• Nutrição
  • Produção de silagem a partir da utilização do excedente de pastagem

    15/08/2016
    Em muitas partes do mundo, a conservação de forragem é fator-chave para incrementar a produtividade de ruminantes.

    Jailton da Costa Carneiro*

    A conservação de forragem permite melhorar a suplementação de alimento de boa qualidade, quando a taxa de crescimento das forrageiras é baixa, além de prover os fazendeiros de meios para preservar forragens quando há excesso de produção. Desta forma, a conservação possibilita oferta mais uniforme de forragens de boa qualidade ao longo do ano.

    As estações do ano influenciam significativamente as taxas de crescimento das forrageiras. Por isto, é necessário efetuar ajustes nas taxas de lotação e no ciclo de pastejo (período de pastejo e descanso da pastagem), de acordo com as flutuações na disponibilidade de forragem, evitando o superpastejo e a degradação da pastagem.

    A deficiente produção de forragem no período seco do ano implica no estabelecimento de baixas capacidades de suporte das pastagens. Desta forma, é imprescindível estabelecer uma estratégia para conservação de forragem, sendo a silagem e o feno as formas mais utilizadas. Para a produção de silagem, as espécies forrageiras mais empregadas são o milho, o sorgo e o capim-elefante, enquanto cana-de-açúcar, girassol e outras espécies tais como Brachiaria sp., Cynodon sp., Panicum sp., são utilizadas em menor percentual.

    Mesmo em gramíneas que possuem alto potencial de produção de matéria seca, fatores climáticos fazem com que a distribuição desta produção seja irregular, podendo resultar em substanciais perdas por excesso de produção no período de chuvas ou déficit no período seco do ano.

    Mesmo apresentando características adversas para serem ensiladas (alto teor de umidade, poder tampão e normalmente baixo teor de carboidratos solúveis), as pastagens de gramíneas tropicais podem constituir-se em uma das formas para o aproveitamento do excesso de forragem produzida no período chuvoso. Este procedimento poderá fazer com que haja maior uniformidade na disponibilidade e qualidade de forragem, proporcionando aumento médio nas taxas de lotação das pastagens, com consequente equilíbrio no tamanho do rebanho ao longo do ano.

    A utilização de técnicas que reduzam a umidade, associadas ou não à utilização de aditivos estimulantes da fermentação, pode constituir-se em tecnologia que melhore o padrão de fermentação das silagens de gramíneas tropicais, consequentemente, produzindo alimento de melhor qualidade para os animais. Outra variável que deve ser observada é a estabilidade aeróbia da silagem após a abertura do silo, uma vez que a mesma pode acarretar significativa perda de material.

    As gramíneas tropicais, devido à via C4 de fixação de carbono, caracterizam-se por apresentar elevada taxa fotossintética, com produtividade de matéria seca muito superior à das forrageiras de clima temperado tipo C3. Assim, a taxa de acúmulo de ordem de 150 a 200 kg/ha/dia de matéria seca no verão pode ser atingida nos capins Tanzânia e Mombaça, cultivares de Panicum maximum.

    Outras gramíneas, como o Tifton 85, apresentam elevado potencial de produção. Pesquisadores estimaram para essa forrageira a produção de 24,2 t ha/ano de matéria seca, quando adubada com 400 kg /ha/ano de nitrogênio. Pesquisas feitas no Acre, avaliando acessos de Brachiaria brizantha, verificaram para essa gramínea um potencial de produção de 15.000 kg/ha de matéria seca.

    Por outro lado, a produção de silagem de gramíneas pode ser limitada pela capacidade de fermentação da planta forrageira. Esta capacidade refere-se à relação entre o teor de carboidratos solúveis e os teores de umidade e poder tampão das gramíneas. Capins tropicais apresentam baixos teores de carboidratos solúveis e alto teor de umidade. Portanto, para que se obtenham silagens de boa qualidade e menor percentagem de perda, as restrições quanto à umidade e carboidratos solúveis devem ser corrigidas pela adição de açúcares, e promovendo o aumento no teor de matéria seca, acelerando, assim a fermentação inicial para que o pH apresente declínio mais acelerado.

    O conteúdo de matéria seca da forragem no momento de ensilar determina os problemas que podem ser encontrados neste processo. Com teor de matéria seca inferior a 30%, as perdas na silagem por efluente e pela fermentação por Clostridium sp podem ser significativas. Por outro lado, ao elevar a percentagem de matéria seca da forragem para mais de 50%, as perdas podem ser maiores durante o corte, principalmente na colheita, e posteriormente no armazenamento das mesmas pela fermentação.

    Um estudo comparando seis gramíneas forrageiras tropicais, cortadas no mesmo estágio de desenvolvimento (97 dias de rebrota), verificou que o capim-elefante, cv. Taiwan A-148, apresentou o menor poder tampão e maior teor de carboidrato solúvel do que as outras espécies. Em consequência, apesar de possuir teor de matéria seca mais baixo (21,1%), o capim-elefante proporcionou silagem considerada de qualidade média a boa, levando-se em consideração os níveis mais baixos do pH, das bases voláteis (N-NH3/ N total) e dos ácidos lático, acético e butírico.

    A adoção de técnicas que reduzam a atividade de água (pré-murchamento), bem como o uso de aditivos que promovam a redução de água e a elevação no teor de açúcares na massa ensilada, geralmente reduz as perdas resultantes de fermentações indesejáveis. Materiais (grãos de cereais, polpa cítrica etc.) podem ser utilizados para elevar a concentração de açúcares solúveis e o teor de matéria seca.

    *Jailton da Costa Carneiro é Pesquisador Embrapa Gado de Leite

    Fonte: Embrapa Gado de Leite

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