem ser tratados no local de origem e isolados por 30 dias em um pasto quarentena", recomenda o pesquisador. O nono passo é evitar infestações mistas – equinos e bovinos devem ser mantidos em pastos separados para não ter infestação cruzada de espécies diferentes de carrapatos e o décimo passo o pesquisador recomenda avaliar uma vez por ano o desempenho do produto –"escolher o produto cuja eficácia seja superior a 95% e voltar na Embrapa para realizar o teste".

     Segundo Renato Andreotti, a maioria dos produtores combate o parasita com carrapaticidas quando os animais já estão altamente infestados e sofrendo os efeitos parasitários como baixo rendimento e, por outro lado, as pastagens também estão infestadas desfavorecendo o controle. "O maior problema de não controlar o parasito de forma correta e eficiente é a disseminação da resistência das populações de carrapatos aos produtos utilizados no seu controle levando ao aumento dos prejuízos econômicos", alerta Andreotti.

     Na oficina da Tecnofam o pesquisador passou outras informações do controle estratégico do carrapato; seu ciclo de vida, suas relações com as variações de temperatura e umidade, raças de bovinos utilizadas no sistema de produção e manejo das pastagens.

     Além disso, enfatizou a questão da resistência dos carrapatos em relação aos carrapaticidas disponíveis no mercado. "É motivo de permanente preocupação nossa e por isso nos disponibilizamos a identificar a possível presença de resistência nas populações aos produtos mais utilizados no mercado", diz Andreotti que acrescenta: a Embrapa Gado de Corte analisa amostras de carrapato e o produtor recebe informações de qual base química utilizar, além de orientações para os procedimentos.

     Uma vez realizados os exames laboratoriais para determinação da eficiência dos produtos carrapaticidas e disponibilizadas orientações técnicas, acredita-se em uma maior conscientização dos produtores para o uso correto de carrapaticidas em bovinos.

     Em sua apresentação o pesquisador falou também do projeto em andamento sobre uma vacina contra o carrapato onde já existe disponível tecnologia para se produzir o produto recombinante com efeito parcial no controle do carrapato.

     Outras informações sobre o evento podem ser obtidas no site: https://www.embrapa.br/agropecuaria-oeste

    Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste



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