• Genética
  • IATF e sustentabilidade, uma parceria de sucesso

    21/10/2016
    O brasil possui o maior rebanho bovino comercial do mundo com 212,13 milhões de cabeças, destacando-se não somente pelo tamanho do rebanho, mas também pelo potencial de crescimento.

    Rafael Achilles Marcelino*

    Com relação a produção de carne bovina, o Brasil obteve uma produção de cerca 12,38 milhões de toneladas de carne bovina em 2015, sendo superado apenas pelos EUA com cerca de 12,88 milhões de toneladas.  O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de carne bovina representando 13% do mercado consumidor mundial, com aproximadamente 7,3 milhões toneladas equivalente carcaça, ficando apenas atrás de EUA e União Europeia com 12,5 e 8.5 milhões de toneladas, respectivamente.

    Embora tenha todo esse impacto na economia mundial, a bovinocultura de corte brasileira precisa melhorar, e muito, sua produtividade. E este processo deve ser feito de maneira sustentável, ou seja, a produtividade é o fator primordial de crescimento sustentável da cadeia de carne bovina brasileira. E, para produzir com qualidade temos que reproduzir com excelência.

    Portanto, esse artigo visa elucidar o impacto da eficiência reprodutiva no aumento da produtividade de carne para o mercado mundial e seu papel na sustentabilidade econômica e produtiva.  Em especial, será abordado a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), pois se trata da ferramenta reprodutiva de maior impacto econômico e produtivo principalmente em criações extensivas de bovinos de corte, predominantes no Brasil.

    Terras no Brasil e no mundo

    Segundo o IBGE, ocupando uma área territorial de cerca 8,5 milhões de km² o Brasil é o quinto país mais extenso do mundo. Dessa área total, dados do MIMA mostram os Biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, onde se encontra a maior parte do rebanho bovino nacional, são responsáveis por aproximadamente 4 milhões de km², 2 milhões de km² e 150mil km², respectivamente, o que corresponde a cerca de 75% da área territorial brasileira.

    Recentemente, o CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e a SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) divulgaram dados sobre a utilização da terra no Brasil (gráfico 1) os quais mostraram haver uma área de aproximadamente 90 milhões de hectares disponível para a utilização em favor do agronegócio brasileiro. Essa área corresponde a cerca de 10% do território nacional.

    Gráfico 1 – Utilização da terra brasileira

    A área de terras potencialmente cultiváveis no mundo, ou seja, aptas à prática da agricultura ou da pecuária, foi também analisada pela FAO (gráfico 2). Desse estudo, percebeu-se que o Brasil é o país que mais possui potencial de exploração apta a prática agropecuária, enquanto que muitos outros países como EUA e Austrália possuem sua área cultivável praticamente já saturada, enquanto que na Índia, o potencial de expansão é zero. Esse fator confere ao Brasil uma grande capacidade de reagir a aumentos de demanda pelo produto e reforça sua importância e responsabilidade como o grande produtor mundial de alimentos.

    Gráfico 2 – Potencial de terras cultiváveis nos principais países

    Apesar desse quadro favorável a exploração produtiva, a degradação das pastagens é um dos maiores problemas da pecuária brasileira na atualidade. Estima-se que 80% dos 50 a 60 milhões de hectares de pastagens cultivadas do Brasil Central, que respondem por 55% da produção de carne nacional, se encontram em algum estado de degradação. Estes problemas afetam diretamente a sustentabilidade da pecuária. Considerando apenas a fase de recria e engorda de bovinos, a produção animal em uma pastagem degradada pode ser seis vezes inferior ao de uma pastagem recuperada ou em bom estado de manutenção. Logo, não basta ter terras, deve-se saber aproveitá-las com qualidade e eficiência.

    Panorama da população mundial

    Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) a população mundial tem crescido nos últimos anos. Hoje o planeta terra conta com cerca de 7 bilhões de seres humanos e em 2050 esse número poderá atingir o valor de 9,1 bilhões de habitantes.

    Foi se elaborado um estudo do panorama da população entre os anos de 1940 e 2020 (gráfico 3) no qual se constatou o crescimento populacional nos próximos anos porém em ritmo cada vez menor já que se percebe uma redução das taxas de crescimento durante o mesmo período. Com esse panorama de crescimento populacional, o Brasil, grande ” Celeiro do mundo”, deve estar preparado para atender a demanda de alimentos pela população. Para isso, deve-se aperfeiçoar seu sistema produtivo visando o aumento da produtividade por unidade de área, afinal, deve-se produzir cada vez mais numa área cada vez menor.

    Gráfico 3 – Panorama da população mundial e taxa de crescimento

    Produção e consumo da carne bovina

    A produção mundial de carne bovina cresceu significativamente entre 2006 e 2015, saltando de 65,922 milhões para 77,834 milhões de toneladas equivalente a carcaça. O gráfico 4 representa a produção de carne bovina e de vitelo dos maiores produtores mundiais. Estados Unidos, Brasil e China figuram como os três maiores países produtores individuais, embora os maiores rebanhos pertençam ao Brasil, India e China, nessa ordem. Entretanto, os países que possuem os maiores rebanhos não caracterizam o melhor desempenho em produção de carne bovina. Os Estados Unidos, por exemplo, detentores do quarto rebanho mundial, apresentam-se com a classificação de maior produtor do mundo.

