• Raça
  • Estimativa aponta crescimento superior a 80% do rebanho brangus no Brasil

    20/06/2018
    Segundo os pesquisadores, boa parte dos produtores não registram seus animais

    Visto como fruto do esforço de pesquisas por cientistas, a raça brangus cresceu 80% nos últimos dez anos no Brasil. O número saltou de seis mil para 10.785 animais registrados, conforme a Associação Brasileira de Brangus (ABB). O volume, no entanto, pode ser muito maior, conforme aponta o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul (RS), Joal Brazzale Leal, já que muitos produtores não registram seu rebanho.

    A raça é uma composição de bovinos taurinos (Aberdeen Angus) com zebuínos (Nelore) que iniciou no Brasil em 1946, no sul do País. O desenvolvimento do brangus uniu características das raças zebuínas, como rusticidade, resistência a parasitas, tolerância às variações climáticas e habilidade materna, com vantagens verificadas nos taurinos, como qualidade da carne, precocidade sexual, elevado potencial materno e fertilidade.

    “A maior parte dos animais brangus está nos rebanhos de produtores comerciais, que são a grande maioria no País, e somente as cabanhas especializadas em produzir animais com genética superior é que costumam registrá-los nas suas respectivas associações”, detalha Leal.

    O crescimento da raça também pode ser percebido pelo fato de ter se tornado a principal usada para inseminação artificial no Brasil, predominante em 14 Estados, pelos dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia). O sêmen é utilizado em vacas nelore para aproveitar os benefícios do melhor desempenho dos filhos, utilizando o melhor de cada raça (heterose).

    As exportações de doses de sêmen de bovinos de corte no Brasil (66.976), em 2014, caiu 25,6% em relação a 2013 e as exportações de sêmen da raça brangus foram de 7.952. Isso representa um crescimento de 98,8% nesse mesmo período, de acordo com a Asbia.

    Um ponto destacado para esse avanço, segundo Leal, é referente ao empenho da Embrapa na formação do rebanho-base e na organização da associação de criadores desses animais. “Além de produzir uma carne de qualidade, a habilidade materna, que é a capacidade de criar bem seus bezerros até o desmame, é o ponto mais forte do brangus, como também, a menor suscetibilidade ao carrapato”, aponta.

    Todo esse avanço tem provocado retornos aos investidores da raça. O brangus tem gerado anualmente ao setor produtivo centenas de milhões de reais, segundo Leal. “Por ano, são vendidos cerca de dois mil touros brangus de, em média, R$ 8 mil cada, o que dá R$ 16 milhões. As fêmeas, vendidas a R$ 3 mil por cabeça, são cerca de cinco mil, o que dá R$ 15 milhões. Isso sem mencionar as incontáveis vendas particulares. Há ainda que se adicionar à conta o processo do abate, do qual não se tem controle exato, mas se estima em algumas centenas de milhões de reais”, aponta o pesquisador.

    “A venda de sêmen angus (mais de três milhões de doses) tem sido majoritariamente utilizada para inseminar vacas zebuínas, em todo o Brasil, gerando Brangus meio sangue. Fiz um cálculo estimado de que 70% de nascimentos por meio dessa inseminação artificial nos daria de 700 mil a um milhão de fêmeas Brangus meio sangue nascendo no País. Essas vacas podem ser usadas para gado comercial ou para avançar em ganhos de geração para fazer registro”, conta o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Joal Brazzale Leal.

    As pesquisas com melhoramento genético bovino também vêm trabalhando as características de maior interesse do setor produtivo. Segundo o pesquisador Marcos Yokoo, da área de melhoramento genético da Embrapa Pecuária Sul, o objetivo é gerar mais ganhos para o pecuarista e para o consumidor.

    “O trabalho científico busca características demandadas pelos produtores: animais mais resistentes ao carrapato, mais produtivos e mais dóceis. Além disso, a pesquisa visa resgatar a linhagem original do rebanho brangus-Ibagé, raça formada no ano de 1946, no Brasil, no município gaúcho de Bagé”, conta Yokoo.

    Fonte: Embrapa



  • Temple Grandin: Práticas de bem-estar animal traz vantagens para o gado e para o pecuarista

  • Pesquisadora norte-americana Temple Grandin está no Brasil e fala sobre a preocupação com o bem estar animal e sua importância para obter-se mais produtividade na fazenda. Ela é uma das maiores autori

    + leia mais
  • Planejamento estratégico é requisito para pasto produtivo

  • Pasto produtivo, no novo conceito de mercado, é fundamental para que o produtor sobreviva e tenha rentabilidade.

    + leia mais
  • Agro tem papel de destaque na preservação ambiental

  • Cálculos do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (Gite) da Embrapa, a partir das análises de dados geocodificados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), mostram significativa participação da agri

    + leia mais
  • Por uma nova pecuária brasileira

  • O livro Carne e Osso lançado em 2015 pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne traz um relato inédito sobre as origens e a evolução da indústria da carne brasileira, a reboque da

    + leia mais


  • Escreva um comentário



  • *

    *
    *





  • Comentários (0)



  • Criação de sites