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  • Exigências nutricionais de plantas forrageiras - conteúdo de nutrientes, extração e ciclagem.

    04/09/2013

    adubação de pastagem 347A necessidade de produzir mais em menos área é uma realidade para a pecuária brasileira. O mercado e a legislação ambiental conduzem para essa estratégia. Em função desse cenário é que nos dias 25 e 26 de setembro acontecerá em Ribeirão Preto-SP o Encontro de Adubação de Pastagens da Scot Consultoria - Tec-Fértil. Para maiores informações acesse www.encontrodepastagem.com.br. Valdo Rodrigues Herling é zootecnista e professor associado na área de forragicultura e pastagens na FZEA/USP. Sua palestra será sobre "Exigências nutricionais de plantas forrageiras - conteúdo de nutrientes, extração e ciclagem". Para saber um pouco sobre a palestra, leia a entrevista que ele concedeu à organização do Encontro de Adubação de Pastagens: Quais os principais cuidados que o pecuarista precisa ter quanto às exigências nutricionais de suas pastagens?           Valdo Herling: Existem duas possibilidades de pastagens que o produtor pode ter em sua propriedade. Aquela que já está estabelecida há algum tempo e aquela a ser estabelecida em determinada área. Quando o produtor já possui uma área de pastagem estabelecida ou necessita estabelecer uma pastagem em outra área, ele precisa ter o cuidado de saber as necessidades nutricionais (NN) da espécie e/ou cultivar em questão. Para isso, ele deve fazer o seguinte cálculo: NN = [Necessidade da planta - (Nutrientes no solo + Reciclagem)> x fator de eficiência da fonte. Quanto às NN, existem publicações brasileiras que já trazem as variadas espécies e suas necessidades em nutrientes. Os nutrientes no solo são determinados mediante boa amostragem, não negligenciando etapas e características do solo e manejo, e análise química em laboratório de qualidade. Cumprida essa primeira etapa, mediante os resultados da análise de solo, o produtor deverá em conjunto com técnico de confiança avaliar esses resultados e com base em tabela de referência formular as correções necessárias para satisfazer as exigências da planta. Cada fonte de fertilizante, considerando os nutrientes exigidos, tem sua eficiência no solo e deve ser considerada. Outro fator que é muito importante quando o assunto é pasto com acesso livre dos animais, é a reciclagem de nutrientes, seja pelo material vegetal morto ou senescente que se acumula naturalmente ou pela ação do animal, e pelos dejetos dos animais, fezes e urina. Considere que a reciclagem via fezes e urina é sempre desuniforme. Quais as variedades de forrageiras nutricionalmente mais exigentes e quais as menos exigentes? Valdo Herling: Os pesquisadores de institutos ou empresas de pesquisa, como os do Instituto de Zootecnia e Agronômico e EMBRAPA, assim como os das universidades brasileiras, têm realizado esforços no sentido de dividir as diferentes espécies e cultivares de plantas forrageiras em Grupos de Exigência em nutrientes. Para separá-las nesses grupos, com base em resultados de pesquisa, há uma avaliação dos resultados experimentais com base na concentração de nutrientes na matéria seca e a produção de massa de forragem das plantas forrageiras avaliadas. Assim, há dados disponíveis em boletins, da divisão das plantas forrageiras, gramíneas e leguminosas, em grupos de exigência, a saber: Werner et al. (1997) fez a classificação para o estado de São Paulo, considerando gramíneas do Grupo I (maior), II (intermediária) e III (menor); leguminosas dos Grupos I (maior) e II (menor); capineiras; gramíneas para fenação; pasto consorciado dos Grupos I (maior) e II (menor) e leguminosa para uso intensivo.  Quando se trata de utilizar as plantas forrageiras para capineiras ou prados de fenação, considera-se que os nutrientes extraídos são exportados e, portanto, o produtor deve ter mais cuidado na devolução com calagem e adubação. Após a análise de solo, há a possibilidade de se calcular o índice de saturação por bases. Esse índice reflete o quanto da capacidade de troca de cátions (CTC) do solo é ocupado pelas bases trocáveis (SB) como cálcio, magnésio e potássio. À medida que o solo tem suas cargas negativas ocupadas por bases trocáveis, significa que o V% se eleva. Isso é bom para as plantas forrageiras, principalmente aquelas mais exigentes. Assim, no método de Werner et al. (1997), ao se ter a separação de plantas forrageiras de maior e