• Manejo
  • Eficiência alimentar na seleção de bovinos de corte

    13/06/2017
    A pecuária de corte é cada vez mais competitiva e diversos recursos têm sido aplicados para se conseguir reduzir a idade do abate dos bovinos.

    Pastagens rotacionadas de capim-mombaça

    Rafael Achilles Marcelino*

    Produzir mais carne em menos tempo é a meta e visa ao aumento da rentabilidade da propriedade. Uma das alternativas é a seleção de animais mais eficientes, que pode ser realizada de diferentes maneiras, como por exemplo, avaliando a conversão alimentar do bovino (kg consumo: kg ganho). Entretanto, esta seleção teria como desvantagem escolher animais apenas por tamanho ou nível de alimentação.

    Selecionar por conversão alimentar privilegia bovinos de maior porte, cujo maior inconveniente seria o aumento no requerimento da energia necessária para que o bovino desempenhe suas atividades básicas, como andar ou pastejar. Isto é chamado tecnicamente de energia que o animal gasta para sua mantença, fazendo com que o animal tenha maior consumo de alimento, elevando o custo da produção de sua carne na fazenda. Outra opção é trabalhar com animais geneticamente superiores, que respondam positivamente a alimentação, com potencial para ganhar peso comendo menos.

    Muitas vezes, percebe-se essa característica em alguns animais do mesmo grupo contemporâneo, com idades e pesos semelhantes: eles apresentam desempenhos diferenciados ao consumir a mesma quantidade de alimento. Este conceito de seleção de animais mais eficientes foi inicialmente desenvolvido na década de 60 com retorno não muito promissor. Porém, nos últimos anos, tem sido dada grande ênfase a este tipo de seleção em países como Austrália, EUA, Canadá e Brasil. A seleção é feita através da técnica de avaliação do consumo alimentar residual (CAR). Diferentemente da conversão alimentar, o CAR é calculado como a diferença entre consumo real e a quantidade de alimento que um animal deveria comer de acordo com seu peso vivo médio durante um determinado período, mostrando uma prova de ganho de peso. Sendo assim, animais mais eficientes têm CAR negativo, enquanto os menos eficientes têm CAR positivo.

    O CAR é uma característica que apresenta variabilidade genética, passível de melhoramento por seleção e possui herdabilidade moderada. A herdabilidade mede o nível da correspondência entre o fenótipo e o valor genético de cada bovino, lembrando que o fenótipo é o conjunto de características observáveis como, por exemplo, o desenvolvimento ou a morfologia do animal.

    No Estado do Rio de Janeiro, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) tem desenvolvido pesquisas na identificação destes bovinos mais eficientes, com CAR negativo, sob o comando do professor Carlos Augusto de Alencar Fontes. Sua equipe de pesquisa fizeram um experimento com bovinos castrados mestiços 1/2 sangue Nelore X Red Angus, criados em piquetes de pastagens rotacionadas de capim-mombaça. Os animais foram divididos em grupos: uma vez ao dia, grupos específicos recebiam ração concentrada (contendo proteína e energia) em cocho individual, onde diariamente se calculava o consumo real de ração concentrada (ofertada a 0,6% do peso vivo de cada animal por dia). Ao término do período de experimento, todos os animais foram abatidos para uma avaliação detalhada sobre o rendimento das carcaças.

    Efeito do CAR sobre a composição da carcaça

    Muitos resultados de experimentos indicam que animais com CAR negativo tendem a apresentar espessura de gordura subcutânea, não ocorrendo o risco de terem uma carcaça com deficiência de cobertura externa de gordura, o que poderia desvalorizar o preço da carne. A falta de gordura leva ao encurtamento da carcaça durante o processo de refrigeração a câmara frigorífica. Mas na prática, é observado que animais com CAR negativo tendem a ter carcaças mais magras e com menor marmoreio.

    Este fato pode ser explicado porque o depósito de gordura na carcaça depende de maior aporte de energia, seja por maior ingestão de alimento ou de concentrado. A gordura lombar pode ser verificada com os bovinos vivos com auxílio de um aparelho de ultrassom. De qualquer forma, entende-se que a deposição da gordura na carcaça é menos eficiente do ponto de vista energético do que a deposição de proteína, que é objetivo da pesquisa. Porém, não existem estudos que comprovem alterações na maciezou sabor da carne bovina após o animal ser classificado como mais ou menos eficiente — CAR negativo ou positivo.

    *Rafael Achilles Marcelino - Universidade Federal de Lavras – 3rlab
    Fonte: 3rlab



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