• Nutrição
  • Pesquisadores ensinam como manter os bovinos bem nutridos em todas as épocas do ano

    12/05/2015
    Manter os bovinos bem nutridos o ano inteiro é essencial para o produtor que deseja aumentar a produção e a produtividade do rebanho.

    Confinamento de bovinos no Pantanal. Foto: Josimar Lima

    Especialistas da área de nutrição de ruminantes afirmam que Independente da época do ano, os animais devem ter acesso à água de boa qualidade, vitaminas, minerais, energia e proteína. Eles ensinam que o primeiro passo para promover um bom esquema nutricional do rebanho é conhecer a exigência dos animais, depois, partir para um planejamento, definição e adoção da estratégia nutricional. Dizem ainda, que a exigência nutricional de um bovino varia em função do peso corporal, categoria, estado fisiológico, uso de promotores de crescimento e até do ambiente em que vive. Um garrote e uma novilha da mesma idade e raça, por exemplo, podem ter exigências diferentes de energia e proteína, por estarem em momentos diferentes de suas curvas de crescimento – explicam os autores no livro: "Nutrição de bovinos de corte – Fundamentos e Aplicações", recém-lançado pela Embrapa Gado de Corte, disponível para download no Portal Embrapa.

     Estas e muitas outras explicações e dicas estão narradas na publicação organizada em 10 capítulos que descrevem os conceitos, as técnicas, estratégias e experiências em nutrição de bovinos. Editada por três pesquisadores da Embrapa Gado de Corte (MS); Sérgio Raposo de Medeiros, Rodrigo da Costa Gomes e Davi José Bungenstab, nela eles abordam uma série de temas, dentre eles: valor nutricional dos alimentos, suplementação a pasto, semiconfinamento, confinamento, fórmulas de suplementos que o produtor pode fazer na própria fazenda, até recomendações de infraestrutura de cochos. "Nós reunimos o conteúdo de textos técnicos utilizados em cursos e palestras e apresentamos de forma prática e simples para ser utilizado na elaboração de projetos e até no dia a dia no campo", resume Sérgio Medeiros.

     Suplemento de baixo custo para o período seco

    Um dos capítulos do livro pode chamar atenção do produtor para a época seca que se inicia. Trata-se de estratégias de suplementação para o período de estiagem. Os autores abordam as principais formas de suplementar os animais na estação seca, alertam para a utilização inadequada de ureia que pode intoxicar os animais, ensinam como preparar um suplemento à base de sal com ureia e como fornecer aos animais. Rodrigo Gomes diz que "as principais formas de suplementação na seca são o sal mineral com ureia, o proteinado ou mistura múltipla e a ração de semiconfinamento". Ele avisa também que todas elas podem ser usadas em sistemas de produção convencionais ou integrados e "em todos os casos recomendamos que a lotação da pastagem seja próxima de um animal de 450 quilos por hectare. Lotações maiores somente quando houver fartura de pasto".

     Os editores do livro mostram exemplos de formulações de misturas múltiplas ou proteinado, que é outra alternativa de suplementação; fórmula para semiconfinamento que pode ser feita na própria fazenda, além de tratar sobre confinamento – vantagens, importância, escolha do volumoso e considerações importantes a respeito da dieta.  

    Capa do livro. Foto: Eliana Ceza

    Abaixo uma das alternativas de suplementação na seca de menor investimento divulgada no livro. Nesse caso o objetivo é a manutenção de peso dos animais no período. Os autores alertam a necessidade de se ter na propriedade uma boa disponibilidade de forragem, como dito acima, mesmo que de baixa qualidade.

     O consumo recomendado é de 100 gramas por Unidade Animal (UA) (uma UA corresponde a um animal de 450 quilos), sendo cerca de 30% dessa quantidade de ureia. O espaço linear de cocho recomendado é de, no mínimo, seis centímetros por animal. O alerta é para a utilização inadequada de ureia, podendo levar o animal à morte. Portanto, não se deve fornecer ureia para animais em jejum e/ou muito magros.  Outra dica é quanto à adaptação dos bovinos ao consumo de ureia. Para isso os autores sugerem: na primeira semana servir dois sacos de sal mineral convencional e um saco de sal mineral com ureia. Na segunda semana, um saco de sal mineral convencional e um saco de sal mineral com ureia e na terceira semana em diante apenas sal mineral com ureia.

     Para melhor aproveitamento, a ureia deve ser associada a uma fonte de enxofre, de maneira que seja atendida a relação de 10 a 15 partes de nitrogênio para uma parte de enxofre. De forma prática, para cada 100 quilos de ureia pode-se adicionar quatro quilos de flor de enxofre ou 15 quilos de sulfato de amônia. O livro traz outros exemplos de formulações e os principais cuidados no fornecimento da ureia, como: não utilizar em pastos com baixa disponibilidade de forragem, mas priorizar os de alta disponibilidade e baixo valor nutritivo, como as pastagens vedadas; misturar bem a ureia no sal mineral e fornecer continuamente; fornecer a mistura, de preferência, em cochos cobertos; os cochos devem estar assentados em desnível e serem furados, para drenar eventual água de chuva. Dessa forma evita-se o acúmulo de água e o risco de intoxicação pela ingestão excessiva da ureia solubilizada.

     Sérgio Medeiros lembra que o produtor deve caprichar em nutrir os animais o ano todo e que o maior desempenho deles se dá nas águas. Na seca a quantidade do pasto diminui e a qualidade fica prejudicada, por este motivo é importante elaborar um planejamento com antecedência para não comprometer o rebanho. A seca acarreta prejuízos como perda de peso animal, diminuição da produção de leite, na taxa de fertilidade predispondo também os animais a doenças.

     Os autores do capítulo 9, sobre estratégias alimentares, fazem as seguintes considerações: "A estratégia alimentar adotada na propriedade é um dos definidores do sucesso ou do fracasso da atividade. Cada vez mais há consciência de que o caminho da lucratividade e da sustentabilidade passa pela intensificação principalmente na nutrição e, para isso, dispomos hoje no mercado das mais diversas tecnologias disponíveis. Cabe ao produtor e aos técnicos serem criteriosos no uso destas tecnologias, sempre buscando aquelas que trarão a melhor relação benefício: custo".

     Serviço:

    Publicação: "Nutrição de bovinos de corte – Fundamentos e Aplicações"

    Autores: Davi José Bungestab, Rodrigo da Costa Gomes e Sérgio Raposo de Medeiros

    Acesso: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/120040/1/Nutricao-Animal-livro-em-baixa.pdf 

     Fonte: Embrapa Gado de Corte

     


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