• Nutrição
  • Integração Lavoura-Pecuária garante eficiência na produção de bovinos de corte

    11/05/2017
    A eficiência produtiva de um sistema composto por pastagens bem manejadas e uso de suplementação nutricional estratégica para bovinos de corte vem sendo comprovada por um projeto de doutorado desenvolvido na Embrapa Milho e Sorgo.

    “Enquanto a média de lotação animal registrada no Brasil é de 0,7 UA por hectare, conseguimos até 6,5 UA na mesma área em pastagens formadas com capim mombaça”, destaca Isabella Maciel, médica veterinária e doutoranda em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais. A sigla UA quer dizer Unidade Animal e corresponde a 450 kg de peso vivo. O projeto tem o objetivo de avaliar o desempenho produtivo e econômico de bovinos zebuínos e cruzados recriados em pastagem em sistema de Integração Lavoura-Pecuária e terminados em confinamento.

    A médica veterinária destaca os elevados ganhos obtidos pelos animais jovens na fase de recria em pastagens provenientes do sistema de integração. Esses ganhos são maiores em bovinos originários de cruzamento industrial entre as raças ½ Nelore e ½ Aberdeen Angus em relação a animais Nelore. Os bezerros de sete meses de idade entram no período da seca para pastejarem em quatro glebas, que totalizam 22 hectares, onde é feita a rotação de cultivos na primavera-verão, com a utilização do sistema de plantio direto. A cada ano, são feitos os seguintes plantios: soja, milho consorciado com capim braquiária e sorgo com capim mombaça.

    O capim mombaça constitui a pastagem de primavera-verão destinada aos animais na recria, sendo subdividida em cinco piquetes de 1,1 hectare cada, utilizados em sistema de pastejo rotacionado. “Temos uma experiência de 12 anos com esse sistema. Os bezerros ficam de julho até o início do período das águas nas glebas de braquiária e depois vão para os piquetes rotacionados de capim mombaça. Esse sistema suporta os animais até junho do ano seguinte, quando entram para o confinamento”, explica a veterinária. A soja, o milho e o sorgo são usados como alimentos na fase de terminação, tanto como silagem quanto como grãos na elaboração de concentrado.

    Ganhos diários de mais de 2 kg em confinamento

    Os animais entram em sistema de confinamento pesando entre 13 e 14 arrobas e os resultados do último ano mostram um ganho médio diário de 2,026 kg para os animais de cruzamento industrial. Na época do abate, com 22 meses e ao final de 110 dias, os animais atingem um peso médio de 20,2 arrobas com rendimento de carcaça superior aos 57%. Em regime de confinamento, a dieta é composta por 65% de concentrado (composto por fubá de milho, soja e núcleo, sendo este último uma mistura de fontes proteicas, minerais e aditivos) e 35% de volumoso (silagem de milho).

    “Como é uma alimentação rica em concentrado, o núcleo fornece aditivos que vão manter o pH ruminal mais elevado, evitando distúrbios como a acidose”, explica Isabella Maciel. A correta adaptação dos animais à dieta também é essencial para o sucesso do confinamento. Os bovinos passam por um período de adaptação de 21 dias recebendo formulações variáveis de volumoso e concentrado, sendo que a oferta diária de alimento nos primeiros dias é fixada em 1,8% do peso vivo do animal, aumentando gradativamente. “Após esse período, o consumo dos animais vai aumentando, o que reflete no maior ganho de peso diário e consequente elevado peso ao abate”, conclui.

    Pastagens em sistema de integração

    O plantio das culturas em cada gleba é feito de forma rotacionada. Assim, na gleba onde foi plantada soja no ano anterior, será feita a lavoura de milho-capim. Onde foi milho com braquiária será sorgo com capim. Onde foi sorgo-mombaça será pastagem; e onde foi pastagem será soja. O sistema de rotação oferece vantagens tanto para a agricultura quanto para a pecuária. No caso das lavouras, a rotação e a sucessão melhora a estrutura do solo, promove maior aproveitamento de nutrientes, inclusive a reciclagem, diminui a pressão de pragas e aumenta a quantidade de matéria orgânica e a oferta de água no terreno. Para a pecuária, possibilita a produção de forragem no período da seca, a recuperação da produtividade da pastagem e a economia na implantação das áreas de pastejo.

    A ILP intensifica o uso da propriedade e reduz os custos de produção, além de aumentar a estabilidade de renda do produtor. “Mesmo com as condições adversas de clima na região, temos conseguido produções satisfatórias em sistema de sequeiro", mostra o pesquisador Ramon Alvarenga, da Embrapa Milho e Sorgo, reforçando as vantagens do plantio direto e da integração. O pesquisador orienta o trabalho de doutorado desenvolvido na área experimental da Embrapa. O próximo objetivo da pesquisa da doutoranda é mensurar as emissões de metano de cada raça nos diferentes sistemas, tanto no sistema de pastejo quanto em fase de terminação, em confinamento.

    Tendência no mercado brasileiro

    O sistema intensivo de engorda atende ao mercado de carnes premium, em que é oferecido um animal com bom acabamento de carcaça e abatido precocemente. Se atendidas essas exigências, o produtor consegue um preço melhor pelo produto. A iniciativa é da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), sendo que protocolos de rastreabilidade com menção de raças bovinas nos rótulos conferem uma certificação ainda maior ao produto, pois são informadas as garantias que serão repassadas ao serviço de inspeção. O serviço de inspeção sanitária é realizado para atender aos requisitos sanitários exigidos para produção, comercialização, consumo e exportação de produtos com qualidade. Alguns exemplos de protocolos de carne bovina são Angus, Nelore Natural, Hereford, Braford, Charolês, Wagyu, Cota Hilton e União Europeia, entre outros.

    As carnes premium são tendência no mercado brasileiro. Para abastecer esse setor, de acordo com o médico veterinário Fabiano Alvim Barbosa, da empresa Pecsa (Pecuária Sustentável da Amazônia), que atua na promoção da cadeia produtiva da pecuária, é necessário investir em nutrição e genética, além de se buscar um manejo eficiente de pastagens, com técnicas de semiconfinamento ou confinamento. “Por melhor que seja o manejo da pastagem, o pecuarista não consegue abater esse boi com menos de três anos. É aí que entram essas duas ferramentas, de semiconfinamento ou confinamento. Dessa forma, conseguimos antecipar o abate dos animais, com maior peso, oferecer um rendimento de carcaça bem acima dos 50% e aumentar a eficiência do sistema”, explica o veterinário.

    Fonte: Embrapa Milho e Sorgo

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