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  • Planejamento e semente de qualidade são critérios para pasto bem formado

    07/09/2019
    O planejamento é um processo fundamental para quem pretende formar, reformar ou recuperar uma pastagem. Existem vários passos que são necessários para que o produtor tenha sucesso nesta empreitada.

    André Tadao Tsuhako é engenheiro-agrônomo, do Departamento Técnico de Sementes do Grupo Matsuda

    O primeiro deles é contar sempre com a experiência e o conhecimento de um técnico, para orientá-lo inicialmente no que fazer, indicar a quantidade necessária de calcário e fertilizantes, o controle adequado das plantas invasoras, nas práticas conservacionistas do solo e também na escolha da espécie forrageira mais adequada, entre outras orientações técnicas para eliminar a degradação desta pastagem.

    O planejamento da reforma, recuperação ou formação desta pastagem é importante principalmente no que se refere aos custos de todas as atividades envolvidas, desde a manutenção de tratores e equipamentos, a compra de insumos como calcário, fertilizantes, herbicidas e as sementes. A falta de planejamento pode levar o produtor a gastos sem controle, comprando insumos e equipamentos desnecessários e, às vezes, quando deve comprar um produto importante, os recursos financeiros separados para isso já se esgotaram.

    É o caso das sementes de forrageiras, quando o produtor não planeja gasta muito com óleo diesel, com o preparo de solo, com calcário, com herbicida, mão de obra e, quando chega o momento de comprar aquele insumo, tem que comprar o mais barato que há no mercado por conta de já ter gasto tudo que economizou.

    A escolha de uma semente de forrageira de boa qualidade é fundamental para o sucesso no estabelecimento da pastagem. Além de apresentar uma boa germinação, não somente viabilidade, tem que ser de alta pureza, respeitar as quantidades de sementes infestantes permitidas por lei, condições mínimas para o estabelecimento de plantas vigorosas, com crescimento uniforme e bom desenvolvimento.

    Quando o produtor faz a opção por sementes de menor qualidade ou mesmo as chamadas “sementes piratas”, os problemas podem surgir antes mesmo de utilizar a pastagem estabelecida. Um exemplo são sementes com alta contaminação de sementes de ervas daninhas no lote de sementes de forrageiras. Quando são semeadas, a contaminação por ervas daninhas é tão grande, que o produtor tem que fazer o controle dessas invasoras manualmente ou com herbicida, até mesmo antes de colocar os animais. Ocorre uma má germinação e a área fica falhada, o produtor tem que deixar as plantas florescerem, esperar a formação de sementes, aguardar que amadureçam e caiam no solo, para poder utilizar a área. Ou tem que replantar as áreas falhadas. Muitas vezes quando as sementes adquiridas são tão ruins, que as plantas germinadas não são da espécie ou cultivar que o produtor comprou ou existem misturas indesejáveis. Tudo isso resulta em prejuízos que muitas vezes não são contabilizados nos custos do plantio ou reforma.

    No caso de áreas agrícolas, o risco de se utilizar sementes de forrageiras de péssima qualidade é muito maior. A qualidade que importa não é somente a física e a fisiológica, mas existe a preocupação com a qualidade fitossanitária também. Imaginem um produtor de soja contaminar a sua área de plantio com nematóides que causam danos à sua cultura, como Pratylenchus, Heterodera, Meloydogines e outros. Ou mesmo levar esclerócios de fungos como Esclerotinia e Claviceps, ovos de diversos insetos, além de sementes de ervas daninhas como a buva (Conyza bonariensis) e o amargoso (Digitaria insularis). Todos esses contaminantes podem estar presentes em sementes de forrageiras de baixa qualidade usadas na formação de palhada para o plantio direto ou nas áreas de ILPF.

    A legislação brasileira de sementes de forrageiras (Lei nº 10.711, Decreto nº 5.153       e a Instrução Normativa nº 30) permite a comercialização através do teste de viabilidade em tetrazólio, com pureza mínima para as sementes de Brachiaria de 60% e para as sementes de Panicum maximum de 40%. A viabilidade ou germinação mínima para essas sementes é de 60%. Por essa razão, aliada à tradição dos produtores em utilizar sementes “sujas”, ainda hoje são comercializadas sementes de forrageiras com torrões, terra, palha, sementes chochas e outros tipos de impurezas. Além disso, nessa porção “suja” existem diversas sementes de plantas indesejadas, que devem estar dentro dos limites impostas por estas legislações. Não existe nada nessa legislação sobre controle de patógenos como fungos, bactérias, nematóides, ovos de insetos, etc. Portanto, a única maneira do produtor evitar problemas mesmo antes de utilizar a pastagem que está sendo implantada, é utilizar sementes de alta qualidade, com tecnologia e de empresas tradicionais e conhecidas no mercado.

