• Genética
  • Melhoramento genético é essencial para eficiência produtiva em períodos de estiagem

    29/03/2018
    Programa desenvolvido pela Conexão Delta G trabalha com características que podem auxiliar o produtor na seleção dos animais

    As situações de déficit hídrico e estiagens prolongadas são comuns na metade sul do Rio Grande do Sul, especialmente durante o verão, e afetam de forma significativa o desempenho dos bovinos. A maior ocorrência de estiagens é verificada entre novembro e fevereiro, período em que os rebanhos de cria estão em fase de produção com o máximo das exigências nutricionais e, portanto, crucial para o sistema. Também nesses meses a estação reprodutiva está em andamento e uma estiagem prolongada afeta profundamente a produtividade, prejudicando a estrutura do rebanho e a renda do produtor.

    De acordo com o médico veterinário Bernardo Pötter, presidente do Conselho Técnico da Conexão Delta G, os programas de melhoramento genético têm ênfase em características de desempenho, precocidade sexual e qualidade de carcaça que podem auxiliar o produtor a selecionar animais mais adequados ao sistema e ambiente de produção, aliando desempenho e adaptação. A Conexão Delta G avalia os animais em sistemas 100% a pasto, ou seja, sujeitos às condições climáticas da região, o que permite identificar e selecionar os animais mais produtivos dentro do meio ambiente de produção.

    Pötter salienta que os criadores dão muita importância para ganho de peso, pré e pós-desmama, e nos índices genéticos essas características geralmente entram com 50% da ponderação por serem de extrema relevância pois afetam diretamente o custo de produção de carne. “Entretanto, as características de Conformação, Precocidade e Musculatura (CPM) servem para equilibrar e nortear a seleção, indicando qual a composição do ganho de peso dos animais, caso contrário a seleção indiscriminada para ganho de peso levaria a animais de tamanho adulto extremo, resultando em maior exigência nutricional, maior idade à puberdade e ao abate, levando assim à seleção de animais inadequados ao sistema de produção a pasto, principalmente em ambientes com ocorrência de estiagens durante o período crítico do ciclo de produção”, destaca.

    As características de C, P e M são altamente correlacionadas com características de carcaça e de rendimento de cortes, por isso são tão utilizadas na seleção de animais em sistemas a pasto. Conformação e Musculatura são correlacionadas com área de olho de lombo, que indica o rendimento de cortes comerciais e a quantidade de carne na carcaça, enquanto Precocidade é correlacionada com precocidade de acabamento e precocidade sexual que indicam, respectivamente, a velocidade de terminação e a idade à puberdade do animal. Além disso, Pötter ressalta que são características de fácil medição em grupos contemporâneos e de alta repetibilidade e devem ser observadas simultaneamente com ganho de peso, a fim de selecionar animais equilibrados, em harmonia com o sistema de produção.

    Conforme o médico veterinário, dessa forma, animais com DEP’s (Diferença Esperada na Progenie) altas/moderadas para ganho de peso e CPM devem ser o objetivo de seleção, e não animais extremos para apenas uma característica. Observa que vários estudos têm demonstrado que animais equilibrados têm grande vantagem e melhor desempenho em condições inóspitas em relação àqueles selecionados para alto ganho de peso de forma isolada. A seleção para ganho de peso e CPM permite produzir animais com peso e rendimento de carcaça adequados sem, contudo, aumentar o tamanho e peso vivo do animal, mantendo assim as exigências nutricionais em equilíbrio com o meio ambiente e aumentando a eficiência produtiva do rebanho”, explica Pötter.

    Fonte: Delta G / AgroEffective

    Foto: Wolf Genética/Divulgação



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