• Conjuntura
  • O agronegócio precisa fazer a gestão das cadeias

    12/07/2017
    Temos abundância de oferta de alimentos, variedade e preços que têm contribuído para cesta alimentar. Ou seja, abastecemos o povo brasileiro e ainda exportamos excedentes que salvam a economia.

    José Luiz Tejon Megido*

    Por outro lado, vivemos dramas e problemas em algumas cadeias produtivas que revelam a necessidade de compreender definitivamente o que significa agronegócio, palavra essa traduzida literalmente de agribusiness, conceito estratégico nascido na Universidade de Harvard nos anos 50, onde os professores John Davis e Ray Goldberg já identificavam que toda a atividade de alimentos, fibras, tudo que é originado no campo, não existia mais de forma independente.

    Por isso, nós precisamos exercer a gestão de cadeias produtivas. Não existe mais boi, soja, algodão, milho, tomate, açúcar ou etanol, nem feijão com arroz. Existem sistemas que envolvem ciência, tecnologia, sementes, genética animal, nutrição de solos, plantas e animais, defesa sanitária, transportes, logística, distribuição, vendas, marketing; e isso tudo precisando ser comunicado e percebido pelos consumidores finais: o cidadão.

    Portanto, quando falamos de agronegócio, estamos falando de sistemas de cadeias produtivas cada vez mais segmentadas, desde micro nichos, como por exemplo, alguém que produz cogumelos orgânicos, acerola, até a produção em escala da soja, cacau, carnes e biocombustíveis.

    Quando assistimos o mais recente problema na área de carnes brasileiras com o embargo americano apontando erros e defeitos na forma da aplicação das vacinas de aftosa, que revelaram abscessos e calombos nos locais da vacinação nos dianteiros do boi.

    Assistimos como um micro elo dessa cadeia imensa produtiva, que se não for cuidada e se não for submetida a um plano de qualidade total percebida, contribuirá perigosamente para imensos prejuízos, fechamento de mercados e jogará no lixo dezenas de anos de esforços de marketing e vendas da carne brasileira.

    Sem uma comissão de gestão de cadeias produtivas do agronegócio, segmentada e também preparada para prevenção e gestão de crises, iremos viver de sobressaltos, sustos e prejuízos cada vez mais subsequentes.

    Nisso tudo, há falta de credibilidade no governo do país, ou melhor, nos governantes do país, submetidos a tenebrosas acusações de corrupção e de acordos nefastos do setor privado com o público.

    No caso da maior empresa de carnes do mundo, a JBS, logicamente tudo atiça, assanha e amplifica os faróis dos adversários e concorrentes sobre cada micro detalhe dos processos da gestão das cadeias produtivas do agronegócio.

    Sobre o CCAS

    O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

    O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.
    Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

    A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça.

    Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel.

    *José Luiz Tejon Megido, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM.

    Fonte: CCAS / Alfapress Comunicações



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