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  • Manejo de touros pós-venda e pré-estação de monta

    21/09/2017
    O adequado manejo dos touros eleva a taxa de prenhez e o rápido retorno do capital investido no reprodutor, seja oriundo de compra ou produção própria

    Juliana Corrêa Borges Silva*
    Márcio Ribeiro Silva*

    O adequado manejo dos touros eleva a taxa de prenhez e o rápido retorno do capital investido no reprodutor, seja oriundo de compra ou produção própria. No Brasil, somente 12% das fêmeas bovinas são inseminadas artificialmente e, por lógica, estima-se que cerca de 87% dos bezerros nascidos são oriundos de monta natural. Assim sendo, as tecnologias de avaliação genética e o exame andrológico dos reprodutores são plenamente justificados, com forte impacto econômico nos sistemas produtivos.

    Do ponto de vista técnico, na aquisição de um reprodutor fica implícito que a capacidade reprodutiva esteja atestada pelo exame andrológico e sua potencialidade de deixar bons descendentes expressas pela avaliação genética ou conjunto de DEPs (Diferença Esperada na Progênie) das características de interesse. Estas informações deverão ser fornecidas pelo criador do touro por meio do certificado de exame andrológico, emitido por Médico Veterinário responsável, e das avaliações genéticas em documentação comprobatória emitida pelo programa ou empresa de melhoramento genético que assiste à seleção do criatório. Ressalta-se que o certificado de exame andrológico tem validade de 60 dias, portanto, este deverá ser recente à aquisição do touro. Cabe lembrar que todos os touros que serão utilizados na estação de monta devem ser avaliados pelo exame andrológico.

    O exame andrológico tem por fundamento a avaliação de todos os fatores que contribuem para a função reprodutiva e produtiva normal do macho, sendo composto pelo exame clínico geral e do aparelho reprodutor do touro, incluindo os órgãos genitais e as glândulas anexas, bem como da avaliação do sêmen. Esta avaliação do sêmen é constituída pela análise física do ejaculado (aspecto, volume, concentração e parâmetros de movimentação dos espermatozoides) e pelo exame de morfologia ou defeitos dos espermatozoides. Importante ressaltar que as avaliações física e morfológica do sêmen são imprescindíveis, tanto na seleção dos reprodutores quanto no acompanhamento e seu desempenho reprodutivo, com o objetivo de evitar a ocorrência de problemas de subfertilidade ou infertilidade que possam comprometer a eficiência reprodutiva e produtiva do rebanho.

    Além desses aspectos, o manejo dos animais adquiridos é extremamente importante, sobretudo quando estes são introduzidos num ambiente diferente de onde foram criados e recriados, necessitando de um período de adaptação para entrarem na estação de monta e serem eficientes. Por vezes, um manejo de adaptação inadequado se traduz no insucesso reprodutivo e produtivo, mesmo que os touros tenham bom potencial genético e sejam aptos à reprodução. Animais com baixa adaptação apresentam, em regra, baixa condição corporal, isto é, ficam magros (“muito sentido”) devido à disparidade entre o manejo nutricional de onde foram recriados ou preparados para a venda e o destino. São vários os fatores de estresse envolvidos no período de adaptação ou “aclimatação”, como o transporte, clima, intensificação do sistema de produção, período de confinamento, oferta quantitativa e qualitativa de forragens, hierarquia, tamanho do pasto ou invernada, etc. Tudo isto determinará o período de recuperação para o início da estação de monta.

    Assim, touros recém-adquiridos ou de primeiro serviço devem receber tratamento diferenciado (manejo de adaptação, nutricional, reprodutivo e sanitário), para que cheguem ao final da estação de monta sem se debilitar, aumentando sua vida útil como reprodutor. O manejo de adaptação consiste na observação do estado geral dos animais ao chegar na fazenda e ao tratamento que será dado ao touro, no período que precede a estação reprodutiva.

    Touros jovens recém-adquiridos devem ser destinados às melhores pastagens, dotadas de sombreamento e adequado fornecimento de água e mineralização. A introdução de touros novos deve se dar com animais de idades ou eras mais próxima possíveis, a fim de minimizar acidentes nesta fase de estabelecimento de dominância entre os animais, aspecto relevante quando forem expostos às matrizes.
    O manejo nutricional deve ser diferenciado pelo fato destes animais serem jovens, portanto em crescimento, requerendo o atendimento às exigências nutricionais via pastagens e estratégias de mineralização e/ou suplementação. Outro aspecto crucial está no fato de o ambiente ruminal (microrganismos do rúmen) ter a necessidade de modificação pela dieta que possuía e a do novo destino. Esta mudança é gradativa, não ocorre instantaneamente, e quanto mais discrepante forem as diferenças entre o ambiente de recria e o de monta, maior deverá ser o cuidado e maior o tempo na fase de adaptação para que os touros possam ser introduzidos na sua primeira estação de monta. Animais advindos de sistemas mais intensificados, como confinamento, devem passar por uma adequação gradual de arraçoamento até que iguale ao manejo nutricional dos demais touros da propriedade.

    Quanto ao manejo reprodutivo, recomenda-se rodeios diários (ou a maior quantidade possível de rodeio) dos lotes de matrizes com touros em sua primeira estação de monta, observando-se o comportamento hierárquico e de libido dos mesmos. Ressalva-se que é esperado que touros muito jovens ou muito velhos sejam os dominados ou “vassalos” e, por isso, não se deve misturar a idade e o tamanho desses animais, pois touros dominantes podem agredir, limitar o acesso à água e aos alimentos e prejudicar o desempenho sexual, impedindo os dominados de acasalar. Sempre que possível, deve-se buscar a uniformidade do lote, evitando situações como a introdução de touros mochos em lote de touros com chifre. É recomendável deixar no mesmo lote um ou dois animais que sejam um ano mais velho e tenham experiência da estação anterior para “ensinar” os mais jovens.

    A relação touro:vaca depende muito do sistema de produção e de algumas condições inerentes, tais como a frequência de rodeio, tamanho dos pastos ou invernadas, limpeza das pastagens/cobertura florestal, uso de inseminação artificial com observação de cio, ou em tempo fixo (IATF), dentre outras. Em regra, convencionou-se 1:25, com situações de menores ou maiores proporções que devem ser analisadas tecnicamente, em função das condições mencionadas a cada caso.

    Quanto aos aspectos sanitários, faz-se necessária a vacinação dos touros contra as enfermidades obrigatórias exigidas pelos órgãos de sanidade animal e outras de ocorrência local. No início da estação de monta, na formação dos lotes, recomenda-se a vermifugação dos touros, bem como considera-se a aplicação estratégica de ectoparasiticidas, especialmente contra a mosca do chifre.
    O segredo fundamental é observar sempre a condição de escore corporal dos touros jovens antes, durante e após a sua primeira estação de monta, de forma a acompanhar e ajustar o manejo, maximizando a vida útil desses reprodutores.

    *Juliana Corrêa Borges Silva, médica veterinária, pesquisadora da Embrapa Pantanal
    *Márcio Ribeiro Silva, médico veterinário da Melhore Animal Ltda.
    Fonte: Embrapa Pantanal



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