• Sustentabilidade
  • Os benefícios dos serviços ecossistêmicos na propriedade rural

    14/08/2017
    O Brasil é detentor de uma imensa biodiversidade que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, se traduz em cerca de 20% das espécies existentes, possui a maior reserva de água doce do planeta e em seu território está a maior floresta tropical do mundo.

    Por Tiago Egydio e Marcela Costa*

    Mesmo possuindo clima e solos que viabilizam a atividade agrícola em quase toda a sua extensão, o Brasil possui hoje, segundo a publicação “Mudanças no código florestal brasileiro: desafios para a implementação da nova lei”, aproximadamente 60% do seu território coberto por algum tipo de vegetação nativa, considerando todos os seus Biomas. Ainda segundo a publicação, aproximadamente 53% das áreas de vegetação nativa do país estão inseridas dentro de propriedades rurais.

    Apesar de haver oportunidade de melhoria na relação entre agricultura e conservação ambiental, avaliando esses números, é evidente que a atividade agrícola brasileira vem desempenhando um papel importantíssimo a toda sociedade e, portanto, merece o reconhecimento de todos os cidadãos brasileiros e do mundo. Assim, a propriedade rural brasileira é protagonista para a conservação da biodiversidade e para a manutenção dos serviços ecossistêmicos, que são os benefícios que obtemos da natureza para o nosso bem-estar de maneira direta ou indireta, como por exemplo, fornecimento de água, regulação do clima, matérias primas, auxilia no controle da erosão e na manutenção dos solos férteis, polinização, recreação e lazer entre outros.

    Hoje, conforme determinado pelo Código Florestal, as propriedades rurais devem ter um zoneamento do uso e ocupação do solo observando as Áreas de Preservação Permanente (APP), áreas de Reserva Legal (RL) e a área destinada à produção agropecuária. Cada uma dessas zonas possui diferentes normas que devem ser seguidas. E, apesar de ter sido reduzido o espaço do produtor rural para a prática da atividade agrícola, é importante ressaltar que os recursos naturais existentes nas APPs e RLs e as boas práticas agrícolas adotadas proveem benefícios ao produtor e a toda a sociedade, que se valorados economicamente, seria mais fácil observar o valor e a importância em se conciliar a conservação ambiental com a produção agrícola.

    Para ilustrar tal exemplo, fizemos um exercício para valorar economicamente o serviço ecossistêmico prestado pela área de vegetação nativa e pelas boas práticas de conservação de solo adotadas na fazenda do Sr. Silvino Caus, proprietário da Fazenda Porteira Velha, localizada no município de Pinhão (PR) com 140 hectares de vegetação nativa. Realizando alguns estudos de forma aproximada, identificamos que este remanescente de vegetação estoca uma quantidade de aproximadamente 58 mil toneladas de CO2.

    Para valorarmos este montante de carbono estocado utilizamos como base o estudo da Interagency Working Group (IWG) que avaliou em US$ 38,00 o Custo Social do Carbono (parâmetro que representa o custo estimado dos prováveis impactos da adição de uma tonelada de CO2 na atmosfera na produtividade agrícola, na saúde humana e na forma de danos a propriedades públicas ou privadas, associados a riscos de enchentes, entre outros impactos em decorrência das mudanças climáticas) e, consequentemente, estimamos que este estoque de carbono corresponde à valoração econômica de R$ 7,05 milhões.

    Quando avaliamos o serviço ecossistêmico de regulação da erosão do solo, desempenhado por esta floresta e pelas boas práticas de manejo de solo adotadas pelo Sr. Salvino, que contribuem num custo evitado para repor os nutrientes perdidos pelos processos erosivos que resultam em perdas de produtividade de culturas agrícolas, chegamos a valoração econômica de R$150 mil/ano. Além disto, o Sr. Silvino afirma que, “após medidas de conservação realizadas na floresta, a água em sua propriedade é abundante e nunca mais faltou para o gado, para as atividades agrícolas e para o abastecimento humano”.

    Diferentemente das áreas urbanas onde o asfalto não permite que a água retorne ao lençol freático e falta espaço para a ampliação de parques e florestas, a propriedade rural é protagonista para prover não somente alimentos para a sociedade, biocombustíveis e fibras naturais, mas também de importantes serviços ecossistêmicos. Em meio a um cenário tão desafiador em relação às mudanças climáticas, se a sociedade não adotar um modelo produtivo mais harmônico aliado à conservação de recursos naturais, faltará o básico para sobreviver, como alimentos, água etc.

    Atualmente existem diversas tecnologias e modelos de boas práticas agrícolas, que propiciam e potencializam sinergias, e, podemos citar inúmeros casos de sucesso que evidenciam este modelo produtivo mais harmônico (ILPF, Agricultura de Precisão, Modelos Agroflorestais, Plantio Direto, Práticas de Conservação do Solo e etc). Apesar de ser grande o desafio, ressaltamos que as oportunidades também são em mesma proporção. Contudo, destacamos que da mesma forma que os serviços ecossistêmicos gerados pelas áreas naturais e pelas boas práticas agrícolas dentro das propriedades rurais estão disponíveis a toda sociedade, o esforço para que isto seja mantido e melhorado também deve ser responsabilidade de todos.

    *Tiago Egydio Barreto, consultor de Gestão para Sustentabilidade da Fundação Espaço ECO® (FEE®). Marcela Costa, analista de Sustentabilidade Aplicada da Fundação Espaço ECO® (FEE®)

    Fonte: Espaço CEO / Lead Comunicação



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