• Nutrição
  • Cuidados fundamentais no processo de ensilagem

    21/11/2014
    Silagem de qualidade é aquela que possui teor nutricional elevado, o mais próximo possível daquele observado na planta que lhe deu origem.

    Guilherme Fernando Mattos Leão1, Fernando Corazza Costa1 e Marlon Richard Hilário da Silva2.

    Por ser um processo fermentativo, sempre haverá perdas na ensilagem, mas boa parte destas podem ser evitadas, as chamadas perdas controláveis, com a adoção de práticas simples. Várias etapas devem ser cumpridas antes e durante o processo de plantio, ensilagem e abertura do silo. Nesse texto, vamos nos ater ao manejo da lavoura, corte e fechamento do silo.

    Plantio e Corte

    Três pontos são extremamente importantes no manejo da lavoura: o nível de fertilização, a altura e o ponto de corte.

    O nível de fertilização é importante por elevar a produção de matéria seca por hectare. Maiores níveis de adubação, essencialmente de ureia, propiciam aumento de produção, já que o nitrogênio possui relevante papel no metabolismo das plantas. No entanto, alguns estudos comprovam que a adubação nitrogenada de cobertura, acima de 180 kg.ha-1, não gera aumento de biomassa. Sendo assim, o ideal é não ultrapassar esse limite, o que evita aumento desnecessário dos custos de produção. 

    O esquema de adubação deve ser único para cada propriedade, pois depende da análise prévia do solo, com o objetivo de fazer uma correção eficiente. Para produzir silagem, o solo deve ser analisado com mais frequência que em áreas que se destinam à produção grãos, já que a colheita da planta inteira exporta muitos nutrientes e produz pouco retorno de matéria orgânica, o que gera empobrecimento mais rápido do solo. 

    Experimentos com diferentes alturas de corte nos fornecem informações muito importantes. Maiores alturas de corte aumentam a qualidade nutricional da silagem, em função da menor participação de colmos, que possuem menor valor nutricional. Por outro lado, geram perdas no campo, porque diminuem a produção de matéria seca ensilada por hectare. 

    O ponto ou momento de corte é essencial para a obtenção de uma boa silagem. A planta deve ser cortada quando o teor de matéria seca estiver dentro do recomendado, diminuindo, assim, a possibilidade de fermentações secundárias, especialmente por clostrídios, que se desenvolvem na presença de altos teores de umidade. Por outro lado, valores muito elevados de matéria seca dificultam a compactação da massa, gerando acúmulo de oxigênio residual e resultando em perdas na fermentação. No caso do milho, a faixa de matéria seca ideal fica entre 32 e 37%. 

    Uma maneira prática de verificar o ponto de corte é a análise da linha do leite. Este ponto reflete na planta quando passa da fase de grão farináceo para duro, o que representa de um a dois terços da linha do leite. 

    Outro ponto importante é o tamanho da partícula, que deve ter de 1 a 2 cm, de acordo com o separador de partículas Penn State (Penn State Par¬ticle Size Separator). O ideal é que 3% a 8% das partículas fiquem retidas na peneira superior (partículas > 19,0 mm), de 45% a 65% encontrem-se no estrato intermediário (entre 19,0 mm a 8,0 mm) e 30% a 40% fiquem retidas na peneira infe¬rior (partículas entre 8,0 mm a 1,67 mm). No máximo 5% das partículas deve ficar no fundo do equipamento (partículas < 1,67 mm).

    Silagens com partículas muito grandes dificultam a compactação e, . consequentemente, maior será o tempo para que a anaerobiose se instale no silo. Isto aumenta as perdas e diminui o valor nutricional da silagem. Por outro lado,, partículas muito pequenas também não são desejáveis, pois possuem pouca ação física no rumem, reduzindo a taxa de mastigação e a produção de saliva e, consequentemente, o pH ruminal, causando acidose.

    A manutenção e regulagem da ensiladeira também tem participação considerável no resultado final da silagem. A máquina deve ter capacidade de cortar uniformemente a planta e de quebrar o grão em partículas menores para que o amido seja exposto, levando ao melhor aproveitamento pelo animal. Quanto menor o tamanho da partícula do grão, maior a área de contato que as bactérias e enzimas do rúmen possuem para digestão do amido presente. 

    Compactação e Fechamento do Silo

    A compactação tem o objetivo de retirar o oxigênio da massa ensilada e criar, rapidamente, um ambiente de anaerobiose. Dessa forma, proporciona uma melhor fermentação e qualidade final da silagem. O ambiente anaeróbico permite o desenvolvimento de diversas bactérias produtoras de ácidos graxos que, além de diminuir o pH, conservam e previnem o desenvolvimento de agentes nocivos, como, por exemplo, fungos produtores de micotoxinas.

    Os níveis ideais de compactação variam de 600 a 700kg por m3 para silagem de planta inteira. No entanto, se existe uma etapa que o produtor pode exagerar é na compactação. Quanto mais compactado, melhor é a expulsão de oxigênio e mais rápida será a fermentação. 

    Todavia, vale ressaltar que o tempo entre o corte da planta e o fechamento do silo deve ser o menor possível, devendo ocorrer, preferencialmente, no mesmo dia. Após o corte, em uma tentativa de sobreviver, as plantas aumentam o consumo de carboidratos próprios e, por fim, começam a ativar enzimas proteolíticas, ocasionando perdas futuras na fermentação. Por isso, é essencial que a anaerobiose seja estabelecida rapidamente. 

    Quando o silo estiver cheio e compactado, inicia-se a última fase do processo, a vedação. Para manter um ambiente anaeróbio, a vedação do silo deve ser realizada da forma mais completa possível. Geralmente, utilizam-se, como cobertura, lonas plásticas dupla face para refletir o calor. Recomenda-se que as mesmas tenham uma espessura média de 200 micras e que as bordas sejam cobertas com terra ou outros objetos que impeçam a entrada de ar e água. 

    O isolamento do entorno do silo também é importante para evitar a entrada de animais e pessoas que possam romper a lona e prejudicar a vedação.

    As práticas de produção de uma boa silagem são fundamentadas em bases simples como as descritas neste texto. O uso de tecnologias que visam melhorar a fermentação ou a pós-abertura são tendências naturais como, por exemplo, o uso de aditivos. Mas, vale lembrar que nenhum produto é capaz de corrigir erros de manejo na produção da silagem.

    ¹Médico Veterinário, Consultor Técnico da Costa & Leão Consultoria Agropecuária. 

    ²Médico Veterinário, MSc, Professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Centro Oeste.

    Fonte: Milkpoint

     

     
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