    Gráfico 4 – Produção de consumo de carne mundial

    Assim como crescimento mundial produtivo de carne bovina, entre os anos de 2006 e 2015 ocorreu também a elevação no consumo mundial, o qual saltou de 65,922 milhões para 77,834 milhões de toneladas equivalente-carcaça (tabela 1). Dentre os maiores consumidores se destacam EUA, UE, Brasil e China.

    Tabela 1 – Produção em milhões de tonelada por Pais e % de crescimento

    O consumo de carne bovina é influenciado principalmente pela renda per capita da população, pelos preços do produto e das demais carnes substitutas, tais como as carnes de frango e de suíno. Logo, a elevação no consumo somente será permitida se houver alimento disponível e acessível a população. Para tanto deve haver aumento na produtividade de carne bovina, caso contrário, a carência no mercado do produto carne forçará a queda em seu consumo.

    Entre os anos de 1974 e 2009, foi delieado a evolução do rebanho bovino e das áreas de pastagens destiadas a pecuária (gráfico 5).

    Gráfico 5- Evolução do rebanho e da pastagem

    O gráfico revela o ganho de produtividade da pecuária brasileira nas últimas décadas devido ao aumento da taxa de lotação das pastagens quanto na produção de carne. Em 1974 era cerca de 91 milhões de cabeça em aproximadamente 163 milhões de hectares de pastagem, e em 2009 atingiu a marca de 195 milhões de cabeças em aproximadamente 171 milhões de hectares de pastagem, isto é, a taxa de lotação aumentou de 0,55 cabeça/hectare em 1974 para 1,14 cabeça/hectare em 2009.

    Entre os anos de 1974 e 2009, a área de pastagem brasileira passou de 163 milhões para 171 milhões de hectares. Um crescimento de apenas 4,9% em 35 anos. Outro fato marcante é que se pode observar é a redução da área de pastagem a partir do ano de 1985. Tais dados mostram houve expansão das áreas destinadas a atividade da pecuária nos últimos anos, mas não nessa velocidade alarmante divulgada diariamente nos mais diversos meios de comunicação na qual o boi é tratado como vilão e o fazendeiro como bandido da natureza.

    Também, entre 1974 e 2009, o rebanho bovino brasileiro teve um salto fantástico em seu efetivo. O número de animais passou de 91 milhões para 171 milhões de cabeças. Um crescimento de 88% no rebanho.

    Porém, o destaque maior acontece na produção de carne. Entre 1975 e 2008, segundo estudo do MAPA, a produtividade aumentou de cerca de 270% no peso total de carcaças nesse período, isto é, houve importante elevação da produtividade de 1.790.855 para 6.619.010 toneladas. São dados importantíssimos para a prática e estudo da pecuária sustentável porque está se produz cada vez mais numa área cada vez mais restrita.

    A tabela 1 elucida a atual situação da pecuária bovina brasileira. Da tabela 1 percebe-se o quanto a taxa de desfrute brasileira ainda tem a melhorar e chegar a valores próximos e até mesmo mais eficientes que Argentina, Austrália e Estados Unidos, cujas taxas de desfrute são 26, 32 e 37%, respectivamente. Potencial o Brasil tem, entretanto deve saber explorá-lo. Assim, a IATE aliada ao manejo, a nutrição, a sanidade e a genética, é a ferramenta reprodutiva que permite melhorar os índices produtivos e potencializar melhores retornos econômicos.

    Tabela 2 – Situação da pecuária bovina em 2008

    Desempenho reprodutivo

    A rentabilidade econômica de uma empresa agropecuária, principalmente aquelas que exploram a bovinocultura de corte, está altamente relacionada com a reprodução. Economicamente, o mérito reprodutivo é considerado 5 vezes mais importante que o ganho de peso e 10 vezes mais importante que a qualidade final do produto. No Brasil, essa relação é maior do que 300 vezes para os sistemas de produção de bovinos de corte em regime exclusivo de pastagens. Isto significa que a fertilidade e a sobrevivência dos bezerros são mais importantes do que qualquer outra característica na determinação da rentabilidade da produção de bovinos de corte. Logo, a adoção de estratégias de manejo reprodutivo, que possibilitem alcançar índices adequados, é vital para o sucesso econômico da pecuária brasileira.

    Os índices reprodutivos também são valiosas ferramentas para verificação do impacto que o melhoramento genético tem sobre a eficiência reprodutiva, principalmente no que diz respeito às características ligadas ao crescimento e a qualidade da carcaça.

    No que se refere à eficiência reprodutiva em bovinos de corte, principalmente sobre regime de criação extensiva típica do Brasil, a Inseminação Artificial em Tempo Fixo é a biotecnologia reprodutiva que mais impacto têm sobre seus índices econômicos.