menor exigência, o que se considera é a V% maior ou menor. No método preconizado pela EMBRAPA - Vilela et al. (1998), a divisão das plantas forrageiras quanto à exigência em fertilidade do solo tem o mesmo padrão, porém, é mais conservador quanto às necessidades em V%. Isso ocorre devido ao método de cálculo desse índice e também por considerar que existem graus de adaptação de gramíneas e leguminosas aos solos de baixa fertilidade. Outras recomendações são publicadas em boletins como: Alvarez e Ribeiro (1999) para a região Centro-Oeste e Comissão de Fertilidade do Solo - RS/SC (2000) para a região sul do país. Durante a apresentação teremos condições de expor e discutir as tabelas preconizadas. Qual o melhor manejo que o pecuarista deve adotar para evitar a imobilização dos nutrientes no solo? Valdo Herling: Antes de tratarmos a imobilização é preciso refletir sobre os nossos solos. A maioria é caracterizada como de níveis baixos de pH (acidez) e de nutrientes. Se o produtor quiser melhorar a produção de suas culturas ele deverá investir em correções e adubações, senão os níveis de produção serão baixos. Para pastagens, após a calagem, os níveis de fósforo deverão ser corrigidos. Para este elemento, tem-se um problema grave, que é a facilidade como ele é fixado pelos solos brasileiros. A calagem é de suma importância para que esse processo seja baixo. Outro elemento que pode ser imobilizado no solo é o nitrogênio. Normalmente, a imobilização se dá na forma orgânica e, para torná-lo disponível às plantas cultivadas, a simples correção do solo pela calagem contribui bastante. O enxofre tem o mesmo comportamento do nitrogênio. A imobilização do nitrogênio também se dá pelos microrganismos presente no solo. Para sua reprodução e mineralização da matéria orgânica do solo, os microrganismos utilizam o nitrogênio disponível. Esse comportamento de mineralização, antagônico ao de imobilização, dependerá também da composição em carbono, nitrogênio, enxofre e fósforo. Relações C/N (acima de 30:1), C/P (acima de 300/1) e C/S (acima de 400/1), consideradas altas, levam a maior imobilização dos nutrientes, tornando-os menos disponíveis às plantas cultivadas. Em situação que a relação é menor que 20/1 (C/N) e menor que 200/1 (C/P e C/S), a imobilização dos nutrientes é menor que a mineralização. Um exemplo prático que normalmente ocorre em condições de pastagem: um produtor resolve utilizar uma fonte de nitrogênio em cobertura numa área de pastagem no início da estação de crescimento. No entanto, após toda a estação anterior (outono e inverno), houve acúmulo de matéria seca (macega) de baixo valor nutritivo, tanto em pé como depositado ao solo. Como esse material, normalmente, tem relação C/N, C/P e C/S alta, os microrganismos presentes e decompositores utilizarão parte do nitrogênio aplicado para o processo, diminuindo a disponibilidade desse nutriente para a rebrotação e crescimento. Como promover uma ciclagem eficiente de nutrientes em sistemas de produção a pasto? Valdo Herling: Quando se menciona a ciclagem de nutrientes no ambiente produtivo, principalmente em áreas de animais em pastejo, deve-se ter o retrato do método de pastejo utilizado. No método denominado contínuo, os animais têm acesso a uma área de pasto pré-estabelecida e permanece por um ano ou mais em pastejo. Nesse caso, a reciclagem de nutrientes pelas fezes e urina é muito desuniforme, concentrando principalmente nas áreas de aglomeração dos animais, área de sombra, cocho e bebedouro. Para melhorar a distribuição, haveria necessidade de alterar a disposição, se possível, desses condicionadores de pastejo. Se o produtor faz opção pelo método rotativo, quando se tem a área de pasto com três ou mais divisões, a reciclagem de nutrientes pelas fezes e urina já se torna mais uniforme, comparada ao método contínuo. Há de se computar também a reciclagem da planta forrageira, quando esta morre ou quando os próprios animais depositam parte dela por acamamento ou perdas durante o pastejo. Nas áreas de pasto que estão submetidas ao subpastejo (poucos animais e alta disponibilidade de forragem) é muito comum acontecer essa deposição. Os nutrientes nesse caso somente estarão disponíveis no sistema pela decomposição desse material. O importante é sempre considerar a disposição da área de lazer (cocho, sombra e bebedouro) em relação ao método utilizado.

    Fonte: Scot Consultoria



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