    As pastagens são culturas de ciclo perene, devem durar mais de 10 anos, se bem manejadas. Por isso, se analisarmos o custo das sementes utilizadas no plantio e dividirmos por essa vida útil, vamos concluir que é o insumo mais barato de toda a reforma. Assim, não justifica o uso de sementes de menor valor por quilo, de menor qualidade, e todos os transtornos que elas podem trazer.

    Diversas tecnologias estão disponíveis nas sementes de forrageiras, que auxiliam no estabelecimento das pastagens. O uso de sementes puras de forrageiras evita a disseminação de ervas daninhas, a boa germinação gera plantas que concorrem com aquelas plantas indesejáveis existentes na área de plantio. O tratamento com fungicida protege as sementes durante a germinação e as plântulas contra os fungos do solo como Pythium e Fusarium, auxiliando na maior densidade de plantas na área (pode chegar até 6 %). O uso de inseticida também auxilia na proteção das sementes e das plântulas, principalmente contra formigas, cupins, grilos, gafanhotos, etc. Os corantes que são utilizados nos tratamentos com inseticidas e fungicidas foram substituídos pelos polímeros, que melhoram a adesão e fixação destes produtos nas sementes, melhorando a sua eficiência. Além disso, o polímero evita a absorção de água pelas sementes quando a quantidade for muito pouca. Por exemplo, quando ocorre um pequeno chuvisco, evitando assim que as sementes iniciem a germinação e morram por falta de água no solo.

    Outro tratamento utilizado em sementes de Brachiaria é a escarificação. Ela pode ser feita mecanicamente ou quimicamente. A escarificação química foi exigida durante décadas por alguns países que importam sementes de forrageiras, pelo fato do Brasil ter histórico de febre aftosa. A escarificação mecânica é feita em equipamentos semelhantes àqueles utilizados para brunir o arroz, retirando o tegumento das sementes, deixando-as mais lisa e facilitando a absorção de água e oxigênio durante a germinação. A escarificação química faz o mesmo nas sementes. No processo, é utilizado o ácido sulfúrico que retira as glumas e lemas (tegumentos), elimina também as sementes imaturas e malformadas, ficando somente as mais vigorosas e de boa germinação. Nesse processo elimina-se cerca de 6 a 8% destas sementes imaturas, que nas análises de laboratórios são classificadas como sementes puras e fazem parte dos lotes de sementes não escarificadas quimicamente. Outra vantagem da escarificação química é a “limpeza” fitossanitária, onde são eliminados diversos patógenos, inclusive nematóides.

    A última tecnologia nas sementes de forrageiras são os revestimentos, utilizados há anos em sementes de hortaliças, de tabaco, de flores e florestais. O processo consiste em aderir às sementes, materiais inertes através de uma cola, que aumenta seu peso e volume inicial. O cuidado dessa tecnologia em sementes de forrageiras é quando se utiliza, no processo, materiais que não melhoram em nada a qualidade das sementes, e muitas vezes chegam a prejudicar sua germinação. O revestimento tem por finalidade melhorar a plantabilidade, a fluidez das sementes, a eficiência na germinação, a ação dos fungicidas e inseticidas, o uso de água disponível no solo, fatores que favorecem o estabelecimento de uma pastagem com menor quantidade de sementes por área. Nesta tecnologia, normalmente, com 1 (um) kg de semente pura, escarificada, tratada com polímero e fungicida, faz-se 2,5 (dois e meio) kg de sementes incrustadas.

    As sementes de forrageiras de qualidade fazem a diferença entre o sucesso e o fracasso no estabelecimento de uma pastagem ou na formação adequada de palhada para o plantio direto em áreas agrícolas. Porém, outros cuidados devem ser considerados no plantio, como a profundidade das sementes no solo (1 a 3 cm); controle de plantas indesejáveis na área; aguardar a fermentação do material orgânico no solo; cuidados com ataques de insetos, principalmente as lagartas; doenças; e também com o clima. O plantio deve ocorrer quando o solo não tiver mais deficiência hídrica, as sementes necessitam de pelo menos 10 horas de luz (sol) e temperatura do solo de pelo menos 20° C. Por isso quando chove muito a germinação atrasa, pois com as chuvas intensas o céu fica nublado e, então, não tem luz, solo molhado e sem o sol as temperaturas ficam aquém do ideal. Tudo isso interfere na germinação das sementes.

    No laboratório, em condições controladas de luz, temperatura e umidade, as sementes de forrageiras demoram entre 21 a 28 dias para germinarem. No campo esse tempo varia muito, pois as condições do clima não são controladas, podendo adiantar ou atrasar o tempo de germinação.

    Como recomendação final, é importante que o produtor se atenha à orientação técnica. A assistência de um agrônomo é muito importante para o produtor, no planejamento e na escolha da semente mais adequada para sua propriedade, pois é um ponto crucial no lucro ou prejuízo da propriedade no futuro, além de tirar todo o potencial da área e usar todos os recursos.  

     

    Agência Responsável: Taxi Blue Comunicação Estratégica
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    José Luiz da Silva (MTb 10.745)
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