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  • Opor alimentos orgânicos aos convencionais é invenção ideológica, diz Xico Graziano

    11/06/2020
    Métodos distintos não se eliminam. Ambos convivem em harmonia - Por Xico Graziano
    *Xico Graziano, 67, é engenheiro agrônomo e doutor em Administração. Foi deputado federal pelo PSDB e integrou o governo de São Paulo. É professor de MBA da FGV e sócio-diretor da e-PoliticsGraziano.
     
    O Ministério da Agricultura lançou no dia 8.jun.2020 uma Campanha de Promoção do Produto Orgânico. Muito legal. Mostra que inexiste oposição entre os alimentos “convencionais” e os “orgânicos”. Ambos convivem em uma agricultura de qualidade.
     
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    Opor os “orgânicos” aos “convencionais” é uma invenção ideológica, típica do raciocínio binário, polarizado, que afeta a sociedade brasileira. Trata-se, simplesmente, de formas distintas de produção rural. Uma não elimina a outra.
     
    A agricultura orgânica tem origem com o britânico Sir Albert Howard, cujos experimentos iniciais, há um século, foram desenvolvidos na Índia. Existem várias correntes de agricultura alternativa à convencional, destacando-se a biodinâmica, baseada na filosofia antroposófica.
     
    Todas elas representaram uma reação à tendência de “quimificação” no agro. Naturalismo, tradicionalismo, religiosidade e, em doses variadas, anticapitalismo, uniram-se para alicerçar esse modo de produção alternativo no campo.
     
    Recentemente, menos que filosofia, é o temor dos resíduos de pesticidas (agrotóxicos) que empurra consumidores de elite para o mercado dos orgânicos. Um marketing poderoso tenta convencer que os produtos orgânicos são “melhores” que os convencionais.
     
    O conhecimento técnico, todavia, não comprova isso. Alan Dangour, avaliando 52.741 artigos científicos, afirmou não ser possível concluir que havia diferença nutricional entre alimentos produzidos por sistemas orgânicos ou convencionais. Seu trabalho, publicado na revista American Journal of Clinical Nutrition, é similar à pesquisa conduzida por Crystal Smith-Spangler, da Universidade de Stanford, publicada na revista Annals of Internal Medicine.
     
    É, igualmente, um mito supor que os pesticidas naturais –como a piretrina, a nicotina e o óleo de Nim– utilizados na agricultura orgânica, sejam inofensivos para o homem e outros animais. Todos eles apresentam toxicidade à saúde e afetam o meio ambiente. Seu malefício, ou o risco, como em qualquer substância, depende da dose e da exposição.
     
    Na abertura da campanha, a ministra Tereza Cristina deixou claro o compromisso em garantir a sustentabilidade da agropecuária e a segurança dos alimentos, sejam orgânicos sejam convencionais. Sem distinção.
     
    A tendência de consumo dos orgânicos é francamente ascendente, em todo o mundo. Além de tradicionais produtores, grandes investidores têm apostado nesse nicho, altamente rentável. Por isso, a atividade se tornou uma boa alternativa para pequenos agricultores no Brasil. Tecnificados, inseridos nas cadeias produtivas, o agronegócio orgânico progride bacana no campo.
     
    Existem cerca de 21.800 registros no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, gerenciado pelo Ministério da Agricultura. A maioria vende em “feirinhas” locais. Aqueles, porém, devidamente certificados, por auditoria ou de forma cooperativa, garantem presença crescente nos supermercados. Enfrentam a competição das gôndolas.
     
    Orgânico ou convencional, importa ter qualidade. Com sustentabilidade na produção. Lucro na certa.
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