• Conjuntura
  • Margem dos Frigoríficos disparam em 2017

    08/01/2018
    Apesar de 2017 ter sido um ano de grandes turbulências para a pecuária, com notícias como Carne Fraca, Funrural, delações premiadas em grandes grupos do setor, a Margem Bruta (margem após a exclusão dos custos variáveis) da Indústria Frigorífica foi uma das melhores da última década.

    No Gráfico 1, podemos verificar que raramente a Margem do Mercado Interno (MI), ou seja, o boi casado sobre o preço do boi gordo, apresentou margens positivas. Porém, em 2017, esta margem voltou a subir, indicando que a simples venda da carcaça casada já permite ao frigorífico apurar margem. Quando adicionamos ao MI, o potencial das exportações de agregar valor à carne, estas margens sobem e elevam a margem das indústrias exportadoras para as maiores das últimas décadas. Ou seja, tanto o mercado interno como o externo, apesar da crise sofrida pelos produtores, estão muito lucrativos.

    Gráfico 1 – Margem Bruta da Indústria Frigorífica no Mercado Interno (MI) e Total (Exportação + Mercado Interno)

    Não é a toa que recentemente começamos a visualizar diversas notícias de melhora na rentabilidade das indústrias ou de ampliação na produção, tanto as indústrias que têm atuação no mercado interno, como aquelas voltadas para exportação.

    Estes fatos demonstram que as indústrias estão dispostas a disputar fortemente a fatia de mercado deixada pelo JBS e que não irão perder esta oportunidade. Também oferece ao produtor mais opções na hora de escolher seus clientes, pois a melhora nas margens destes, oferece menos risco ao vender para industrias menores.

    Por outro lado, demonstra que o produtor pagou caro por esta conta. A queda dos preços a partir do episódio da Carne Fraca (abril/17), que se agravou com a delação premiada, aumentando a escala nas demais indústrias, fez com que estas aproveitassem o excesso de oferta para ampliarem suas margens, espremendo a margem do produtor. O Gráfico 2, mostra o quanto estas margens se ampliaram a partir do evento da Carne Fraca, só voltando a buscar uma correção em julho/17, quando os frigoríficos conseguiram acertar suas escalas, através de mais plantas abertas ou aumento no volume de abate diário.  Recentemente, vemos que a retomada da demanda nas festas de final de ano, também permitiram a industria absorver boa margem no mercado interno, basta comparar a diferença das duas curvas em Setembro e Dezembro. Esta é a lei do mercado e cada um aproveita o momento propício para ampliar suas margens.

    Gráfico 2 – Boi Casado x Índice Esalq

    O interessante nestes fatos é o mercado mostrar a volta do equilíbrio, com a ampliação de outras indústrias, que no passado, não se beneficiaram das escolhas do governo e com o aumento nas exportações, que voltaram a ocorrer a partir de julho/17.  Este fato é muito bom e vem em conjunto com uma retomada das exportações, o que ajuda a aliviar a fraca demanda no mercado interno. No Gráfico 3, podemos ver que os volumes exportados cresceram, mesmo com o aumento dos preços da tonelada em dólar. O que indica um aumento na demanda pela carne bovina brasileira no mercado externo.

    Gráfico 3 – Exportações de carne x Preço da t em Dólar

    Portanto, não resta dúvida que a retomada da demanda ocorrerá inicialmente pelo mercado internacional, que já demonstra interesse em retomar as compras no Brasil. A aceleração no crescimento em alguns importantes importadores, como Rússia e China, também acende uma luz verde para a demanda de carne. Porém, não podemos esquecer que o nosso maior consumidor está no MI e uma perspectiva melhor nos preços estará atrelada à velocidade de retomada do crescimento.

    Fonte: Agromove / Alberto Pessina



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