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  • JUSTIÇA NÃO SE FAZ COM A FACA NOS DENTES

    20/03/2017

    Editorial

    Neguinho que vai ao açougue e não sabe distinguir uma carne in natura, saudável, de uma carne podre, adulterada ou com cheiro esquisito, merece passar o resto da vida sem poder apreciar um bom churrasco, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra. Os funcionários do MAPA presos na “Operação Carne Fraca”, na última sexta-feira, representam 0,5% de toda a categoria. No total, são 11 mil servidores e apenas 33 são citados pela PF por desvio de conduta.
    Pela nota oficial divulgada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, “o Serviço de Inspeção Federal é considerado um dos mais eficientes e rigorosos do mundo. Tem um quadro de 2.300 servidores e inspeciona 4.837 unidades produtoras habilitadas para exportação para 160 países”.
    O Brasil tem 4.837 unidades de processamento animal e em apenas 21 delas foram encontrados algum problema, cerca de 0,5% do total. E dessas 21, apenas seis exportaram nos últimos 60 dias. Tratam-se de empresas pequenas, de fundo de quintal, nem de longe comprometidas com a saúde dos animais abatidos, menos ainda com a qualidade dos processos de recebimento das carcaças. E o que é pior: com a saúde dos consumidores que irão comer esse produto, sejam eles brasileiros ou não.
    É claro que existiu corrupção de fiscais do Ministério e que a PF foi chamada para averiguar denúncias e promover as investigações. Que ótimo! Esse trabalho tem de ser feito sempre e em todos os setores, caso queiramos acabar com a corrupção neste País. Mas atenção: "acabar com a corrupção e não com as empresas ou com o mercado da carne no Brasil.
    Ao chamar os holofotes para si, no momento de deflagrar a Operação que chamou de Carne Fraca, ela, a PF, saiu fora do seu estrito dever de apurar, investigar e abrir um inquérito, para ser truculenta e sair prendendo. E ainda fazer este estardalhaço público com a conivência da mídia irresponsável e sensacionalista. Ao divulgar uma operação desse porte justo no segmento de alimentação, as pessoas perdem a capacidade de julgamento e viram "marias-vai-com-as-outras", iludidas e pavoneadas por estarem no meio dos holofotes.
    E perdem o senso crítico. E é nesse ponto aí, que a PF começa a prestar um enorme desserviço ao País, jogando por terra anos de trabalho sério dos pecuaristas, do MAPA, de um sem número de associações de várias raças de rebanhos e de empresas, entre outras dezenas de instituições, envolvidas com o fim da Aftosa no Brasil, só para ficarmos em um exemplo, além de muitos outros.
    Uma missão hercúlea para fazer com que o País seja respeitado lá fora e que confiem nos nossos produtos. Missão que nos levou ao topo do mundo, pois hoje o Brasil é o maior exportador de carne bovina para a União Europeia, Japão, Irlanda, Rússia, China, e tantos outros compradores. Uma a uma as barreiras sanitárias que nos impediam de melhorar índices de nossa Balança Comercial foram derrubadas, ao longo das últimas décadas de trabalho sério, comprometido e focado.
    E agora, nós, jornalistas não-imbecilizados e não-sensacionalistas, vamos ficar de braços cruzados enquanto o que se pretende, pelo visto até aqui, não é só acabar com a corrupção no setor, mas, com as empresas sólidas que fazem parte dele? Aqui, no portal Boi a Pasto, não vai ser assim. Vamos nos posicionar ao lado de quem cumpre regras, normas e leis para fazer um trabalho decente e responsável no setor de abate e exportação de carne.
    Essa luta também é nossa, responsáveis que somos pelo jornalismo ético e verdadeiro, imparcial e sem puxa-saquismos. O Brasil não merece ter mais um segmento da sua indústria desmontado. É o único que ainda está garantindo empregos e superávits em nossa Balança Comercial e não é justo que suas empresas, até as erradas, sejam lançadas ao inferno da execração pública, antes mesmo que os inquéritos sejam concluídos.
    Democracia e justiça não se fazem com a faca nos dentes.

    Texto: Marisa Rodrigues, jornalista especializada em agronegócio,
    Publisher do portal Boi a Pasto e amantíssima fiel de um bom churrasco.



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