• Conjuntura
  • Coronavírus derruba preços futuros do boi gordo

    19/03/2020
    Confira o comportamento do mercado do boi gordo. A onda de pânico invade todos os setores da economia

    Rebanho de boi gordo.

    O temor generalizado em torno da pandemia do novo coronavírus tem contagiado as bolsas financeiras em todo o mundo e agora atinge os negócios no mercado futuro do boi gordo, informam as consultorias ligadas ao setor pecuário.

    Segundo relata a Agrifatto, nessa quinta-feira, os preços futuros do boi gordo perderam força e recuaram até o limite de baixa na bolsa de mercadoria B3. Os contratos com vencimento para março deste ano encerraram a quinta-feira a R$ 192,35/@, com retração de 3,5% sobre o preço do dia anterior. Os papéis para outubro de 2020, pico da entressafra de boiada de capim, recuaram de forma ainda mais acentuada, fechando a R$ 199,45/@, com desaceleração de 4,5% em comparação com o dia anterior.

    No mercado físico, as escalas de abate dos frigoríficos ficaram mais confortáveis em algumas regiões do País, contribuindo para queda nas cotações da boiada gorda em algumas praças. De acordo com Informa Economics FNP, além dos possíveis impactos nas exportações brasileiras, a crise do Covid-19 gera um temor também sobre o  consumo doméstico de cortes bovinos. “As eventuais paralisações de empresas, escolas e outros serviços no País devem prejudicar ainda mais a demanda por carne, que ainda não tinha respondido às expectativas de melhora com a volta das atividades após o carnaval”, afirma.

    Segundo dados levantados pela FNP, na quinta-feira, o valor da arroba recuou nas praças de Dourados (MS), Campo Grande (MS), Três Lagoas (MS), Tangará (MT), Cáceres (MT), Barra do Garças (MT), Cuiabá (MT), Colíder (MT), região Sul de Goiás, Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e região de fronteira do Rio Grande do Sul.

    “A crise mundial do vírus Codiv-19 gera incertezas quanto a dinâmica do consumo doméstico e das exportações no País”, avalia a FNP. Após fechar as escalas de abate para o mês de março, os frigoríficos se afastaram da compra e testam negócios a valores menores, acrescenta a consultoria.

    No mercado paulista, de acordo com a Scot Consultoria, o valor do boi gordo gira em torno de R$ 200/@, à vista. O Indicador Esalq/Cepea fechou ontem a R$ 204,35/@, com leve alta diária de 0,54%.

    De acordo com a FNP, os pecuaristas, porém, ainda resistem à pressão das indústrias, o que contribui para a baixa liquidez do mercado. No entanto, continua a consultoria, apesar da resistência por parte do lado vendedor, em muitas regiões do Brasil o volume de chuvas já começa a diminuir, prejudicando a qualidade do pasto e resultando em maior oferta de boiada e, consequentemente, preços de venda mais baixos.

    No mercado atacado, a proximidade da segunda quinzena do mês dificulta o escoamento de carne bovina, de acordo com a FNP.

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