• Conjuntura
  • Pensando em 2015

    08/12/2014
    A esperança do mercado do boi gordo deve se pautar em oferta menor, e não em uma demanda ávida.

    Hyberville Neto*

    Este foi um ano marcado pela forte valorização da arroba do boi gordo. A última alta desta magnitude ocorreu em 2010.

    Em 2014, o preço médio, considerando cotações em São Paulo até novembro, foi 21,1% maior que em 2013. Desde 2000, somente em 2008 o desempenho foi melhor. Naquele ano a arroba subira 38,4%, frente a 2007. Mesmo em 2010, o preço médio anual subiu menos, 11,6%, frente a 2009.

    Considerando sistemas de produção de ciclo completo, que não fazem reposição, a situação certamente melhorou. Em sistemas que precisam repor os animais, este custo aumentou mais que o boi gordo em muitas regiões, o que afetou a troca.

    Os custos de produção

    Os custos subiram em 2014, o que não é novidade, mas subiram menos que o boi. Considerando os Índices Scot de Custo de Produção, as altas foram de 7,5% e 5,1%, considerando os indicadores de baixa e alta tecnologia, respectivamente.

    Entre 2000 e 2014, o Índice Scot de Custo de Baixa Tecnologia subiu todos os anos. A variação acumulada no intervalo foi de 303,4%, enquanto o boi gordo subiu 218,8%, considerando valores nominais.

    A movimentação do Índice Scot de Custo de Alta Tecnologia não foi muito diferente. Desde 2000 houve diminuição apenas em 2009, de 14,7%, devido à desvalorização das commodities, usadas mais intensamente neste modelo.

    Considerando todo o intervalo analisado, o incremento do índice de alta tecnologia foi de 281,6%. Observe que o aumento dos custos de alta tecnologia foi 21,8 pontos percentuais menor que o de baixa. 

    Ou seja, além de ter produtividade menor, quem usa menos tecnologia viu os custos subirem mais que o pecuarista mais tecnificado.

    Quando consideramos na análise a receita de uma produção maior, fica clara a razão da tendência de intensificação da pecuária. 

    E o próximo ano?

    Para 2015, espera-se que a oferta de fêmeas diminua, devido aos bons resultados obtidos com a cria. Os dados parciais disponíveis indicam que a intensidade do abate de fêmeas diminuiu.

    É provável que mais fêmeas tenham sido mantidas nas fazendas para a produção de bezerros.

    Por outro lado, é difícil mensurar o quanto a seca diminuirá as taxas de prenhez e aumentará o descarte reprodutivo. Apesar disto, a oferta geral deverá ser menor e colaborar positivamente com as cotações.

    A situação econômica ruim e a necessidade de ajustes deverão estancar parte dos gastos do governo e estímulos ao consumo. Já foi sinalizado que o ajuste fiscal será prioridade, com aumento de juros, controle de gastos e combate à inflação.

    Esfriar a inflação, sem estimular a produção, é acalmar o consumo. Ou seja, a esperança do mercado do boi gordo deve se pautar em oferta menor, e não em uma demanda ávida.

    De toda forma, o balanço entre oferta e demanda deverá gerar preços firmes. As altas devem ser limitadas, pelo consumo, que tende a ser ser comedido. Para o pecuarista, ter em mente que as fases boas e ruins do mercado são passageiras, é a melhor maneira de trabalhar. Na alta, esse conhecimento estimula o aprimoramento e, na baixa, ajuda a manter o ânimo.

    *Hyberville Neto é médico veterinário, mestre em administração de organizações e consultor da Scot Consultoria.

    Fonte: Scot Consultoria / Carta Boi 146

     


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