    Impacto da Iseminação Artificial (IA) na sustentabilidade produtiva

    As vantagens da IA são: melhoramento genético, controle de doenças, cruzamento entre raças, prevenção de acidentes com a vaca durante sua cobertura por um touro muito pesado, redução da dificuldade em partos, aumento do número de descendentes de um reprodutor, controle zootécnico do rebanho e padronização do rebanho.

    De todas essas vantagens, o grande benefício da IA refere-se às consequências do ganho genético proporcionadas ao rebanho. O uso do sêmen de reprodutores comprovadamente superiores para a produção de carne permite a obtenção de bezerros mais pesados à desmama, com melhor capacidade de ganho de peso e com melhor acabamento de carcaça. Isto é, consegue-se atingir o peso de abate no menor tempo possível e com melhor qualidade do produto final, a carne. Portanto, permite com que se reduza o tempo de permanência dos animais na fazenda por meio da redução da idade ao abate, ou seja, eleva-se a taxa de desfrute da fazenda.

    Impacto da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) na sustentabilidade produtiva

    Apesar de possuir esse importante papel no melhoramento genético, a IA não resolve o grande problema da eficiência reprodutiva, a falha na identificação e reconhecimento do cio, e o anestro pós-parto. As perdas de cio aumentam o número de dias improdutivos dos animais, elevam o intervalo entre partos e diminuem o número de bezerros nascidos. Ao observarem esses efeitos, muitos fazendeiros interrompem seus programas de inseminação artificial. Dessa forma, programas de inseminação em tempo fixo, sem a necessidade de detecção de cio, colaboram para o aumento da eficiência e do emprego da técnica de IA.

    Apenas 7% das fêmeas em idade reprodutiva são inseminadas no Brasil. E desse total, estima-se que cerca de 20% das inseminações são realizadas pela técnica de tempo fixo. Assim, a IATF tem se mostrado uma forte tendência para o desenvolvimento da pecuária do Nacional, e já está sendo largamente utilizada por simplificar o uso da inseminação artificial (IA) em criações extensivas.

    No sistema extensivo de criação de bovinos de corte utilizado no Brasil, observa-se que aproximadamente 50% das vacas estão em anestro por ocasião do início da estação de acasalamento, principalmente devido a deficiências nutricionais e à baixa condição de saúde dos ventres. Essas vacas tendem a apresentar baixas taxas de concepção quando submetidas à IATF. Desse modo, as vacas destinadas a programas de ATF devem preencher alguns pré-requisitos, principalmente no que se refere à condição corporal (mínimo 2,5 em uma escala de 1 a 5). A tabela 3, demonstra os efeitos do período de serviço e tempo decorrido entre o parto e o primeiro cio fértil, sobre a eficiência reprodutiva de um rebanho.

    Tabela 3 – Efeito do período de serviço e gestação sobre intervalos entre partos e taxa de nascimento

    A Taxa de Prenhez (TP) é a relação entre o número de fêmeas que ficaram prenhes por ocasião da estação de monta, e o número de fêmeas introduzidas no programa reprodutivo. Refere-se à interação entre a Taxa de Concepção (número de fêmeas prenhes/número de fêmeas inseminadas expressa em porcentagem) e a Taxa de Serviço (número de fêmeas inseminadas ou cobertas/número de fêmeas aptas a reprodução).

    A Taxa de Serviço (TS) depende do número de fêmeas que estão ciclando e da eficiência com que os estros estão sendo detectados. Já a Taxa de Concepção (TC) é influenciada pela fertilidade das vacas e dos touros ou pela qualidade do sêmen, pela eficiência da detecção dos estros e da técnica de inseminação. Logo, o emprego da IATF incide tanto na TS quanto na TC uma vez que elimina a necessidade de detecção do cio e induz a ciclicidade em vacas em anestro elevando a taxa de prenhez. Todavia, um dos índices mais importantes na atividade de cria é a taxa de desmama. Este índice representa a relação entre o número de bezerros nascidos vivos e o número de vacas aptas à cobertura expressa em porcentagem. Por tanto, a fazenda que esteja com seu manejo, nutrição e controle sanitário controlados, ao investir em genética e reprodução, conseguirá boas taxas de desmame, com bezerros mais pesados e com menor idade ao abate.

    Conclusão

    Assim, pode-se concluir que o emprego da IATF é de fundamental importância para o desenvolvimento da pecuária e da economia brasileira. Sua correta utilização resulta em melhorias das taxas de serviço e de concepção e, consequentemente, no aumento da taxa de prenhez, o que proporciona ao rebanho uma redução do intervalo entre partos, redução do período de serviço, aumento na taxa de lotação e a elevação taxa de desfrute da fazenda, ou seja, permite ao produtor que se intensifique a produção de carne hectare/ano, alavancando melhores retornos econômicos sem necessidade de ampliação das fronteiras agrícolas. Ou seja, haverá maior e melhor produção de carne numa área cada vez menor, tornando a atividade mais rentável e sustentável.

    *Rafael Achilles Marcelino - Universidade Federal de Lavras – 3rlab

    Fonte: 3rlab

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