• Nutrição
  • O poder da eficiência alimentar

    18/08/2015
    Identificar os melhores em CAR pode render até 30% a mais na pecuária.

    Touro Ioiô OJA, destaque da primeira ediçao da prova de CAR na Perfeita União já fez um filho melhor que ele nos números. (Foto: Divulgação Guzerá IT)

    Daniel de Paula*

    O que era moda, virou regra. É cada vez mais imperiosa a necessidade de se usar tecnologias que mensuram a eficiência alimentar em pecuária. Provas de Consumo Alimentar Residual (CAR) estão cada vez mais comuns pelo mundo afora e as estatísticas comprovam o benefício que isso traz na economia da fazenda. A herdabilidade é cada vez mais comprovada por gênios que estudam esses números e composições de fórmulas que transformam os filhos em personagens cada vez melhores que os pais e mais desejados na produção de carne a campo, a grande aptidão do Brasil tropical.

    Acabo de voltar de mais uma semana de grande aprendizado e admiração em Pirajuí/SP. Aliás, sou um privilegiado por ter nesse pequeno município do Noroeste paulista dois vizinhos com quem cultivo muita amizade. Um que cria Senepol, a Fazenda da Grama, onde é realizado desde 2009 o programa Safiras do Senepol, também com medição de eficiência alimentar em novilhas que se convertem em doadoras em uma prova premiada internacionalmente. O outro, que divide cerca, é a Fazenda Perfeita União, que está cada vez mais segura na seleção de um Guzerá para resultados que se espalha por todo o Brasil, para produção de carne a campo.

    E é sobre essa seleção de um zebuíno milenar que eu quero abordar a importância das informações que eles geram dentro de casa, onde trabalham os Irmãos Tonetto, os sobrinhos, os filhos, enfim, a família toda reunida no batente, na lida.

    Foi lá que nasceu um programa de melhoramento genético que identifica os animais no Índice Super Precoce Funcional (Ispf) em bezerros desmamados e selecionados para esse desafio de desempenho. 20% da safra – em breve serão 100%, mas quando o projeto estiver pronto eu conto aqui – vira alvo de medição do CAR a partir dos 12 meses e, aos 15, esses selecionados continuam em avaliação com as tecnologias disponíveis e hoje mais acessíveis a todos, como ultrassonografia de carcaça (para conhecer AOL, EGS, etc.).

    Desenvolvidos em parceria com a Aval Serviços Tecnológicos, esses programas já descobriram o que o professor doutor Roberto Sainz, da Universidade da Califórnia, em Davis (EUA), veio constatar na fazenda, em uma de suas recentes e rápidas passagens pelo Brasil. Sobre o CAR, ele confirmou que, pelas experiências mostradas em países como EUA, Austrália, Nova Zelândia e outras partes, animais mais eficientes nesse fator passam para gerações futuras, da segunda em diante, até 30% dessa característica, que mexe diretamente no bolso do pecuarista.

    Relatórios que me foram fornecidos pela Perfeita União sobre as 12 edições da prova (11 delas encerradas) confirmam a eficiência da eficiência. A diferença, segundo interpretação do doutor Yuri Farjalla, também da Aval, pode cegar a 15% entre os animais que comem menos e os que consomem mais matéria seca para ganhar o mesmo peso, que continua tendo o maior peso (40%) na composição do Ispf. E é nisso que nos atemos, em eficiência alimentar, sem contar os outros fatores que montam o ranking do Ispf, como CE (20%), AOL (20%) e carcaça (EGS) + marmoreio + temperamento (os outros 20%).

    Nas estatísticas do Guzerá IT e parceiros que deixam os touros mais promissores na prova, a diferença do menor para o maior CAR foi entre -0,781 a 0,826 – quanto menor o CAR, mais eficiente o animal. Isso, levando-se em consideração os mais de 200 touros medidos nessa prova desde 2012, dentro da fazenda, sem artificialismos e com dieta balanceada para todos os animais, que antes e depois continuam desafiados na avaliação a pasto, com suplementação básica em se tratando de pecuária sustentável.

    Todo esse processo visa evitar que animais tardios permaneçam no rebanho, custando mais caro ainda ao pecuarista – por isso o teste com um grupo contemporâneo desde muito cedo. A eficiência está na diferença entre o medido e o predito, que só se conhece após a prova de 75 dias, depois de todas as mensurações (pesagem inicial e final e cálculo do desvio padrão para definição do ganho com os dados do que cada animal consumiu).

    Como alguém pode saber se isso garante o melhoramento genético? Bem, para dar apenas um exemplo, um dos primeiros destaques nessa avaliação, Ioio OJA, animal equilibrado, apresentou o melhor desempenho em 2012 e já teve, aos três anos de vida, um filho que apresentou desempenho ainda melhor na última edição, vendido sábado por R$ 12 mil (50%).

    Parece uma engenharia complicada, mas no sumo tem resultado que pode impactar até 25% no custo de produção. Levando-se em conta que a dieta leva 70% disso, imaginemos o quanto isso beneficia no caixa da fazenda. E o que é melhor, muito rápido. Esses dias, em Pirajuí abriram os meus olhos e os de muitos outros pelo Brasil, tomara que também tenham feito o mesmo com os teus.

    *Daniel de Paula é publicitário e jornalista, repórter do Canal do Boi, canal integrante do SBA.

    Fonte: Enfoque / Rural Centro



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