• Genética
  • O passado e o presente da identificação de vacas prenhes

    14/11/2016
    Especialistas dão dicas de como se preparar para o diagnóstico nesta estação de monta e falam de novidades no setor

    Antiga, a técnica de palpação retal ainda é muito usada no Brasil

    Com a estação de monta em operação, não deve demorar muito até que o pecuarista tenha que fazer o diagnóstico de prenhez das vacas da sua propriedade. Especialistas que trazem recomendações sobre práticas antigas e novas. Confira:

    Toque

    Manejo mais comum no meio, a palpação retal permite reconhecer a presença de um feto no útero da vaca a partir de 45 dias após a cobertura.

    De acordo com a pesquisadora Alessandra Nicácio, da Embrapa Gado de Corte, tanto o manejo no curral, para evitar o estresse dos animais, quanto o cuidado na realização do exame são fundamentais para seu sucesso. “Como o feto ainda é muito pequeno, qualquer erro na manipulação pode causar perda pelo toque”, diz, afirmando que é imprescindível que o procedimento seja feito por um médico-veterinário.

    “No exame de toque, o profissional vai perceber um aumento de um dos lados do útero, que vai sendo tomado por um líquido que preenche o órgão até o final da gestação, e vai sentir a presença do feto, que não nessa fase não tem mais do que alguns centímetros”, afirma Alessandra.

    Para quem adota a técnica, que não permite fazer um diagnóstico precoce, ela lembra que fazer uma observação de cio também é importante. “Nesses 45 dias até o toque, a fêmea terá duas chances de retornar ao cio, então, se você está acompanhando e ela não apresentou um novo cio, existe um indicativo maior de que possa ter emprenhado”, diz.

    Como os demais métodos, o toque também precisa de reavalização, e tem ainda o agravante de não dar uma resposta imediata sobre a viabilidade do feto na hora do exame. Por isso, é tão importante que além da apalpação retal feita aos 45 dias de gestação, o procedimento seja repetido entre os 90 e 120 dias da cobertura. “Isso para qualquer técnica, porque no primeiro trimestre existe maior chance de perda embrionária, de aborto, e é sempre necessária uma confirmação da prenhez”, afirma Alessandra.

    Ultrassom

    Mais moderno e também usual, o método de identificação da prenhez com uso de ultrassonografia permite dizer se a vaca está vazia ou não após uma média de 20 a 25 dias da cobertura.

    Mas, além do diagnóstico mais precoce, outra vantagem dele é avaliar a prenhez pelo batimento cardíaco do feto, o que já traz um primeiro retorno sobre a sua viabilidade.

    Ao redor dos 60 dias, também é possível fazer um ultrassom para conhecer o sexo do feto. Segundo Alessandra, não existe no Brasil uma legislação que proíba interromper a gestação das vacas. “Essa hoje é uma questão mais moral e ética de cada produtor, porque você tem fármacos no mercado que induzem esse aborto”, diz.

    O ultrassom também pode ajudar na identificação de processos infecciosos, em que se formam partículas estranhas ao líquido presente no útero. “Pela imagem, o médico-veterinário vai acabar discernindo esses problemas e pode iniciar um tratamento”, afirma a pesquisadora.

    Análise do leite

    Além dos métodos mais comuns, começa a ganhar espaço no Brasil uma técnica que analisa os níveis de glicoproteínas associadas à prenhez (GAP) no leite das vacas.

    De acordo com Laerte Dagher Cassoli, da Clínica do Leite vinculada ao Departamento de Zootecnia da Esalq-USP, a análise pode ser feita depois de 28 dias da cobertura das fêmeas (contanto que tenham passado dois meses do seu último parto). A ressalva existe porque quando a vaca fica prenhe passa a produzir essas proteínas gradualmente, de forma a ir aumentando a sua concentração.

    A coleta de amostras de leite para realização do teste de prenhez segue o padrão daquelas destinadas a análises de CCS e composição. “O procedimento é o mesmo e também o material; mas a amostra com o conservante bronopol, mesmo à temperatura ambiente, pode ser analisada em até nove dias após a coleta sem impacto para o resultado de prenhez”, informa Cassoli.

    Segundo ele, um detalhe relevante é a necessidade de evitar a contaminação do amostrador de leite na hora da coleta. “Entre uma vaca e outra, é importante que o produtor se certifique de que o copo coletor foi totalmente drenado para que o resíduo de uma vaca não possa influenciar na amostra da vaca seguinte”, diz.

    Após a chegada da amostra no laboratório, o resultado do teste sai em até dois dias. Os diagnósticos possíveis são três: vaca prenha, vazia ou dúvida. No caso deste último, a conclusão a que se chega é de que a concentração de GAP não foi suficientemente alta para considerar o animal prenhe, nem baixa a ponto de considerá-lo vazio. Neste caso, sugere-se um novo diagnóstico depois de alguns dias.

    Como a análise está baseada na concentração da proteína, que varia de acordo com a fase gestacional, uma vaca que teve perda embrionária pode, dentro de até dez dias após o ocorrido, ser diagnosticada como “prenhe” ou entrar no parâmetro da “dúvida”. De qualquer forma, o teste apresenta alto grau de precisão.

    “Estudos demonstram uma sensibilidade de 98,8%, que significa que existe chance de 1,2% de falsos negativo (vazia). E especificidade de 97,7%, que significa que existe chance de 2,3% de falsos positivo (prenhe)”, afirma Cassoli. Ele lembra ainda que independente do tipo de diagnóstico adotado, seja ultrassom, palpação ou teste de prenhez no leite, sempre é recomendado retestar o animal entre 60 e 90 dias após a cobertura. Para as leiteiras, é recomendado confirmar novamente ainda antes de secar o animal.

    Oferecido há pouco tempo no Brasil, o teste unitário custa R$ 16, podendo variar para menos de acordo com o número de amostras analisadas. A Clínica do Leite, localizada em Piracicaba, SP, trabalha com o procedimento há um ano e acredita na ampliação do oferecimento desse serviço. “Imaginamos que ele ganhará espaço, assim como ocorreu com a análise de CCS, na década de 90”, diz Cassoli. No Brasil, mais um laboratório, em Curitiba, têm feito as análises.

    Alessandra, da Embrapa Gado de Corte, vê o método como uma opção interessante para produtores de leite, que poderiam incorporar a técnica à sua rotina com facilidade. “No caso do gado de corte, por enquanto, as técnicas de que nós dispomos são mesmo a palpação retal e o ultrassom”. Recentemente, ela soube também de uma pesquisa que, com a avaliação de ovários, poderia detectar uma prenhez antes dos 25 dias pós cobertura. “A ideia do pesquisador era analisar via ultrassom a variação do fluxo sanguíneo nessas estruturas, o que pode dar um indicativo sobre o animal ter emprenhado ou não”. De qualquer forma, a pesquisa ainda não foi concluída.

    Fonte: Portal DBO / Foto: Embrapa Gado de Corte



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