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  • Projeto desenvolvido no Sul do Brasil atesta eficiência na pecuária

    24/10/2017
    Estudo do genoma de bovinos das raças Hereford e Braford permite identificação população de animais resistentes ao carrapato

    A pecuária de corte no Brasil vem investindo em melhoramento genético para alcançar uma maior produtividade do rebanho e o trabalho desenvolvido com genética molecular nos centros de pesquisa tem apresentado resultados importantes. Um projeto da Embrapa Pecuária Sul com a parceria da Conexão Delta G e apoio da Associação Brasileira de Hereford e Braford, e que já se tornou referência mundial, busca através de Marcadores Genéticos desenvolver uma nova tecnologia para a seleção de animais com maior resistência ao carrapato e a outras características de adaptação.

    O trabalho, que já tem sete anos, também foi publicado em revistas científicas das mais renomadas do mundo e mostrado em conferências. No próximo mês de dezembro o pesquisador da Embrapa, Fernando Cardoso, participará de uma reunião na Africa do Sul a convite de instituto escocês para tratar do tema ao lado de representantes da África, América do Sul e Austrália, regiões mais afetadas pelo carrapato.

    O presidente do Conselho Técnico da Conexão Delta G, Bernardo Pötter, lembra que esse tipo de trabalho consegue aliar o máximo potencial genético dos animais para características de desempenho, de carcaça, de qualidade de carne, com características de adaptação ao meio ambiente de uma maneira muito sustentável. Comenta que estão sendo selecionados animais mais eficientes à pasto e, ao mesmo tempo, mais adaptados ao meio ambiente em que vivem. “São animais resistentes à ectoparasitas e também mais resistentes à tristeza parasitária bovina, pois o vetor da doença é o carrapato. E tudo isso sem o uso de químicos, de pesticidas, que é o ideal para uma pecuária eficiente e que quer exportar para os mercados mais exigentes”, destaca Pötter.

    Cardoso explica que após o sequenciamento de todo o genoma do bovino é possível associar diretamente às variações no genoma, nos Marcadores Genéticos, a resistência dos animais ao carrapato, assim como as outras características de adaptação que basicamente são o comprimento do pelo e a pigmentação. Informa que durante esses anos de trabalho foi criada uma população de referência com cinco mil animais que têm informação sobre os marcadores genéticos e as características de resistência e adaptação. “Para chegarmos a essa população foram realizadas por técnicos treinados das fazendas integrantes da Conexão Delta G mais de 15 mil contagens nos bovinos”, salienta.

    Conforme o pesquisador, foi o primeiro trabalho realizado nesse sentido e hoje os principais touros Hereford e Braford usados em inseminação artificial são avaliados para resistência ao carrapato. Ressalta que o trabalho envolveu apenas o Rio Grande do Sul, mas foi feita uma validação da tecnologia no Brasil Central. “Foram escolhidos dois touros mais resistentes e dois mais suscetíveis para inseminar vacas no Brasil Central. Depois contamos os carrapatos nos filhos e ficou comprovada a tecnologia. Os filhos dos animais mais resistentes pegaram praticamente a metade dos carrapatos que os dos mais suscetíveis”, afirma.

    Cardoso destaca que o grande diferencial da genômica é o fato de não ser necessário expor o animal ao carrapato para ver o seu valor genético. “Uma vez feito esse trabalho de desenvolver uma população de referência e de associar as diferenças em nível da sequência de letras do código genético, que é o Marcador Genético, e associá-lo com a resistência ao carrapato, podemos simplesmente obter a informação do DNA e fazer uma predição do valor genético do animal sem ter que o expor ao carrapato. Ou seja, o produtor pode selecionar os animais mais resistentes ao carrapato, mas sem ter o trabalho de contar o ectoparasita e correr o risco de o animal morrer de tristeza parasitária por causa do seu excesso”, observa.

    Fonte: Conexão Delta G/AgroEffective



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