• Genética
  • Os caminhos para se fazer um touro Gir Leiteiro Melhorador

    28/07/2016
    O controle de produção de leite deu início a um grande passo na consolidação do Gir Leiteiro em nosso país, bem como no resto do mundo.

     Guilherme Marquez*

    Lembro-me muito bem da minha infância. Conversando com o meu avô, “Seu Laerte”, e vendo o touro “Indianinho”, escutei dele que é muito mais fácil fazer 100 vacas boas do que um touro melhorador.  Hoje, depois de tantos anos trabalhando com genética de zebuínos e seus cruzamentos, enxergo claramente o que ele queria dizer. Fazer um touro melhorador é muito difícil, visto que genética não é uma soma exata, e sim uma ciência com muitas probabilidades. Probabilidades que podem ser mensuradas a partir da quantidade de informações que cada raça possui.

    Muita coisa mudou em relação à quantidade e à qualidade de informação. Em 1919 houve a criação do Herd Book Zebu (HBZ), em 1929, a mudança de HBZ para Sociedade Rural do Triângulo Mineiro e, mais tarde, para Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Investiram numa força-tarefa a fim qualificar os animais zebuínos para as demandas do mercado. Um dos primeiros passos foi a avaliação racial de cada animal, bem como a sua identificação pelo registro genealógico. Parece bem simples nos dias de hoje, mas conhecer a genealogia do rebanho é saber a procedência de um animal e, mais importante ainda, é compreender de onde vem cada característica. A ABCZ fez isso com muita competência, desde o seu início e, hoje, contabiliza milhões de animais registrados, criando um banco de informações de pedigree de muita riqueza.

    Após esses primeiros passos, a raça Gir Leiteiro e a raça Guzerá Leiteiro começaram a ter os seus controles oficiais de produção de leite. Essa ação pode verificar o desempenho de cada animal e compará-los com os demais do rebanho. Para se ter uma ideia, a Revista Zebu registrou, em 1967, a produção da vaca Nutrolac, de propriedade de Torres Lincoln Prata Cunha, da Chácara Sundanagar, que, em apenas um dia (duas ordenhas), produziu 16,80 quilos de leite, no primeiro controle.

    O controle de produção de leite deu início a um grande passo na consolidação do Gir Leiteiro em nosso país, bem como no resto do mundo. Em 1980, um grupo de criadores e selecionadores do Gir Leiteiro iniciou uma nova caminhada junto à ABCZ, criando a Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL). A ideia inicial era diferenciar os animais não somente pelas características raciais, mas pelas características de produção.

    Em 1985 teve início o Teste de Progênie da Raça que, posteriormente, foi intitulado Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro, sob o comando da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da ABCGIL. O objetivo principal foi promover o melhoramento genético da raça Gir Leiteiro, por meio da identificação e da seleção de touros geneticamente superiores para as características de produção (leite, gordura, proteína e sólidos totais), de conformação e de manejo, bem como proceder à avaliação genética dos animais de todos os rebanhos participantes.

    De 1985 até os dias atuais, 24 grupos foram divulgados e 330 touros avaliados. Informações relacionadas à Habilidade Provável de Transmissão (PTA), de diversas características de conformação, produção de leite, gordura e ainda informações de manejo estão disponíveis.

    Hoje as filhas de touros Gir Leiteiro possuem uma média de produção oficial de 3.600 kg de leite em 305 dias, ou seja, representa mais de três vezes a média nacional, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2014.

    Então, podemos fazer a pergunta final: como faço um touro melhorador? Bom, o termo melhorador se refere a alguma ou a várias características que queremos melhorar. Por isso, como primeiro passo, devemos eleger quais são as características que desejamos melhorar no rebanho. Podem ser características de produção (como o leite, gordura), de conformação (pernas e pés, sistema mamário, estrutura etc.), ou de manejo (temperamento, facilidade de ordenha). Com essa escolha bem definida, passamos para o nosso segundo momento.

    O momento seguinte é quando vamos conhecer nossas vacas. Quais são as melhores vacas do meu rebanho e que possuem as qualidades que estou procurando? Na produção, precisamos de mensurações, por isso, a importância do controle leiteiro. Na conformação, podemos utilizar o sistema de mensuração morfológica em que cada característica possui a pontuação ideal. Para manejo precisamos também pontuar os animais para temperamento, tempo de reação ao estímulo humano e para a facilidade de ordenha, em que o tempo de ordenha é o que manda.

    Após essas análises, teremos o ranqueamento dos animais que possuem as melhores pontuações. Assim, achamos as nossas vacas no rebanho. Podemos fazer a análise de famílias, buscando aquelas que possuem mais informação em relação aos seus objetivos. Deste modo, temos um ótimo começo para o trabalho de selecionar as doadoras que se tornarão mães de touros. Se tivermos informação de descendentes, melhor ainda: todos os dados serão incluídos em nossa planilha de seleção.

    Passamos a escolha do reprodutor para este projeto. A partir das informações disponibilizadas pela ABCGIL e pela ABCZ, podemos traçar o seu acasalamento, levando em conta a consanguinidade até 7%. Outros fatores como pigmentação e pico de produção podem ser avaliados também.

    Realizado este passo a passo, é esperar que as probabilidades possam ser maiores para o seu objetivo. É fazer um touro melhorador não era fácil no tempo do “Vô Laerte”. Ainda continua difícil nos tempos de hoje. Mas, com certeza, contamos com inúmeras informações que podem nos fornecer um norte mais certeiro e real do que no passado.

    Sobre a Alta Genetics

    A Alta Genetics é líder no mercado de melhoramento genético bovino do mundo. Com matriz localizada em Calgary, no Canadá, atua em mais de 90 países com nove centrais de coleta: Brasil, Estados Unidos, Canadá, Argentina, Holanda e China. Com 20 anos de história no Brasil, a empresa está sediada na cidade de Uberaba/MG, e tem como missão orientar pecuaristas sobre a melhor maneira de usar a genética aliada ao manejo, nutrição, ambiente, gestão e todos os processos para garantir um animal com todo o seu potencial genético. O compromisso da Alta é criar valor, entregar o melhor resultado e construir confiança com seus clientes e parceiros, em busca do desenvolvimento da pecuária. Mais informações no website: http://www.altagenetics.com.br.   

    *Guilherme Marquez é especialista em Pecuária de Leite e Gestão em Agronegócio pela Rehagro e Gerente de Leite Nacional da Alta.

    Fonte: Alta Genetics / Alfapress



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