• Genética
  • IATF: mercado quintuplica em sete anos

    20/08/2014
    O mercado brasileiro de inseminação artificial por tempo fixo (IATF) quase quintuplicou nos últimos sete anos.

    Movimentando R$ 117 milhões em 2013, a venda de protocolos para estimular e sincronizar o cio em vacas passou de 1,6 milhão em 2007 para 7,5 milhões no ano passado. A popularização da técnica vem possivelmente alavancando a venda de sêmen no Brasil. Enquanto em 2010 as vendas de doses de sêmen somavam 10 milhões de unidades, sendo destinadas 50% para IA e 50% para IATF, em 2013 aproximadamente 65% da comercialização de 14,3 milhões de doses foi destinada à IATF.

    A disseminação da tecnologia acontece junto a um momento de boas margens para o pecuarista, incluindo o criador. Segundo dados da consultoria MB Agro, comparando o preço da arroba do boi gordo entre janeiro a junho de 2014 com o mesmo período de 2013, houve valorização de 23% em SP, 25% em MS e 27% em GO. Para o bezerro, a valorização foi de 26%, 28% e 24%, respectivamente. Já a margem operacional da cria que era, em média, de 10% em 2013, passou para a faixa entre 35% a 40%.

    O bom momento para o criador é uma das consequências do abate de fêmeas nos últimos anos, que chegou a provocar, segundo alguns analistas, até uma redução de rebanho no Brasil, quadro que começou a mudar em meados de 2013 com mais retenção de matrizes, apontou o gerente de marketing da unidade de negócios bovinos da Zoetis, Rodrigo Faveri, durante evento organizado pelo laboratório para o lançamento da parceria com o empresa argentina Syntex.

    Pelo ponto de vista do criador, a IATF entra como ferramenta para melhorar índices produtivos e acelerar a produção. “Existem técnicas para induzir a puberdade de novilhas para elas entrarem em reprodução mais cedo. Para quem quer produzir mais bezerros, isso é fundamental. A IATF vem também melhorar a qualidade dos bezerros. Quem tem hoje bezerro de qualidade consegue muito mais que o preço médio de R$ 1.000,00”, afirmou Faveri.

    De acordo com ele, a tecnologia tem contribuído para uso de confinamento como ferramenta para terminação no Brasil porque auxilia na produção animais padronizados que respondem ao cocho, além de permitir a criação de programas de qualidade de carne. “No sistema tradicional - a IA por detecção de cio -, a gente conseguia índices baixos de prenhez para obter um rebanho grande de bezerros meio sangue. Hoje há projetos com grande escala, permitindo aos frigoríficos criarem marcas de carne por conta do uso da IATF”, assegura o gerente de marketing.

    Facilitar a detecção de cio atenua ainda outro grande problema nas fazendas atualmente, a escassez de mão de obra. “Além de ser tecnicamente difícil de fazer a detecção de cio em um rebanho grande, há ainda o custo elevadíssimo com pessoas. O custo de mão de obra é um dos componentes mais importantes dentro de uma fazenda tanto de corte quanto de leite”, lembrou o diretor da unidade de negócios bovinos da Zoetis, Elcio Inhe.

    Para aumentar sua participação neste mercado, a Zoetis anunciou representação exclusiva de três produtos do laboratório argentino Syntex, que já são utilizados em protocolos de inseminação artificial por tempo fixo no Brasil. São eles DIB (dispositivo intravaginal com 1g de progesterona), Gonadiol (estrógeno de rápida ação usado para indução e ressincronização de cio) e Novormon (gonadotrofina utilizada para aumentar taxas de crescimento folicular, ovulação e prenhez). Os três produtos se juntam a CIDR, Lutalyse e E.C.P., da Zoetis, em sua linha de reprodução bovina.

      Vendas de protocolos de IATF no Brasil (em milhões de unidades)

    Boas práticas

    Além de anunciar a representação exclusiva dos produtos Syntex, a Zoetis lançou quatro novos manuais de boas práticas, produzidos em conjunto com o Grupo Etco (Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal), da Unesp Jaboticabal, uma parceria já havia rendido outras seis publicações. Os livretos abordam pecuária de corte (embarque, manejo de bezerros ao nascimento, projeto e construção de curral, identificação, transporte e vacinação) e pecuária leiteira (manejo de bezerros leiteiros, conforto de vacas em lactação, ordenha e vacinação). “Há uma associação positiva entre bem-estar animal com a saúde animal e humana, produção, eficiência do trabalho e sustentabilidade”, justificou a doutora em genética e melhoramento animal pela Unesp, Aline Sant’anna, pesquisadora do Grupo Etco.

    Os manuais visam reforçar práticas de fácil aplicação dentro da porteira que, somadas, fazem diferença no resultado final da criação de gado, seja o objetivo a produção de carne ou de leite. Em um dos estudos feitos, registrou-se, por exemplo, caminhões carregados com animais trafegando a 140 km/h. “Cada hora de transporte significa 0,20 hematoma por animal em média. Por isso é necessário planejar a hora e a logística desse transporte”, exemplificou Sant’anna.

    Segundo o gerente técnico da unidade de negócios bovinos e equinos da Zoetis, Elio Moro, há planos para que seja publicado um manual de boas práticas exclusivo para manejo reprodutivo. Estudos preliminares do Grupo Etco apontam que animais com maior reatividade têm redução de até 10% na taxa de concepção, caindo de 53% para 43%.

    A agitação das matrizes, segundo a pesquisadora Aline Sant’anna, pode ser advinda de fator genético, mas também pode ocorrer em função do manejo. Em uma rotina de trabalho em que batidas e gritos são mais frequentes, as fêmeas apresentam pior desempenho. “Por incrível que pareça, a gente ainda observa uso de bastão elétrico durante o manejo de reprodução, o que é inadmissível”, condenou Sant’anna.

    Fonte: Rural Centro

     
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