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  • Febre aftosa: calendário de vacinação é mantido em SP e deve ser rigorosamente cumprido

    05/05/2020
    Devido à pandemia de Covid-19, envio de comprovações às autoridades sanitárias será feito on-line e terá prazo estendido.

    Boi vacinado contra febre aftosa.

    O isolamento social para impedir o avanço da transmissão do novo Coronavírus, que provoca a Covid-19, não altera o cronograma oficial de vacinação de rebanhos contra a febre aftosa no estado de São Paulo. A primeira etapa de imunização ocorrerá de 1º a 31 de maio, conforme estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que prevê a vacinação de 10,5 milhões de bovinos e bubalinos de todas as idades no Estado e, de 176 milhões, em todo o País. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) enfatiza que cumprir o calendário rigorosamente é uma medida indispensável e que coaduna com os pilares da Saúde Única.

    “A imunização deve ser planejada como de costume, com os cuidados adicionais que o momento atual requer, ou seja, com a intensificação nos procedimentos de higienização dos profissionais e ambientes, uso de EPIs, maior distância entre as pessoas nos locais e afastamento dos trabalhadores com sintomas de alterações respiratórias”, afirma o médico-veterinário Fábio Alexandre Paarmann, membro da Comissão Técnica de Saúde Animal (CTSA) do CRMV-SP.

    Vice-presidente do Regional e presidente da Comissão, Odemilson Donizete Mossero reforça a orientação de Paarmann ao mencionar que os médicos-veterinários que atuam em Defesa Sanitária Animal possuem preparação para ações emergenciais na área animal e precisam se manter alertas nesse momento delicado de saúde pública, a fim de não permitir retrocessos sanitários. “Doenças de alto risco sanitário – como é o caso da febre aftosa, que não é notificada em São Paulo desde 1996 –, exigem atenção permanente.”

    A fala de Mossero vai ao encontro do que ressalta o gerente do Programa Estadual de Erradicação da Febre Aftosa, Adriano Macedo Debiazzi, sobre a doença ser extremamente contagiosa. “Falhas no sistema de vigilância e no processo de imunização dos animais podem resultar em consequências negativas para o Estado e para o País, como a reintrodução da doença, tendo em vista a movimentação ilegal de animais suscetíveis, que corresponde à principal causa de ocorrência de novos focos.”

    Medidas durante a pandemia

    Conforme divulgado pelo Mapa, os criadores de rebanhos terão recursos tecnológicos e prazo estendido para os envios das comprovações de vacinação de rebanhos contra a febre aftosa aos órgãos sanitários.

    Caberá ao Serviço Veterinário Oficial (SVO) de cada Estado e às entidades representativas que compõem as equipes gestoras estaduais do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) estabelecer as formas de comunicação sobre a etapa de vacinação, bem como auxiliar na vacinação de propriedades que tenham dificuldade de executá-la nesse momento.

    Quanto às doses da vacina, a orientação do governo é que sejam adquiridas por telefone ou internet. De acordo com o Ministério, quando isso não for possível, a venda direta ao produtor deverá acontecer respeitando as medidas necessárias para evitar a transmissão da Covid-19, tanto por parte dos produtores rurais, quanto por parte das revendas de vacina, que deverão determinar horários e procedimentos exclusivos para atendimento de produtores com idades acima de 60 anos ou pertencentes a grupos de risco.

    “A possibilidade de as declarações serem realizadas por sistema informatizado, assim como o Estado poder viabilizar um fluxo logístico das vacinas de forma a não expor os produtores rurais a aglomerações, foram aspectos decisivos para a manutenção da etapa”, afirma Debiazzi.

    Mossero enfatiza que, em um momento crítico como o atual, “medidas como esta, baseadas nas orientações das autoridades de Saúde, são assertivas e necessárias para as cadeias produtivas.”

    As adequações permitirão que tanto produtores quanto o serviço oficial tenham condições de executar suas atividades, na opinião de Paarmann. “Isso, sem prejudicar a vacinação efetiva e, também, sem onerar produtores com multas que poderiam ser aplicadas se estivéssemos numa situação de normalidade”, pontua.

    Para enviar as comprovações, está disponível o sistema de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave) (link para https://gedave.defesaagropecuaria.sp.gov.br/), no site da Coordenadoria de Defesa Agropecuária do estado de São Paulo (CDA).

    Na impossibilidade de utilização desse sistema, o usuário poderá entrar em contato com os Escritórios de Defesa Agropecuária da região mais próxima da propriedade e enviar a declaração via endereço eletrônico (e-mail).

    Em último caso, será possível agendar um horário para que seja realizada a entrega por meio presencial. Todas as informações referentes às unidades mais próximas estão disponíveis em https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/.

    Vacinação em SP é prevista até 2021

    O objetivo do PNEFA é que a suspensão da vacinação contra a febre aftosa seja gradual em todo o território brasileiro. Para isso, ações devem ser desenvolvidas em âmbito municipal, estadual e nacional, com o envolvimento do Serviço Veterinário Oficial (SVO), setor privado, produtores rurais e agentes políticos.

    Para São Paulo, que teve o combate à doença iniciado na década de 1970 e alcançou o reconhecimento da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) como Estado livre da febre aftosa com vacinação, com último foco da zoonose em 1996, os trabalhos se conduzem para a retirada da imunização. A previsão é que as vacinas sejam mantidas no Estado até a etapa de maio de 2021.

    “Buscamos a elevação de status para livre de febre aftosa sem vacinação, e, para isso, é imprescindível, além de incrementar as atividades que envolvem a vigilância para essa enfermidade, manter aquelas que vêm sendo realizadas satisfatoriamente, como a imunização dos bovinos e bubalinos, tendo em vista que alcançamos índices de vacinação maiores de 90% há mais de 15 anos”, comenta Debiazzi.

    Sobre o CRMV-SP

    O CRMV-SP tem como missão promover a Medicina Veterinária e a Zootecnia, por meio da orientação, normatização e fiscalização do exercício profissional em prol da saúde pública, animal e ambiental, zelando pela ética. É o órgão de fiscalização do exercício profissional dos médicos-veterinários e zootecnistas do estado de São Paulo, com mais de 39 mil profissionais ativos. Além disso, assessora os governos da União, estados e municípios nos assuntos relacionados com as profissões por ele representadas.

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